segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Ainda Estamos Aqui com O Agente Secreto

Demétrio Sena - Magé 


Quem torce por esportistas, por seleções e atletas em mundiais, Pan-americanos e olimpíadas, deveria entender quem torce por artistas em disputas internacionais. Os esportes, as ciências e as artes de nosso país nos representam no mundo; logo, é justo nos orgulharmos de seus desempenhos bem sucedidos e suas vitórias. Está no sangue, no cerne, na composição da alma e das emoções humanas. Quem diz que "não ganha nada com isso", e que os agraciados diretamente é que estão "cheios de grana", só o faz por questões partidárias ou despeito. É amargo/amarga por natureza e só fica feliz com o que lhe favorece ou dá alguma vantagem.

Fiquei feliz há pouco tempo, pelas vitórias internacionais do filme Ainda Estou Aqui, as vitórias de Fernanda Torres e o Walter Salles, e agora estou feliz pelas vitórias do filme também brasileiro O Agente Secreto e do Wagner Moura. Por que não ficaria? Por acaso torço contra o sucesso da cultura brasileira? Torço pelo meu país em todos os campos positivos e honestos de suas atuações no mundo. "Ah; mas é dinheiro da Lei Rouanet!". Não, seu bisonho; a Lei Rouanet não contempla longas-metragens; mas contempla, sim, curtas e médias-metragens e outras forrmas de cultura; sabe como? O artista ou a produção faz o projeto, apresenta ao governo via canais oficiais da cultura e, se o projeto for aprovado, o artista ou a produção sai com ele embaixo do braço batendo de porta em porta, para que empresários banquem a produçõe e tenham pequenos incentivos fiscais. Pequenos, mesmo. Em resumo, a Lei Rouanet não mete a mão nos cofres públicos.

Agora; como você, que baba e espuma contra a legítima cultura brasileira é bolsonarista e na maioria das vezes membro de igreja evangélica, vou lhe dar uma aulinha: Sabe de onde saem as grandes fortunas pagas individualmente aos pseudo sertanejos e gospéis (plural de gospel) que berram nos palcos das pequenas e grandes cidades país afora? Diretamente dos cofres públicos. Fortunas que chegam aos municípios onde a Saúde, o Saneamento, a Educação e outros serviços essenciais são precários (moro em uma dessas cidades), e a cultura poderia ser bem mais relevante, legítima e justa economicamente. Sabe como? Com maior contemplação dos artistas locais e de alguns famosos com os quais não haja esquema de rachadinha ou nota superfaturada.

Mas você não pensa nisso; estou certo? Sua "onda", mesmo, é xingar quem não gosta de seus entes queridos Bolsonaro e filhos, que pedem bombas contra o Brasil. É mostrar que é macho, enfrenta até um chinelo de dedos... ao mesmo tempo, como patriota meia-boca, derrete-se de amores pelo bufão norte-americano, que só quer usurpar o seu, o nosso país; mais meu do que seu, porque você não o merece. Parabéns, Wagner Moura! Parabéns, autor, direção, produção e toda a equipe, desde os trabalhadores mais simples, pelo sucesso de O Agente Secreto! Parabéns à cultura brasileira! Os que torcem contra estão de luto... e nós, continuamos na luta!
...   ...   ...

Respeite autorias. É lei 

sábado, 10 de janeiro de 2026

Sobre com quem sermos quem somos

Demétrio Sena - Magé 

Alguns hábitos pessoais que cultivo, e são incomuns ao mundo externo, são tão naturais e saudáveis para mim, que preciso ter cuidado para não pensar que determinadas pessoas sejam como eu. Às vezes penso que são, ou tento crer, para me sentir menos "peixe fora d'água". Ou menos extraterrestre. Algumas vezes fui até feliz nessa procura tímida e silenciosa, mas, muito ao longo dos anos. 

É solitário pensar diferente ou ter conceitos menos fechados e um olhar informal sobre questões de pessoalidade. Não tenho como julgar o próprio mundo; até porque, sou eu quem distoa. Mas, ter conhecido pessoas semelhantes, ainda que bem poucas, ou muito de quando em quando, serviu para diminuir momentaneamente a minha solidão física. E ainda, para diminuir permanentemente a solidão interior, que continua profunda; entretanto, com doses de alívio e de alguma esperança em seja lá quem for.

Talvez todo o mundo tenha seu eu oculto e quase ninguém confesse. Ou ache que seu eu seja menos inconfessável do que o do outro; permitindo-se assim, a prática de julgar severamente a quem se abre ou expõe. E quem não quer julgamentos, continua oculto até encontrar com quem possa ser quem é... talvez depois de muitos enganos e desenganos, pela repetida ilusão de que já tenha encontrado.

...   ...   ...

Respeite autorias. É lei

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

"Sombriedade"

Demétrio Sena - Magé 

Tenho por hábito introspectivo me sentir julgado. Permanentemente julgado. Por palavras atravessadas, palavras não ditas entre as que se apresentam, e também por silêncios, distâncias, recolhimentos específicos e olhares. Diretos ou oblíquos. Inclusive de pessoas que deveriam me conhecer muito bem. 

Habituei-me a ser visto como alguém sombrio, neste país de tantas religiões das quais nenhuma é a minha. E sendo visto como alguém sombrio, por mais espontâneo, leve, sem mistério que eu seja - e sei que sou -, já enfrentei suspeitas de que tenha feito algo sombrio, não poucas vezes. Do nada. Simples e absolutamente do nada. Algumas vezes, sem nem ter havido algo sombrio para se atribuir a alguém. Com a única motivação externa, da minha não religiosidade... ou do que classificam como falta de Deus no coração. 

O que me assusta é ver tanta gente "com Deus no coração" fazer tantas coisas sombrias e se julgar iluminada, simplesmente por carregar a marca de uma religião; majoritariamente, cristã. Ou os preconceitos não são sombrios? Julgamentos, machismo, idolatria política, violências verbais e até físicas contra quem pensa, crê, vota diferente... exclusão, separarismo, ódio religioso... tudo isso é sombrio e me dá medo. Meu coração não sossega, não porque me julgam sombrio, mas porque vejo tanta sombra nisso.

Ninguém se arme. Nem se alarme ou se auto flagre com estas ponderações. Não estou pensando especificamente em você. Nem tenho como saber o que abarrota o seu coração. São apenas observações introspectivas, que ora "extrospecto" para suportar a sociedade que me cerca. A sociedade que sou.

...   ...   ...

Respeite autorias. É lei

sábado, 3 de janeiro de 2026

Enquanto amamos ou odiamos sandálias

Demétrio Sena - Magé 

Cenários graves vão se desenhando, enquanto criam cortinas de fumaça, como a polêmica fútil sobre amar ou odiar as Sandálias Havaianas. Leis do poder público em diferentes instâncias contra o cidadão brasileiro, notícias importantes sobre decisões sociais que podem mudar nossas vidas, agendas culturais relevantes e avanços científicos globais passam por nós, enquanto estamos ocupados com futilidades. O ataque dos Estados Unidos à Venezuela, por exemplo,  foi um processo não percebido a contento, em razão do excesso de memes vazios que abarrotam a internet, mundo ao qual dedicamos boa parte de nossas vidas, mas não de modo adequado. Aceitamos notícias sem procedência, provocações que não merecem atenção e bolsonarismos comportamentais que já devíamos ter enterrado, enquanto passam "boiadas" decisórias dos poderes, quase sempre danosas para o cidadão comum.

A internet é rica em informação, arte, literatura e outros assuntos relevantes (entre preocupantes e prazerosos) que perdemos, porque estamos quase sempre concentrados em trocas de farpas improdutivas (existem farpas produtivas?), memes e brincadeiras que camuflam assuntos, informações e novidades que podem ser essenciais para nós. É ruim nos divertirmos na internet? Não. Claro que não. A diversão, o entretenimento e até as trocas de gozaçoes fazem parte da vida, dentro e fora do mundo cibernético, mas... não podem servir para nos alienar e deixar de fora dos acontecimentos e até das decisões internas e mundiais que têm o poder de mudar as nossas vidas. Para melhor ou pior. Temos uma ferramenta fantástica de avanço pessoal e corporativo, porém, usamos essa ferramenta contra nós mesmos.

Sem abraçar alarme, sensacionalismo e terror, cada cidadão deve dividir seu tempo entre os prazeres pessoais e as atenções que nossa cidade, nosso estado, o país e o mundo exigem. O avanço tecnológico cibernético deve significar nosso avanço como ser social; não o nosso retorno à idade média. De que nos vale uma conexão que nos desconecta com a realidade, transformando em mundinho pessoal o nosso acesso ao "mundão" em constantes transformações políticas, sociais, culturais e civilizatórias?
...   ...   ...

Respeite autorias. É lei 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Abençoado

Demétrio Sena - Magé 


São muitos os esforços diários de pessoas queridas, para que eu "aceite Jesus" e passe a frequentar um templo. Fazem isso de longe, porque essas pessoas queridas "não se misturam" mais com um homem "perdido". Um ateu. Esperam pela minha conversão, para que não seja perigoso se reaproximarem de mim. Trata-se de uma orientação de seus tutores espirituais. Dizem que, uma vez convertido, serei uma pessoa muito abençoada. Não convertido, além de não ser abençoado, meu destino após a morte já é o inferno, "com o Diabo e seus anjos" e tudo mais.

Aceito essas pessoas queridas como elas são. Podem ser cristãs, budistas, judaicas, membros de religiões de matriz africana, de outras mais, ou céticas como eu, no que tange o sobrenatural disponível. São meus próximos, não importa no que acreditem, e tenho sincero sentimento. Se não estão mais ao meu alcance no dia a dia, é porque sou pessoa não grata, não bem-vinda, em razão do que penso da vida, do mundo e do além. Não importa para tais pessoas, se eu sou honesto, pacífico, boa gente; o problema é que não sou "convertido". Mais grave ainda, porque não concebo esse Deus que as religiões apresentam, das formas como apresentam, e minha visão da figura de Jesus Cristo não é no contexto sobrenatural. Admiro-o, tenho como modelo de como eu gostaria de ser, e foi ao ler sobre ele, sem as fantasias da própria leitura e de alguém baforando em meu "cangote" que despertei para o amor ao próximo, seja o próximo quem for, sem desejar que ele fique distante até que seja igual a mim.

Quanto a ser muito abençoado, a vida já me abençoa faz tempo. Deus? Pode ser, porque não acredito no Deus das religiões, mas não duvido que algo (sempre acreditei que, se Deus Existe, Ele não é Alguém, é Algo) reja ou administre o todo. As poucas pessoas que me aceitam não fazem exigências. Dentro de minhas preocupações diárias, e apesar delas, que são muitas, há em mim uma paz que não carece de complementos litúrgicos. Não sei quantas vezes escapei de situações extremas, inclusive relacionadas à saúde (sem orações, rituais, penitências e "trabalhos"). Conquistei o emprego dos meus sonhos, mesmo sem "ganhar bem". E me sinto extremamente feliz, porque lanço livros, poemas, minhas fotografias, plantei muitas árvores e tenho duas filhas, esposa (com as quais vivo bem) oito irmãos e nenhuma forma de depressão, mesmo tendo meus problemas e minhas tristezas. 

Não sei como será o meu futuro; que mágoas e alegrias, quais venturas e desventuras terei pela frente, mas tudo será como sempre foi: Como será. Exatamente como seria, independente da minha fé ou não fé em que ou quem. O destino cabe a si mesmo e o que chamam de paz de espírito, eu tenho, entre as agonias naturais de viver. Quer saber? Ame o próximo. O que pensa e crê como você e o que não. O próximo próximo e o distante. O habitante do mesmo planeta que você. E se você crê em Deus, está muito bom assim; não precisa trocá-lo por outro mito qualquer.

Que o ano de 2026 seja de muitas felicidades, descobertas, desafios, reflexões relevantes e sinceras, e mudanças necessárias para melhorarmos como seres humanos. Melhorarmos, visando a nossa e a felicidade alheia palpáveis, sem dependermos das ordens de ninguém, de como devemos ser felizes. A felicidade pessoal não é algo tangível por alguém que se dê o direito e a prerrogativa de arrebanhá-la para um triste e questionável coletivo obrigatório.
...   ...   ...

Respeite autorias. É lei 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O Poder Da Mídia em Nossas Mãos

Demétrio Sena - Magé 


Nem adianta você tentar me dizer para deixar de me expressar na web, especialmente nas redes sociais. Não vou deixar; é nos espaços de respostas a informações e debates e nos meus perfis em redes sociais que tenho voz. E a minha voz vai ao encontro de milhões de outras, resultando mudanças políticas e sociais que não seriam possíveis com o silêncio.

Muitas decisões perniciosas do poder público em todos os patamares têm caído por terra, graças aos protestos de milhões de pessoas, incluindo os meus. E muitas decisões favoráveis à sociedade, aos trabalhadores e cidadãos modestos como eu estão sendo tomadas graças às pressões maciças de quem vive, respira, se diverte, cuida da família, mas não deixa de se posicionar. Na web. Onde mais atuaríamos com tanta eficiência? Gritaríamos dia e noite nas ruas? Remeteríamos bilhetes aos poderes ou entraríamos na justiça contra a própria justiça e suas injustiças? Juntos, somos a mídia; somos os algoritmos que levantam e derrubam, quase sempre com muitas dificuldades, bons e maus representantes do povo.

Se você, cidadão "canhoto" como eu, não quer mais saber "da internet", será mais uma voz que deixará de ter vez no dia a dia de uma sociedade sempre na iminência de sofrer com leis arbitrárias. Leis criadas nas caladas da noite pelo congresso nacional, por exemplo. Será menos um ativista contra injustiças sociais, racismo, lgbbtfobia, feminicídio, corrupção política e tantos outros assuntos. Uma voz que se cala e permite à extrema direita, cada dia mais barulhenta, ocupar todos os espaços de manifestação pública e de luta por suas causas danosas, em benefício das eleites; dos poderosos... contra os direitos humanos, de cidadania, e contra um povo que segue invisível, muitas vezes crendo que a web "não é pro seu bico".

Portanto, não adianta "sibilar" que "as trincheiras da Internet" são fúteis. A depender de quem as ocupe, são espaços de ativismo político, social, artístico e literário por uma sociedade mais justa, igualitária, democrática e bem informada. É o que tento ajudar a manter, em meio a tantas desinformações e atuações que visam minar o que há de bom. Não me permitirei o discurso do sossego pela desistência. Esse discurso tem como alvo, que deixemos o caminho livre para os que pretendem, há muito tempo, bloquear de uma vez por todas a efetivação de um país livre, democrático, laico, de pleno acesso a toda forma de cidadania. Um país para todos é tudo o que as eleites não querem e por isso manipulam seu rebanho para nos cansar.

Sim, temos um mundo físico, e nele, os nossos afazeres presenciais, nossos afetos a cuidar... uma vida prática e dinâmica que não pode ser diluída pelo vício cibernético. Mas, deixarmos esse poderoso espaço corporativo de atuação completamente nas mãos do extremismo político, do fanatismo religioso e inquisitorial a serviço dessa política e do imenso rebanho que a utiliza de modo a nos banir pela desistência, isto sim, é futilidade. Temos pela frente um ano eleitoral. A Internet será decisiva para nos unirmos e não deixarmos o Brasil voltar aos tempos sombrios da ditadura e para tirarmos do congresso os políticos que trabalham por essa volta.

Foi na internet que os vândalos do "oito de janeiro" se organizaram. Também foi na internet que nós, os ativistas civilizados, pressionamos os poderes perversos e organizamos movimentos presenciais corporativos - e pacíficos - pelos quais conseguimos grandes vitórias contra o #congressoinimigodopovo, que só trabalha em benefício próprio. 

Não. Não sou estúpido: não comprarei o embrulho vendido pelas elites do poder e revendido pelos escravos populares dos que trabalham para essas elites nas trincheiras das religiões, por exemplo, que usam com tão eficiente má fé as formidáveis trincheiras da web. É uma pena ver tanta gente boa e necessária desistir... justamente agora.
...   ...   ...

Respeite autorias. É lei

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Pra vocês também

Demétrio Sena - Magé 

Se alguém me "deseja feliz Natal", não me sinto ofendido. A data não tem sentido para mim, embora eu tenha grande admiração pela figura humana que uns divinizam, outros fingem, mas não me ofendo. Algumas vezes, consigo até devolver aquele "pra você também", que faz uma ou outra pessoa sorrir, maliciosamente, como se houvesse ali um triunfo contra o cara "que se diz ateu". Sempre dizem que me digo ateu; temem dizer que sou. Às vezes entendo como afronta velada. Outras vezes, considero que seja uma superstição: temem admitir que acreditam que alguém não acredite.

É o mesmo caso, no dia a dia, de quando alguém me diz vá com Deus, Deus te abençoe (ou te guarde), entre outros Deus isso, Deus aquilo. O meu "pra você também" é como se eu tivesse caído em uma armadilha, não de todas as pessoas, pois algumas são sinceras, mas de muitas que vivem tentando arrancar de mim o que possam cravar como algo próximo de uma contradição. Como posso me ofender com a citação de quem não creio existir? Alguém que não tenho como amar, também não tenho como odiar. Da mesma forma, por que me ofender quando alguém manifesta o desejo de que o meu dia, seja ele qual for, tenha paz, harmonia e risos?

O que tento ver, quando me cumprimentam com saudações natalinas, são pessoas me desejando algo de bom em uma data separada no calendário cristão, para isso. Aceito, como o faço a qualquer dia do ano, se alguém declara me querer bem. O vá com Deus, Deus te abençoe ou guarde, recebo da mesma forma, se reconheço a sinceridade, a transparência de quem me cumprimenta, seja presencialmente ou por mensagem eletrônica pessoal; não os disparos maciços e apressados de quem quer "lacrar" com o alcance de milhões de pessoas. Quer ganhar ou manter seus seguidores.

Repito: não há como odiar Quem acho que não Existe. As iniciais maísculas mostram meu respeito a quem acredita. Realmente não posso me ofender com os cumprimentos de quem festeja o aniversário de um ser humano tão especial, que admiro tanto, e creio ter existido, embora não creia que seja o filho legítimo dAquele no Qual não acredito. A data não me representa, com sua aura de sobrenaturalidade misturada com fé mercantil e aumento brutal das desigualdades sociais. Mesmo assim, para todos que me desejam algo de bom, deixo meu bom e velho "pra vocês também".

... ... ...

Respeite autorias. É lei

domingo, 21 de dezembro de 2025

O poço do fanatismo

Demétrio Sena - Magé 


Pouco importa se o que você frequenta é uma célula, uma seita, religião, filosofia, grupo. Se não faz de você uma pessoa melhor, não vale nada. Se lhe faz afrontar o mundo e se julgar melhor do que o próximo, qualquer próximo, você perde o seu tempo. Se põe a sua auto estima no chão e se também a põe lá no alto, em um patamar ilusório, não passa de uma fraude. Fanatismo, extremismo, excesso litúrgico em qualquer fé professada levam para o fundo do poço. Se pela fé que professa, você percebe que já não é você, e sim, um fantoche que mãos habilidosas, hipócritas, interesseiras, maliciosas e mercadológicas manipulam, a sua fé não lhe merece. Muito menos os seus lideres merecem a sua fé. 

Mire-se no espelho de sua realidade atual. Compare essa realidade com os tempos de paz e lucidez que você já teve algum dia, sem precisar de guru, mestre, pastor, pai religioso, guia, padre, qualquer orientação pretensamente espiritual. Você vai perceber que o seu estado de espírito não vem do alto, do baixo nem das laterais. Vem do seu íntimo; da sua disposição para ser feliz. Do seu equilíbrio pessoal, perfeitamente possível; completamente capaz de conduzir os seus passos por caminhos seguros. Sua alma só será salva pelo caráter, seu amor ao próximo, a si mesmo(a) e sua observação de quem lhe rodeia e quer, na verdade, como aquela ovelha da qual sempre terá leite, lã e obediência. 

O medo do diabo, do Próprio Deus - Terrivel, como religiões fundamentalistas apresentam - e outros seres invisíveis que a psique manipulada manifesta, nada pode lhe oferecer além de momentos hipnóticos ou surtos neurológicos em ambientes escolhidos. Na realidade crua oramos, rezamos e ritualizamos cada vez mais, enquanto nos curamos ou morremos, na mesma proporção da fé ou não fé. Alcançamos ou não, as "graças" providenciadas por coincidência ou ação persistente bem sucedida (que sobrenaturalizamos quando e como convém). E a célula, seita, religião, filosofia ou grupo não ajuda ninguém a entender com alguma serenidade, os valores humanos que realmente nos salvam.
...   ...   ...

Respeite autorias. É lei