quarta-feira, 20 de maio de 2026

De Trabalho e Dignidade

Demétrio Sena - Magé 


Antes do meu ingresso no emprego público, perdi muitos empregos. E nunca foi fácil conseguir outro. Então eu trabalhava como ambulante, camelô, vendedor de livros e o que mais viesse à mente, até ingressar em um novo emprego formal que me parecesse digno.

Insatisfeito com patrões, por não ter direitos atendidos e por me sentir desrespeitado como trabalhador e ser humano, eu não pedia demissão; fazia os patrões ficarem insatisfeitos comigo e me demitirem. Se eu já era surrupiado por eles em tantos direitos, por que lhes daria esse prazer de me retirar sem receber todos os direitos de quem é dispensado sem justa causa? Jamais aceitei premiar uma empresa onde sofri injustiças, assédio moral, salário abaixo do piso, registro em carteira inferior ao meu ofício e jornadas análogas à escravidão. 

Nem precisava fazer "armações": era só começar a cobrar meus direitos, cuidar da minha saúde, não trabalhar passando mal, me negar a fazer o que não era minha obrigação e ainda excedia os meus horários. No mais, era só agir cuidadosamente para colher provas do assédio moral, das exigências descabidas acompanhadas de coações e ameaças (evidentes ou veladas) e da sonegação dos meus direitos, para ingressar na justiça trabalhista sem chance de ser desmentido, pois a justiça sempre reluta em fazer justiça pelo trabalhador.

Eu tinha medo de perder meus empregos, mas perder a dignidade sempre me apavorou muito mais. Recuso qualquer ideia de servidão, no trabalho e na vida secular em um todo. Sou capaz de suportar muita coisa, mas não consigo abrir mão de me sentir gente. 
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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Inteligência Natural

Demétrio Sena - Magé 

Aceito e uso, porque não seria possível não usar a caneta, o computador ou as teclas do celular, para o curso da minha escrita. Igualmente, usaria uma britadeira, se precisasse quebrar brita. Pintar demanda tinta, pincel, tela, cavalete... mas nada pinta por mim. Não sou eu ferramenta, insumo, suporte. A inteligência é minha. O dom é meu.

Usarei violão, ou piano, qualquer outro instrumento, para dar cifras ao poema que desejo transformar em canção. Mas quem há de  compor a canção sou eu. Do início ao fim. Para tudo que fizermos, usaremos matéria-prima, ferramenta e/ou insumo. Qualquer produção imaginável, de maior ou menor dimensão, exigirá com o que, do que e sobre o que se faça ou se realize.

A inteligência artificial é o produto mais controverso da humanidade. Acho inconcebível que o ser humano tenha feito algo para se tornar, ele mesmo, ferramenta desse algo, no campo da criatividade: as artes; a literatura; o lúdico. Admito e aceito a inteligência artificial, mas não aceito a sua batuta como substituição do meu dom, do meu toque pessoal, da minha personalidade criativa.

Não quero ser um plagiador, ainda que isso tenha se tornado criminosamente permitido, por esse truque de fragmentação cibernética. Pior ainda: não quero ser mais um desses plagiadores que nem plagiar sabem mais: tornaram-se criminosos on-line dependentes dos comandos que se sobrepõem aos comandos que eles fingem dar.

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segunda-feira, 11 de maio de 2026

O Coachar dos Coachs

Demétrio Sena - Magé 

Geralmente, os coachs não têm responsabilidade com o que dizem. Na maioria das vezes, dão conselhos desastrosos que promovem discriminação, racismo e soberba nos ambientes coletivos. Nas empresas, promovem auto estima elevada em alguns funcionários e baixa auto estima em outros, com avaliações baseadas muito mais em simpatias pessoais de chefes do que no profissionalismo e na competência dos agraciados ou não. Exclusão, separarismo e comparações coletivas adoecem emocionalmente uns, instigam o narcisismo de outros e fazem dos ambientes de trabalho verdadeiros ringues, onde os egos se digladiam em busca da mesma visibilidade.

Aconselhados por esses profissionais sem formação acadêmica em especialidade alguma, diretores empresariais contratam ou promovem chefes "brabos". Chefes que assediam moralmente, pressionam à exaustão e obrigam seus comandados a cargas horárias e volumes desumanos de trabalho. Uma competência questionável que deixa todos extenuados e, com o tempo, comprometem seriamente os resultados produtivos e econômicos, porque ninguém é "de ferro" o tempo todo, por mais que precise do seu emprego. É nesse ponto que os profissionais "destacados" com elogios em discursos e/ou impressos caem adoentados pelo mesmo cansaço que os constrangidos com a invisibilidade por seus patrões. 

Por motivos e objetivos diversos, é assim nas empresas, nas igrejas, em outros ambientes religiosos e corporativos. Onde existe a coletividade, lá estão as disputas, as fogueiras do narcisismo e da vaidade fomentadas pelos profissionais formados em porcaria nenhuma; os coachs. Também são eles os grandes fomentadores ou conselheiros dos truques baixos políticos; das fake news e da formação dos gabinetes do ódio e do vale tudo por prestígio e voto. A falsidade, a truculência e a raiva sob os discursos do patriotismo e do livre arbítrio arbitrário e brutal para praticar intimidações e crimes é a grande funcionalidade ou influência doentia desses pseudo profissionais. Os coachs.

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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Cocô Coletivo e Outras "Emes"

Demétrio Sena - Magé 

Duvido muito da capacidade cognitiva de quem acredita que: em um país democrático (e laico), um governo mandaria famílias dividirem suas casas com pessoas estranhas, determinaria o fechamento das igrejas, criaria cartilha para que as escolas públicas ensinassem a ser gay; trans... além de tudo, baixaria uma lei para criação de banheiros em ambientes públicos, nos quais pessoas de sexos e gêneros diferentes fariam... cocô coletivo. Todo mundo junto, no local das necessidades fisiológicas.

Falta de capacidade cognitiva, sim, de muita gente... mas na maioria dos casos, falta de caráter. Pessoas que sabem que tudo isso é impossível, notícia falsa, grosseira, mas fingem que acreditam, por conveniência político-partidária e religiosidade fanática; sonsa; conspiratória. Teorias da conspiração que tentam destruir qualquer governo competente, humano e trabalhador que governe para todas as camadas sociais (especialmente os mais pobres), classes e religiões. Pessoas e corporações que tentam desqualificar aqueles políticos que, mesmo em campanhas eleitorais, não chantageiam fiéis nem fazem da religiosidade uma bandeira partidária desonesta, hipócrita, golpista e desigual.

Quer falar de pecado? Não sou religioso, mas vamos lá: segundo a Bíblia na qual você diz que acredita, mentira é pecado. Logo, fingir que acredita na mentira (ou que está em dúvida, mas ao mesmo tempo ajudar na divulgação dessa mentira ou dúvida), também é. No fim das contas: de que adianta você não fazer o tal cocô coletivo, porém transformar a sua língua em intestino grosso desarranjado, que não escolhe hora nem lugar para fazer o seu cocô verbal? Precisamos muito pensar nisto.

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domingo, 3 de maio de 2026

Sobre Arte e Cidadania

Demétrio Sena - Magé 


Posso até não gostar das "pegadas" musicais, mas quando há esses shows pop em Copacabana, com públicos de milhões, e artistas que celebram a paz, a liberdade, os direitos humanos e a diversidade, algo me deixa feliz: saber quantas pessoas não estão socadas em igrejas, fazendo nem ouvindo pregações de ódio, de preconceito, misoginia, intolerância, supremacia religiosa nem mentiras convenientes, naquelas misturas de religião com política extremista, golpista e de bajulação das elites que massacram o povo trabalhador... inclusive, os membros mais simples e trabalhadores dessas igrejas, que pensam que vão pro céu por terem sido capachos na terra.

Tenho a mesma sensação de alegria e conforto, embora quase sempre não esteja lá, quando vejo as mesmas celebrações da paz, da liberdade, o sonho, democracia, o bem viver e a diversidade humana, religiosa, cultural, nos mega eventos folclóricos, musicais e outros, como o carnaval, Rock in Rio e Lollapalooza... só não incluo os eventos sertanejos e gospel, porque esses estão contaminados pelas políticas anti-povo e democracia. No mais, me alegro e conforto ao ver quanta gente não está socada em templos, movimentos golpistas e outros eventos que celebram o fascismo, o massacre dos menos favorecidos, o poder político anti-povo e as elites. 
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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Esquerda - Direita: Vamos ver Quem é Quem?

Demétrio Sena - Magé 

É perfeitamente compreensível o sucesso da extrema-direita, quando quer barrar os projetos do governo em prol da população, e ao mesmo tempo, implementar seus projetos em benefício próprio: a extrema direita é capaz de tudo. Esses deputados e senadores da extrema direita fazem qualquer arruaça ou truque sujo possível. Cometem qualquer atrocidade, as piores formas de traição e truculência em prol de seus objetivos, que são sempre pessoais. Fabricam todas as notícias falsas e as distorções das verdadeiras.

A esquerda não utiliza os mesmos expedientes. Não tem coragem de fabricar mentiras nem talento para jogar sujo; enfrentar truculência com truculência, sujeira com sujeira. Falta capacidade na esquerda, para enganar pessoas simples, comprar lideranças religiosas (principalmente as evangélicas) e usar os nomes Deus, Cristo, Espírito Santo, "aleluias", "glórias" e outras exaltações para comover os cristãos mais desinformados, que acreditam em tudo que venha da boca de quem joga com a espiritualidade.

O foco destas linhas são os políticos, empresários, grandes líderes religiosos e outras figuras públicas extremistas, capazes de fazer grandes estragos na sociedade. Estragos que alcançam pessoas simples e desinformadas, para elas reproduzirem esses efeitos em seus iguais. Pessoas como aquelas que são facilmente convencidas, por exemplo: de que um governo da esquerda determinará a criação de banheiros, em locais públicos, para pessoas de todos os sexos e gêneros fazerem cocô juntos, por força de lei. Ou de que o cidadão que tem casa terá que dividi-la com moradores de rua, entre outras fake news que voltam de quatro em quatro anos, com sucesso.

Ninguém exija da esquerda o que a extrema-direita faz. A lei está sempre atrás da bandidagem; não à frente. Afinal, quem age dentro da lei precisa ter cuidado com a sociedade; pensar no cidadão comum. Pense na esquerda como a polícia responsável, que combate o bandido. Polícia responsável não atira para qualquer lado, porque há inocentes em perigo. Não acerta o bandido pelas costas nem aperta o gatilho com ele já rendido. Corre o risco de não alcançá-lo e até de ser atingida por ele, para não atingir inocentes.

Por outro lado, pense na extrema-direita como o bandido que a polícia combate. O bandido atira para qualquer lado, invade qualquer casa, faz reféns, ameaça todo mundo... não mede os atos nem as consequências. Aqui não se trata de polícia, especificamente, nem do bandido comum que é perseguido nas comunidades, mas essa é a retórica perfeita para entender ambos os lados da política. Reservadas as exceções de um e de outro lado, a esquerda é o mocinho. A extrema-direita...

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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Heróis Humanos

Demétrio Sena - Magé 


A quem sempre admirei tanto, e por isso foi a quem sempre quis impressionar, seguirá como quem sempre admirei tanto. A pessoa que amei a vida inteira, insistindo em uma parceria e com medo de perder de vista, não deixará de ser a pessoa que sempre amei. De quem sempre fui fã e jamais poupei de aplausos e procuras, nunca deixará de ser meu ídolo. Continuarei o mesmo fã.
Quem há muitas décadas é minha referência de coragem, enfrentamento à vida, e por isso tentei homenagear de todas as formas, algumas equivocadas e até invasivas, não deixará de ser minha referência. Meus sentimentos e minhas impressões de uma vida inteira não se desfarão por um ato inesperado; por um susto interno; só meu; pela frustração de um momento. Minhas manifestações é que precisam dar sossego a quem sempre bombardeei do meu melhor, mas às vezes de formas desconcertantes, trapalhonas e até caricatas. Inconvenientes.
O que alguém é para nós por décadas não pode ser um equívoco obrigatório determinado num piscar de olhos. Nossa ideia de perfeição do outro esbarra no excesso; no preciosismo que faz da entrega uma cobrança. Somos injustos, quando abrimos mão do todo por um detalhe: uma desarmonia depois de longeva simbiose. Os heróis de nossa realidade são seres humanos.
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