quinta-feira, 5 de novembro de 2026

A ideologia do delírio e da estupidez

Demétrio Sena - Magé 

Posso assegurar que não existe nenhuma escola, neste país, onde os professores ensinem sobre "ideologia de gênero". A ideologia do delírio e da estupidez de muitos é que semeia essa informação mais falsa do que uma cédula de Três Reais. Procure um livro didático sobre o tema, em qualquer escola deste país, e você não achará.

O que as boas escolas fazem (as boas escolas) é informar os alunos/as alunas sobre o mundo e suas mudanças, a fantástica diversidade humana e as leis que acompanham o tempo. Trata-se de respeito e compromisso com a não alienação e contra a vida fechada em bolhas. É uma prática natural, não curricular, e saudável, porque a sociedade não pode negar a si mesma. Crianças e adolescentes de determinados grupos sociais não podem crescer sem ter ciência e consciência de que existem outros grupos. Muito menos achando que seus grupos estão acima dos outros.

Acreditar em escolas que dão aulas sobre ser gay, lésbica ou assexual, e protestar contra isso, é contraditório para quem deseja que as escolas ensinem meninos a ser machos alfas e meninas a ser fêmeas submissas. Isso é próprio de gente que reza pra pneu, pede socorro a extraterrestres e bebe detergente ou desinfetante.

Se você é pai ou mãe de filho ou filha em idade escolar, quero lhe fazer uma pergunta: Qual foi a última nota dele ou dela em ideologia de gênero? A depender do pai ou mãe que você é, posso apostar que não sabe nem sobre as disciplinas que de fato existem. Ainda mais sobre essa, que só existe mesmo na ideologia infame de sua cabeça que pensa que pensa.

Conversar com os alunos, tirar suas dúvidas e fazê-los entender que o outro existe e precisa ser incluído, acolhido e respeitado em suas diferenças, é um exercício de amor e humanidade. Você quer que seu filho/filha se forme como pessoa truculenta, ignorante, exclusivista, narcisista e preconceituosa? 

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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Políticos e cidadãos entre aspas

Demétrio Sena - Magé 

Para os eleitores da extrema-direita, seus ídolos políticos são sinceros porque têm "a coragem" de xingar publicamente uma mulher de vagabunda. Porque dizem, sem meias palavras, que o trabalhador quer se aposentar após décadas de trabalho e contribuições previdenciárias, porque é preguiçoso. Ou é preguiçoso, porque luta pelos direitos trabalhistas, inclusive a escala 5 por 2.

Eles acham sincero, um candidato a presidente referir-se ao outro candidato como nove dedos, em razão de sua deficiência física. Se um político da extrema-direita matar cidadãos em praças públicas, seus eleitores dirão que ele foi sincero; quis matar e o fez. E os próprios eleitores extremistas imitam seus políticos: são machistas, misóginos, racistas, homofóbicos, etaristas, truculentos e feminicidas, atribuindo a tudo isso, a sinceridade. O "eu sou quem sou".

Pois vou lhes dizer o que é uma sinceridade real, digna e de fato: é um presidente candidato à reeleição decidir, às vésperas das eleições, livrar as famílias da máfia da jogatina on-line, as bets, mesmo sabendo que os próprios viciados ficariam contra ele. Ciente de que mexeria com times de futebol, torcidas e empresários inescrupulosos; uma grande massa de eleitores. Mesmo sabedor de que seu ato beirava à burrice eleitoral; ao próprio suicídio político. 

Sinceridade é esse candidato lutar por um direito essencial ao trabalhador (um dia mais de repouso), embora soubesse que "arrumaria" briga com grandes empresários, fazendeiros, banqueiros, congresso, e até com os trabalhadores medrosos de perder emprego, manipulados por seus patrões. Sabendo, inclusive que nos primeiros meses do novo mandato enfrentará uma inflação proposital, corporativista e vingativa, com a planejada cara de "nós avisamos". 

Isto sim, é sinceridade. Correr esses e muitos outros riscos eleitorais, conscientemente, mas fazer o que acredita como providencial e necessário para as classes menos favorecidas. E até pras elites, relutantes em reconhecer que o que favorece as massas populacionais é revertido em benesses também para elas; afinal, um povo bem sucedido consome a contento o que as elites produzem; quando produzem. O problema é que elas não querem produzir para o país, e sim, só para si mesmas.

Sinceridade, mesmo, e coragem (sem aspas) é um político acreditar mais nos projetos para o país de todos do que nos resultados eleitorais desses projetos, cujos efeitos esperados costumam ser a longo prazo. A extrema-direita, quando apresenta projetos para o povo, são projetos imediatistas; fadados a ruir em pouco tempo ou nem serem iniciados.

Quero esta sinceridade, ou coragem, dos políticos em que acredito. Não a coragem de bater, xingar, argumentar com brutalidade, excluir, querer dominar pela religião, o racismo, todas as outras formas de preconceito e as negociatas. A extrema-direita precisa rever (e reverter) conceitos de sinceridade e coragem. Tirar as aspas.

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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Os olhos proféticos de Xandão

Demétrio Sena - Magé 

Muita gente criticou o Xandão por ele ter, supostamente, assustado "muito cedo", o derrotado fujão. Segundo os críticos, a exigência da entrega dos passaportes e a proibição de sair do Brasil foram as causas da fuga de Flávio e família para os Estados Unidos. Eles não "deixaram o Brasil", como noticiaram as grandes mídias, especialmente a Rede Globo. A palavra certa é fuga.

Na verdade, a fuga estava planejada em todos os detalhes. E com uma grande rede ou teia de apoio internacional. Se Flávio ganhasse, ficaria para governar. Para os seus, é claro, pois não governaria para o país. Se perdesse, poria o rabo entre as pernas, juntaria sua rataiada e todos partiriam, já com acolhimento oficial garantido no país do golpe, ou do Tio Trump; os Estados Unidos. Notadamente, prevaleceu o plano b. 

Xandão foi sábio; previu a trama e agiu com desenvoltura. Exigiu o passaporte, proibiu que Flávio saísse do país e, com isso, evitou que a saída fosse legal. O que em princípio seria uma viagem sem volta, passou a ser o que foi; fuga. Desobediência a uma ordem judicial. E o fujão, que seria inicialmente um cidadão em viagem com a família, tornou-se um fugitivo, como não estava em seus planos. 

Se não fosse a sabedoria do ministro, e Flávio tivesse viajado legalmente, as investigações no Brasil, que decorrem lentas, cautelosas, demorariam a declará-lo formalmente criminoso. Isso daria tempo de muitas articulações eficazes, como cidadão ainda não condenado. Xandão se adiantou e desmascarou em tempo real, a natureza covarde, golpista e fujona de mais um Bolsonaro.

Que venham outros. De quatro em quatro anos a família vai sendo desbaratada. Ou dedetizada.

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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Com honra e mérito

 

Com honra e mérito 
Demétrio Sena - Magé 
Coube mais uma vez ao admirável Nordeste brasileiro, ensinar a todo o país que a democracia é inegociável. Que o povo não é joguete ou fantoche de ninguém. Da mesma forma, coube mais uma vez (e continua cabendo) a nove dedos valentes, corajosos, ungidos pelo destino escrever os capítulos mais emocionantes e inspiradores de nossa história.

Mais uma vez, o Brasil que havia desaprendido brevemente, aprendeu de novo; com honra e mérito. E vencemos. O Brasil venceu. Os trabalhadores e trabalhadoras venceram. As classes menos favorecidas, em processo de crescimento social; as crianças, os idosos, a comunidade LGBT; as mulheres vítimas do machismo; todas as vítimas de qualquer preconceito. E a natureza... e a liberdade religiosa. Continuamos nos trilhos da paz, dos direitos e a democracia.

Nada será fácil, com um congresso cuja maioria é inimiga do povo. Mas nós temos como presidente, o maior estadista de todos os tempos. E com ele, os deputados e senadores que compõem a minoria do congresso, mas que são arrojados, valentes e profundos conhecedores dos problemas do país; das necessidades do povo brasileiro. Temos força. 

Vencemos mais uma vez! O Brasil continua nos trilhos da democracia! Somos um "povo herói, cobrado" constantemente pelos desafios de ser povo! De ser brasileiro! Porque ser brasileiro não é fácil, mas é um desafio que todos os dias aceitamos... com honra e mérito.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Quem sempre destruiu o Brasil?

Demétrio Sena - Magé 


Foram mais de trezentos anos de escravidão. Sessenta e sete anos de monarquia. Vinte e um anos de uma ditadura militar (extrema-direita). Em todo esse tempo, vinte e dois governos de direita e extrema-direita. Só sete de esquerda. Os governos de Lula e Dilma, tão cobrados pelos eleitores fora de órbita, somam apenas dezessete, nesses mais de quinhentos anos, com tantos desmandos do conservadorismo extremista e criminoso. 

Nesses únicos dezessete anos entre Lula e Dilma, foram criados: quase todos os programas sociais de combate à fome; quase todas as leis de benefício à educação pública. Todos os projetos efetivos e ações de proteção à mulher, ao idoso, à criança, e contra o racismo, todas as outras formas de preconceito e o feminicídio. Mais ainda: maioria das leis trabalhistas pós-Getúlio Vargas; leis que beneficiam os povos indígenas, e de proteção à natureza.

Agora responda para si mesmo: quem realmente corroeu o Brasil, e quem vem tentando reconstruir, contra todo o sistema, estando ele ou não, no governo? Lula tirou o Brasil do mapa da fome e nos pôs entre as maiores economias do mundo. Depois veio o governo capiroto e afundou de novo. Aí Lula retorna, o Brasil volta a sair do mapa vergonhoso, e hoje corremos o risco de o filho do capiroto se eleger, para reafundar tudo. 

Você, bolsonarista; consegue pensar em tudo isso? Consegue fazer essa conta simples? Não é a esquerda que sempre afunda o país. A esquerda recupera, mas não tem tempo de manter. Você pode não acreditar em mim, porém pesquise nos livros de História e nas páginas confiáveis da Internet. Aceite pensar por conta própria, sem o comando de seus ícones políticos e líderes religiosos que se vendem para o sistema, dando você como brinde. 
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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Lombo e chicote


Lombo e chicote

Demétrio Sena - Magé 

O que todos nós vimos em uma das manifestações pró-Flávio deste domingo, 18 de outubro, em fotografias publicadas por quase todas as mídias do país, foi apenas mais uma prova do que é o bolsonarismo. Apoiadores levaram um inflável gigante em forma de míssil, com uma mensagem em inglês, pedindo que o presidente dos Estados Unidos lance bombas nucleares contra o Brasil. 

Essa é a representação exata do bolsonarismo. De todo o bolsonarismo, desde os políticos de atuação e mandatos, os correligionários e apoiadores, ao eleitorado: a violência, o caos, o antipatriotismo e, sobretudo, a burrice. Não há mente saudável no bolsonarismo. As mentes que pensam estão nas altas cúpulas, porém são perversas e gananciosas. Essas mentes dominam os não pensantes, que são a massa bolsonarista, sempre disposta a tudo por seus líderes e sub-líderes (estes, políticos de púlpitos religiosos).

Eleger a extrema-direita, trincheira do bolsonarismo, é optar pelo retorno da pior ditadura que pode haver: a ditadura escolhida pelo direito democrático ao voto. Não faz tanto tempo que o brasileiro conquistou com luta, um país democrático, para hoje correr o risco de voltar aos anos de chumbo. Graças (ou desgraças) a uma multidão que representa o lombo que vota no chicote. 
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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Poesia para enfrentar o caos

Demétrio Sena - Magé 

Continuarei a cultivar poesia. Poesia para calar a alma, pasma de susto. Para conter uma indignação profunda; um nojo intenso. Para enfrentar o medo inevitável do futuro sombrio que as elites preparam justamente para o povo que a endeusa e aclama. Um povo bisonho, sem brio, sem talento pensante. Um povo lenha que vota no machado; povo galinha que vota na raposa; um povo barata que vota no "baigon", no chinelo e na isca.

Se ainda tenho esperanças na eleição de Lula? Tenho. Mas com temor de um congresso ainda mais inimigo do povo: os trabalhadores, as classes menos assistidas. Esse congresso montado para continuar fazendo leis em benefício próprio e dos grandes banqueiros, empresários e sugadores da mão-de-obra de quem já se acostumou a ser escravo e dizer "sim, senhor" a quem o escraviza. Tenho esperanças no talento sobrenatural de um presidente que inicia um projeto de país melhor para todos, dá andamento, mas as classes mais beneficiadas por ele sempre o traem, devolvendo direta ou indiretamente o país aos destruidores de cidadania.

Seguirei com poesia para enfrentar o caos, a distopia, o submundo da fé de má fé, do fanatismo e do amor pelo ódio às diferenças. Poesia que doravante poderá me custar o pau-de-arara, a inquisição e as proibições mais bizarras, como de pensar por conta própria, cultivar as artes e a literatura reflexivas... o senso crítico e a manifestação social. Não tenho como abrir mão da poesia. Ela me salva desde que me vi como gente.
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Frutos possíveis