Demétrio Sena - Magé
Confiar, no contexto insano do inusitado; respeitar, no sentido pleno do improvável; ter segurança, nos desvãos do escuro e da insegurança que aprendemos a ter por ter. Ou pela criação (compreensível) para termos medo do mundo. Ver no ser humano atípico (não me refiro a laudo), a possibilidade ampla de uma relação harmoniosa e sem "pé atrás"... onde normalmente não é "possível".
Pontualmente consigo idealizar essa possibilidade, ao perceber que alguém mora, dentro de si mesmo, em um mundo parecido com o meu. Alguém atípico, ou quase, como eu, na forma de olhar o mundo externo. De avaliar as pessoas muito além dos comportamentos formais e obrigatórios e das crenças, dos conceitos e hábitos alinhados por ensinamentos que se repetem "desde a fundação do mundo", como os únicos; porque são coletivos.
Já garimpei algumas pessoas atípicas como eu e tive laços dissociados do secular: inusitados, improváveis, incompreensíveis... inaceitáveis para os formatos estabelecidos ao redor. E muita gente "típica" me garimpou, entendeu e sentiu comigo a leveza do que sempre pesou nos conceitos estabelecidos por correntes; tradições; crenças; leis coletivas; hábitos esculpidos.
O mundo não tem que ser sempre o mesmo, para quem é capaz de manter o próprio mundo e dividi-lo com alguém. Ou até para quem não tenha esse mundo próprio, porém seja capaz de identificar e se inserir no mundo próprio de alguém. Há momentos que valem por todo o tempo restante, até que voltem a ser possíveis. Esses momentos nos ajudam mais do que terapias comuns.
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Respeite autorias. É lei






