sábado, 31 de janeiro de 2026

Dois Mundos

Demétrio Sena - Magé 

Em qualquer circunstância ou contexto ficaremos bem, se não dependermos de fatores externos para isto. Ou quando formos livres o suficiente para separarmos o que acontece ao nosso redor, inclusive conosco, da nossa estrutura psíquica; emocional. Há dois mundos distintos, para vivermos. Vejo como perfeitamente justo e necessário que o mundo interno seja o nosso refúgio, sem resquícios do externo, quando a "barra" está pesada. Quem sabe fazer isso vive melhor, porque tem onde se refazer; se remontar e redefinir para mais um dia inevitável. Pelo menos enquanto for inevitável mais um dia.

E, surpreendentemente, se soubermos manter a contento esse refúgio dentro de nós, e usá-lo com a sabedoria necessária, como já exposto, a superfície (o mundo externo) será beneficamente atingida. Ficaremos melhores, mais equilibrados, organizados, fortes e otimistas, no cotidiano. Para tanto, será sempre fundamental não dependermos de que ou quem nos rodeia, para nossa plena manutenção. Se não delegarmos a ninguém, o peso de ser nosso arrimo afetivo nem mental. Precisamos conviver com pessoas; interagir, aprender, ensinar e confidenciar. Mas não podemos viver das energias delas.

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Infelizmente, só pode ser...

Demétrio Sena - Magé 


Se a pessoa maltrata - e mata - animais. Se espanca os filhos ou põe panos quentes em suas atrocidades. Quando a pessoa é capaz de um feminicídio, ainda por cima na presença de uma criança, geralmente filha ou filho... é capaz de um homicídio por motivo fútil; de uma bravata violenta em lugar público, e de um ataque maciço, com expressão de completa normalidade. 
E se esse indivíduo truculento, machista, racista, homofóbico, sanguinário e fanfarrão se esconde numa igreja... no porte ostensivo de uma Bíblia... em trajes típicos de "cidadão/cidadã de bem" - olhe bem as aspas - ... se não sabe conversar, só impor no grito; se não suporta ideias opostas nem modos diferentes de pensar e ser... ataca os fiéis de outras crenças, procura incansavelmente na web notícias falsas sobre sociedade, política, pessoas públicas, cultura, literatura e seus fazedores, para republicar como reais... e detesta universidades, professores em geral, cabeças pensantes, personalidades próprias e livres...
Por fim, se a pessoa se põe acima do bem e do mal; tem O Possível Deus como seu Capanga; torce contra o próprio país, chegando a desejar - e pedir - que outro país lhe atire bombas... se acredita em um político moleque e vagabundo (que vaga, enquanto sua vaga ou cargo fica sem utilidade) ... e vê como benção, ser atingida por um raio, no meio de uma manifestação ensandecida e sem sentido... acha lindo cair no ridículo, quebrar patrimônio público, fazer cocô em cadeia nacional, pedir o retorno da ditadura, sem ter ideia do que isso representa.
Salvaguardadas as exceções, a criatura que é assim... que admira e apoia quem é assim... ou explora quem é, sendo mais esperta, porém maquiavélica, só pode ser bolsonarista. E se você disser que é bolsonarista, mas não tem nem uma dessas características, o que me resta é crer na sua palavra e dizer o que penso a seu respeito: você só não está do lado certo.
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domingo, 25 de janeiro de 2026

Das Procuras Perdidas

Demétrio Sena - Magé 

A confiança irrestrita e recíproca, em situações absolutamente impensáveis, de tão inusitadas, é algo extremamente compensador. Não tem preço. É quando a forma de respeitar e se sentir respeitado quebra todos os protocolos sociais de respeito... o contexto de se sentir seguro com alguém surpreende a todas as sensações interpessoais de segurança. Em especial, pela existência de um justificado "pé atrás" com o próximo, cada dia mais distante nas nossas expectativas.

O ser humano é incompleto porque, reservados os fenômenos, não confia nem desfruta dessa confiança. Não respeita nem é respeitado dessa forma solta e desastrelada dos critérios estabelecidos. Não sente nem passa uma segurança dentro desse contexto desarmado, entregue feito salto no abismo. Tudo é muito específico, pontual, pessoal, e demanda observações muito íntimas, unilaterais, com vista para grandes equívocos. O pior em tudo, é que de fato existem muitas e multiplicadas razões para tanta casca, tanto escudo e reserva, porque a regra da maldade humana comum transformou a confiança e a entrega desarmadas em exceção absoluta.

Qualquer "destransformação" pontual dessa realidade configura uma evolução revolucionária. Quem sabe, uma revolução evolucionária. Ou simplesmente uma reevolução... se é que algum dia fomos, de fato, evoluídos a tal ponto. Algumas procuras (como desse contexto de relação interpessoal) costumam ser para sempre. A procura, por si só, é uma tábua de salvação contínua e imperceptível. O problema não está em achar ou não. Está na desistência total da procura. 
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Umbanda: Religião e Brasilidade

Demétrio Sena - Magé 

A Umbanda é a única religião brasileira. Ela foi fundada no início do século XX, por Zélio Fernandino de Moraes. É uma religião que sincretiza principalmente os elementos das religiões africanas, mas também das crenças indígenas, do catolicismo e do espiritismo. Ao contrário dos que demonizam, e daqueles que acreditam nessa demonização infundada, a Umbanda se pauta pela caridade, pelos ritos mediúnicos, e tem uma forte ligação com a cultura brasileira. Sendo assim, os seus seguidores são os únicos religiosos da genuína brasilidade.
Minha mãe, que era evangélica, sempre foi muito próxima de umbandistas, e nos ensinou (aos meus irmãos e a mim) a respeitá-los e admirá-los. Quando crianças, vivíamos em situação de extrema vulnerabilidade. Os não familiares que mais nos ampararam com carinho, orientações, paliativos naturais e amizade, sem nunca tentarem nos converter, eram umbandistas. Lembro-me bem de alguns, mas não há como revê-los e agradecer.
Em todas as religiões, como em outros meios, há enganadores, exploradores, os que se aproveitam da ingenuidade, a bondade, até do fanatismo de alguns fiéis, para obterem vantagens e usurparem valores e bens. Mas quem menos age assim são os umbandistas. Geralmente, os pontos de umbanda são modestos, e os líderes sabem lidar com isso. Não exigem sacrifícios materiais dos fiéis. Cada um ajuda como pode, o terreiro que frequenta.
É também a Umbanda, a religião de menos líderes abusadores; menos envolvimento amoroso ou sexual antiético. Menos denúncias dessa natureza. Eles se ajudam, ajudam ao próximo, não perturbam a ordem, não perseguem outras fés, não obrigam nem tentam obrigar fiéis a permanecerem, contra a vontade. Mas é uma religião perseguida. Acusada de práticas sombrias.
Sou ateu; não acredito em divindades. Porém acredito nas pessoas e suas crenças, quando não são usadas de má fé. Pela Umbanda, tenho carinho, boas lembranças, gratidão, além de haver um contexto de cultura e brasilidade, para mim. Não sei como e quando são as reuniões ou liturgias da Umbanda; quem pode visitar ou colaborar. Mas gostaria de conhecer um pouco mais da religião; ser próximo de um grupo e contribuir para o seu crescimento.
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domingo, 18 de janeiro de 2026

Considerações amadoras sobre confidência profissional

Demétrio Sena - Magé 

Meio mundo, em algum momento, precisa de um psicólogo/psicóloga. Psicologia é um ramo da medicina que se pode chamar de oficina do ser humano. Já precisei, embora tenha explorado "extraoficialmente" uma grande amiga psicóloga. Há casos em que algumas sessões nos ajudam por toda a vida, e casos em que, por toda a vida, precisamos de revisões pontuais, para não voltarmos ao ponto de partida. Ou de fuga. E antes de prosseguir nestas impressões pessoais, é preciso dizer que são impressões pessoais; isto não é uma analogia técnica ou de natureza profissional.

Mas quero falar de uma terapia muito eficaz, que sempre me ajudou em minhas angústias, dúvidas e manias.... em meus temores e segredos em ebulição: a confidência. Confidenciar é um ato libertador, quando acertamos na escolha de com quem fazê-lo. Ter confidentes é algo cada vez mais raro nesta fase de mundo e sociedade, onde a correria rouba todo o nosso tempo de falar e ouvir... especialmente o nosso tempo de identificar criteriosamente em quem poderíamos acreditar para fazer confidências; abrir nosso coração, nossa alma, sem temer julgamentos e censuras do que é justamente a nossa razão de procurarmos um colo.

A confidência é curativo; profilaxia paralela; nebulização... às vezes uma injeção de Voltarém na alma, nas emoções e na psique, pois há momentos em que um bom confidente precisa ser mais incisivo, para depois passar um algodão, aliviar a picada com o carinho que "o depois" requer. E como confidentes estão escassos, aí é que entra a psicanálise, tão popularizada nos últimos anos. A psicanálise à moda Freud, pai da psicanálise. Não a psicanálise/pregação religiosa; nem a psicanálise/aconselhamento pastoral; muito menos a psicanálise/vamos orar, entregar nas mãos de Deus.

Em suma, relembrando a natureza do texto, explicada no primeiro parágrafo, a psicanálise é a confidência profissional. Importantíssima nestes tempos, desde que não tenha a venda casada da proposta religiosa e qualquer dissociação dos princípios freudianos. Ou seria a psicanálise despsicanalizada. Neste contexto, a psicanálise é (com pleno reconhecimento de sua importância) a enfermagem da psicologia. Eu diria que um quarto de mundo precisa de confidente; mesmo em forma de psicanalista.

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Oportunismo gospel de massa

Demétrio Sena - Magé 


Faz tempo que a música gospel brasileira deixou de ser sagrada; um ato litúrgico. Tornou-se modão e, diga-se de passagem, modão de mau gosto. Atua lado a lado com a música pop-sertaneja, que de sertão não tem nada; pois, reservadas as exceções, é feita de gritos que exaltam machismo, traição e valentia. 

Multidões de cristãos e não cristãos são arrastadas aos grandes shows de artistas que não fariam, não fizeram ou deixaram de fazer sucesso na música secular. Hoje o gospel faz sucesso, não como forma de adoração religiosa, e sim, de culto aos próprios cantores e cantoras. Esses artistas pulam, gritam e/ou fazem caretas como qualquer ídolo pop ou sertanejo, ao som de supostos hinos que imitam ritmos seculares da moda e acrescentam lamúrias e desespero, para temperar os shows de uma emoção cavada, exigida e de efeitos neurológicos. Não há imitações gospéis da MPB, pois o bom gosto musical pode significar o fracasso sumário desses cantores, em razão das preferências do seu público.

A esperança está na certeza de que os modões passam. A boa música, secular ou religiosa, permanece. Com o tempo, as músicas de natureza duradoura se sobressaem à futilidade das que chegam para saturar, faturar ao máximo e sugar os artistas meteóricos, que logo serão esquecidos. Da mesma forma, esse cristianismo bufão, cabo eleitoral de políticos extremistas, negociador de rebarbas do poder público passará. Não sei quando, mas passará. Ficarão os cristãos e outros religiosos cujos objetivos são os assuntos relacionados à fé sincera e genuína e à espiritualidade serena, humilde, centrada na busca do aperfeiçoamento das virtudes reais e plenas. 

O caminho do cristianismo se tornou muito largo. A religião virou força terrena e já não cultua o sagrado, mas a si mesma e aos poderes terrenos que lhe dão vantagem e força intimidatória contra as minorias. Em suma, esse cristianismo tem o sinal da besta, que facilita seus caminhos e dá poder de "carteirada".

E a música gospel, ao melhor estilo "poltergeist adaptado" é a grande parceira nessa hipnose, abdução ou convulsão coletiva.
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Ciclos

Demétrio Sena - Magé 


É difícil fecharmos os nossos ciclos... eles nos envolvem; são senhorios; não inquilinos de nossos caprichos. Ciclos são como círculos que delimitam as nossas fases. Não podemos despejar com facilidade o que nos abriga, e não o contrário. São necessárias algumas resistências e viradas, e há ciclos imensos, que nós passamos muito tempo tentando superar.

A questão é vencermos a nós mesmos, antes de partirmos para o enfrentamento contra o que nos rodeia, cerca, enclausura, "embarrica". E tudo fica mais difícil, se algum de nossos ciclos está confortável para nós... queremos mantê-lo, mas precisamos fechá-lo por pessoas muito queridas, que a nossa visão de comum, despojado e natural enreda ou elege, unilateralmente. Precisamos renunciar ao porto seguro, para que essas pessoas possam fluir pela bolha rompida e se livrar do que jamais pediram para viver a reboque dos nossos eus.

Em suma, fechar ciclos não é uma decisão caprichosa que resolvemos tomar como um truque de mágica. Decidirmos as nossas questões, não raramente envolve desatar os nós que tais questões ataram em outras vidas. Precisamos fazê-lo com muito critério e respeito por quem, de alguma forma, está em nossos ciclos... e não temos ideia de como será impactado.
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Ainda Estamos Aqui com O Agente Secreto

Demétrio Sena - Magé 


Quem torce por esportistas, por seleções e atletas em mundiais, Pan-americanos e olimpíadas, deveria entender quem torce por artistas em disputas internacionais. Os esportes, as ciências e as artes de nosso país nos representam no mundo; logo, é justo nos orgulharmos de seus desempenhos bem sucedidos e suas vitórias. Está no sangue, no cerne, na composição da alma e das emoções humanas. Quem diz que "não ganha nada com isso", e que os agraciados diretamente é que estão "cheios de grana", só o faz por questões partidárias ou despeito. É amargo/amarga por natureza e só fica feliz com o que lhe favorece ou dá alguma vantagem.

Fiquei feliz há pouco tempo, pelas vitórias internacionais do filme Ainda Estou Aqui, as vitórias de Fernanda Torres e o Walter Salles, e agora estou feliz pelas vitórias do filme também brasileiro O Agente Secreto e do Wagner Moura. Por que não ficaria? Por acaso torço contra o sucesso da cultura brasileira? Torço pelo meu país em todos os campos positivos e honestos de suas atuações no mundo. "Ah; mas é dinheiro da Lei Rouanet!". Não, seu bisonho; a Lei Rouanet não contempla longas-metragens; mas contempla, sim, curtas e médias-metragens e outras forrmas de cultura; sabe como? O artista ou a produção faz o projeto, apresenta ao governo via canais oficiais da cultura e, se o projeto for aprovado, o artista ou a produção sai com ele embaixo do braço batendo de porta em porta, para que empresários banquem a produçõe e tenham pequenos incentivos fiscais. Pequenos, mesmo. Em resumo, a Lei Rouanet não mete a mão nos cofres públicos.

Agora; como você, que baba e espuma contra a legítima cultura brasileira é bolsonarista e na maioria das vezes membro de igreja evangélica, vou lhe dar uma aulinha: Sabe de onde saem as grandes fortunas pagas individualmente aos pseudo sertanejos e gospéis (plural de gospel) que berram nos palcos das pequenas e grandes cidades país afora? Diretamente dos cofres públicos. Fortunas que chegam aos municípios onde a Saúde, o Saneamento, a Educação e outros serviços essenciais são precários (moro em uma dessas cidades), e a cultura poderia ser bem mais relevante, legítima e justa economicamente. Sabe como? Com maior contemplação dos artistas locais e de alguns famosos com os quais não haja esquema de rachadinha ou nota superfaturada.

Mas você não pensa nisso; estou certo? Sua "onda", mesmo, é xingar quem não gosta de seus entes queridos Bolsonaro e filhos, que pedem bombas contra o Brasil. É mostrar que é macho, enfrenta até um chinelo de dedos... ao mesmo tempo, como patriota meia-boca, derrete-se de amores pelo bufão norte-americano, que só quer usurpar o seu, o nosso país; mais meu do que seu, porque você não o merece. Parabéns, Wagner Moura! Parabéns, autor, direção, produção e toda a equipe, desde os trabalhadores mais simples, pelo sucesso de O Agente Secreto! Parabéns à cultura brasileira! Os que torcem contra estão de luto... e nós, continuamos na luta!
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