Demétrio Sena, Magé - RJ.
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sábado, 6 de junho de 2026
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Individualismos Coletivos
Demétrio Sena - Magé
Em um evento coletivo que reúne fazedores de cultura, não deveria existir qualquer disputa ou guerra de egos. Ninguém deveria estar ali só por si mesmo, mas por todos os participantes e, principalmente, o público. Dessa forma todos prestigiariam, seriam prestigiados por todos, e teriam seu espaço respeitado.
Aplaudir o outro, depois de assistir atentamente ao que ele preparou para propor ou apresentar, é uma demonstração de grandeza, ética e respeito, que deveria fluir de cada poeta, artista e qualquer outra pessoa que tenha o que oferecer, junto com outros participantes. Quem fica sempre ansioso pela própria participação e acaba não assistindo a nada... quem extrapola o seu espaço ou sua vez, quando participa, e quem se apresenta e sai sem oferecer atenção a quem vem depois, têm traços ou o pacote inteiro de narcisismo e mania de grandeza.
O coletivo não pode ser prejudicado ou interrompido pela crise de ansiedade, a pressa nem o estrelismo de quem pensa que o momento é só seu ou quase. Quem acha que foi ali para "vender seu peixe" e fazer o do outro encalhar ou apodrecer na fila rompida, na sua demora não combinada ou no esvaziamento da assistência depois do seu tempo estabelecido, não sabe viver nem agir em sociedade. Muito menos em um evento cultural coletivo.
Precisamos (também me refiro a mim) rever o nosso individualismo em encontros, eventos e "perfis" com a proposta de compartilhar. Geralmente não sabemos trocar, e quando trocamos, queremos levar vantagem; sobressair ao outro. É um "venha a mim" que torna tudo robótico e tenso, ainda que as aparências neguem.
Para ser verdadeiro, nada disso é pra você. É pra mim. Muitas vezes me flagro com esse comportamento, e preciso me convencer a não repeti-lo.
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quarta-feira, 3 de junho de 2026
quinta-feira, 28 de maio de 2026
De Chorar
segunda-feira, 25 de maio de 2026
Carta Aberta a um Coração Fechado
Prezado (?) Luciano Huck:
Minha mãe criou sozinha nove filhos. Nove. Ela trabalhava como diarista e os filhos mais velhos - eu sou um deles - vendiam picolé, bala, salgadinhos e ferro velho. Mesmo assim, sentimos muita fome; passamos muito frio; ficamos doentes sem socorro médico; fomos expulsos de muitos quartinhos de vilas, e moramos em granja abandonada, porque nossa mãe não tinha como continuar pagando os aluguéis, mesmo sendo baratos.
Se nos longos anos de nossa criação existissem os programas sociais que existem hoje, não teríamos passado por tanta fome; tanta penúria, em um todo. Se os governos da ditadura, dos quais você parece ter saudades, tivessem criado o Bolsa-família, o Pé-de-meia, o Minha Casa Minha Vida, o Loas (para minha "esquisitice" que ainda não tinha laudo) e tantos outros programas, todos criados por governos da esquerda e "similares", teríamos até estudado no tempo certo. Nossa mãe teria continuado a trabalhar, porém menos, e teríamos tido mais a sua companhia, o seu colo e mais abraços. Nós, os filhos, teríamos trabalhado em meio período, como Jovens Aprendizes, e não teríamos feito parte das estatísticas de evasão escolar. Tendo estudado sem fome nem medo dela, teríamos começado a trabalhar formalmente bem mais cedo, e com isso, contribuído mais cedo com a previdência, os impostos e as taxas que ajudam a possibilitar governabilidade. Mais um dado para você: os deficientes físicos, visuais, mentais e neurológicos que hoje também consomem e geram economia, geralmente pediam esmolas, antes da criação dos benefícios sociais.
Você sabe que o dinheiro dos programas sociais também movimenta a economia; não deixa o país estagnar e ajuda você a enriquecer ainda mais. Quer saber como? É evidente que você sabe, mas tem lapsos de memória e por isso diz besteira. Então eu vou dizer: graças aos programas sociais que você critica, esses milhões de brasileiros e brasileiras assistidos pelo governo podem comprar um televisorzinho. Graças a isso, assistem (inadvertidamente) ao seu programa dominical. E por essa audiência, os mega empresários investem, patrocinam, parceirizam. Isso mantém o seu programa, seu salário milionário, seus super cachês por anúncios publicitários e aparições. Viu só? Não é o seu dinheiro que alimenta os pobres; são os pobres que geram seu dinheiro e dão cada vez mais audiência à sua ingratidão.
E antes que você diga, mais uma vez em rede nacional: "mas também, para quê tantos filhos?", respondo, e não é opinião; é fato: Patriarcado, Luciano. Alimentado pelos políticos da ditadura crua e os da ditadura em banho-maria, que deixaram herdeiros. Patriarcado em parceria com religiões que reduzem as mulheres a procriadoras e servas do lar. Se hoje isso é mais disfarçado, mas existe ainda, imagine como já foi? As religiões que orientam as mulheres a serem "coelhas" dos homens são as mesmas que representam e negociam os votos de milhões de homens e mulheres pobres, desinformados e simples, como toda a elite gosta, para se manter dominante. Gosta, mas critica os programas que mantém as pessoas (bem) menos favorecidas respirando.
"Ah, e tem muita gente que não precisa e recebe os benefícios!". Pode ser. Muita gente mais perto da sua classe social do que da classe pobre e trabalhadora. O problema não é a existência dos programas sociais; é a existência dessas pessoas de má fé que ajudam a acentuar a má fé dos que desqualificam ajudas. Acho realmente uma pena que você, após tantas convivências relâmpago com pessoas pobres, para entregar os prêmios filtrados de seus bingos televisivos, não tenha se tornado mais empático, solidário e sensível. Também é muito espetáculo, muita ribalta, muito choro ensaiado e discurso que plagia discursos anteriores. Isso pode realmente ser desgastante. Ainda assim é uma pena que você nunca tenha saído da bolha, mesmo saindo às ruas e se misturando, algumas ou muitas vezes.
Seja como for, tenho algo a lhe agradecer. Agradeço, de todo o coração, por você não ter levado à frente aquela pré-ideia de se tornar presidente do Brasil. E também por não ter tentado uma vaga no congresso. Você é muito persuasivo; com o tempo, conseguiria muito apoio para devolver o país às piores fases da fome popular. Já chega de bolsonaristas! Dos declarados e dos bolsonaristas "nem Lula nem Bolsonaro".
Atenciosamente,
Demétrio Sena - Magé, 26 de maio de 2026
domingo, 24 de maio de 2026
Horizonte
Demétrio Sena - Magé
É um desperdício de vida, quando alguém realiza sonhos, obtém conquistas, forma uma linda família e depois vive amago, porque os admiradores esperados não "curtem". Não enaltecem. Não "seguem" na web. Aí a pessoa acusa meio mundo de inveja, "olho gordo" e "torcida contra", como se ela fosse uma estrela "flopada"; um deus (ou deusa) cancelado por "internautas" que ela também não curte, não enaltece, não segue nem diz "que lindo!", "você é demais!". Será que o que buscamos é justamente a inveja coletiva, o "olho gordo" corporativo, e tudo só faz sentido se for assim? Será que um dia filmaremos até os nossos momentos mais íntimos, para mostrarmos no "Insta" ou no "Feice", como somos bem resolvidos, não sendo?
Cuidado: podemos desenvolver uma inveja real e irresistível de quem consegue nos olhar de forma horizontal; com igualdade... a tal ponto que "torce" e fica feliz por nós em silêncio, acreditando que somos realmente felizes pelo que somos, e por nossas conquistas, independente de aplausos. Quando queremos a todo custo, que a nossa vida seja um reality show de sucesso absoluto e ininterrupto, estamos bem próximos de uma camisa-de-força, para contenção da nossa inveja de quem consegue não ter inveja, principalmente de nós. É algo primordial, conseguirmos conceber uma sociedade na qual ninguém olhe de baixo nem de cima para ninguém. A horizontalidade na forma de nos olharmos é o que pode salvar o mundo.
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sexta-feira, 22 de maio de 2026
Pequenino eu
Demétrio Sena - Magé
Ninguém nem tente me comover com clichês. Nem com as grandes produções direcionadas à comoção específica ou coletiva. Chantagens emocionais não me compram. As comoções produzidas não me arrebatam. A minha concepção de milagre opera silenciosamente; à meia luz. Minha cura pode ser a força de quando serei desenganado. Meu prodígio não grita; sussurra. Prefiro me pautar pela humildade passiva da esperança, a ser arrastado pela arrogância saltitante da fé que a teologia da grandeza e do sucesso tornou pop. Levou pros palcos... pros estádios.
Ainda que Deus Exista, e pode até ser, não é a Ele que pretendo chegar, e sim, ao mais profundo, inusitado e pequenino eu que mora dentro de quem eu julgo ser. Compreender o significado da própria insignificância seria o ato mais grandioso e sublime da minha baldeação nesta vida... na viagem para não sei qual plano do universo, em suas naturezas física e gasosa. Não me ofereça uma religião... não tente vender para minha carência um suposto plano pós-morte cujas letras miúdas perderam a vergonha e se tornaram garrafais na exposição da fraude.
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quarta-feira, 20 de maio de 2026
De Trabalho e Dignidade
Demétrio Sena - Magé




