sábado, 25 de julho de 2026

Inquisição Mata

Demétrio Sena - Magé 

Muita gente mal intencionada continua gritando a favor do ensino religioso nas escolas. Isso é má intenção, porque essas pessoas querem o domínio de sua religião no país, para comandarem ainda mais a sociedade. Começam pela religião (evangélica), depois dominam pela política de direita (que é a metástase desse tumor social) e logo sequestram toda a sociedade.

Já vivemos "estagiariamente" neste sistema. Sem obrigação legal de seguir a mesma cartilha religiosa. Porém existem as coações paralelas e um sistema análogo a milícia religiosa: que fecha portas de oportunidades para quem não é evangélico, liga uma suposta salvação da alma ao voto em políticos de direita e faz das casas comerciais onde compramos, verdadeiros infernos de músicas góspeis nas alturas. Não importa de que religiões somos, ou se nem temos religião, somos obrigados a suportar. A lei e a justiça também estão dominadas pela religião que se tornou maioria e decide as eleições daqueles que distribuem cargos políticos e privilégios sociais.

Obrigar o ensino religioso (na prática, evangélico) nas escolas, é dar andamento ao projeto de uma nova inquisição. Ou o ensino religioso poderá ser diverso e atender a todas as práticas, linguagens e orientações religiosas, inclusive respeitando a recusa dos que não professam nenhuma fé? Não; não poderá. Então seremos como aqueles países dominados por terroristas que lideram a única religião permitida, com severos castigos a quem não a segue ou não adere às suas práticas. Aí teremos, inclusive, a polícia dos costumes, repressora de quem se veste fora dos padrões exigidos pela lei, que será regida pela religião. Repressora de quem fala, gesticula, respira e tem gostos diferentes.

O ensino religioso, específico e obrigatório (em essência, ensino evangélico) nas escolas seria uma prática ditatorial. Em total conflito com um país laico, de ampla diversidade religiosa (embora uma religião se ponha como a dona de tudo, e queira tornar isso legal). Quem quiser aprender sobre religião, procure um templo, terreiro, mesquita ou salão mais próximo de sua casa.

Democracia, mesmo, inclui cada coisa no seu lugar. Ninguém dever ter a obrigação da adotar, cultuar, nem de participar do sagrado que não escolheu como o seu sagrado. A ditadura religiosa é o início de todas as outras ditaduras que geram desgraças em todo o mundo.

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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Vocês Querem Ditadura?

Demétrio Sena - Magé 

Em uma possível nova ditadura, como sonham muitos brasileiros iludidos, não adiantará para o indivíduo pobre, viver ajoelhado em via pública e gritando: "Eu te amo, Jair!", "Te amo, Flávio (ou Dudu, Carlos, Michelle, qualquer outro Bolsonaro)!". Todo pobre sofre nas ditaduras... não importa o que digam, preguem, neguem, gritem ou louvem, mesmo em línguas angelicais.

Ditaduras não contemplam povo. Só parceiros e correligionários ricos contam, para governos ditatoriais. Pobre da direita é mula, nesse regime. As diferenças entre ele e o pobre da esquerda estão nas formas de lidar com isso. O da direita sofre sorrindo como um pateta. Não tem voz nem faz questão. É um prisioneiro em si mesmo, que aceita ser assim para não ser preso em cadeia. Já o pobre da esquerda, sofre lutando por dignidade; correndo riscos, porque não aceita ser passivo em situações de injustiça extrema e crueldade contra os invisíveis e desamparados. 

Esses patetas que vivem pedindo ditadura, babando pelos Bolsonaro de qualquer contexto familiar não enxergam o óbvio: Xingam o governo, fazem protestos, acusam de tudo, abertamente, e não sofrem nada. Quem está preso, hoje, cometeu crimes previstos na própria democracia... tirando isso, o cidadão é livre, mas os patetas pedem para ser oprimidos, calados, vigiados e sem direito a nada. Tudo por uma pirraça sem ideologia séria; racional. 

Se todos esses milici@nos que aí estão: invocando falsa fé, santidade, conservadorismo e moral de ferro forem eleitos, reeleitos, e ainda conseguirem fazer presidente o Bolsonaro filho, que trama contra o Brasil, os pobres que pedem a ditadura terão. E aí verão "o que é bom pra tosse", quando já nem puderem tossir, sem a inquestionável permissão de todos os poderes.

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sábado, 18 de julho de 2026

Do Meu Tempo

 Do Meu Tempo 


Demétrio Sena - Magé 

Fui menino de fato menino, embora fosse um pensador e isso levasse a pensar que eu fosse maduro para minha fase.Tive medos infantis de mentiras, lendas, e levava parlendas a sério. Quando a menor das dores atacava meu corpo, minha mente se achava na hora da morte.

Era um jovem de arroubos, paixões e raivas típicas da juventude. Sentia-me no meu espaço e me aceitava exatamente assim, muito embora maldissesse o planeta. Como sei que fazem os jovens. Como faziam e continuarão a fazer.

Sempre fui um ser humano do próprio tempo. Jamais estive ou tentei estar além do que me era cabível, como indivíduo. Ao alcançar a meia idade, não tive crises de plenitude frustrada. Fui sem enxertos e drenos, por dentro e por fora.

Neste momento, arrasto meus passos para uma marcha lenta. Cada vez mais lenta. Sequer passa pela minha cabeça, forjar uma alma jovem nesta carcaça idosa. Muito menos apelidar a velhice de melhor idade. Não quero ter o meu corpo em conflito com a minha essência. 
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terça-feira, 14 de julho de 2026

Fotografar e brincar

Demétrio Sena - Magé 

Muitas vezes, brincar com o que fotografo (girar, distorcer, intensificar, sobrepor...) é tão prazeroso quanto fotografar. Outras vezes brinco antes de fotografar. É quando interfiro no cenário (como faço para fotografar pessoas e clicar as poses). Tudo manual. Sem nenhuma utilização de IA. Sou totalmente contra a substituição da nossa inteligência, nossa criatividade por essa inteligência plagiadora da Internet. 

Quem não se desafia no campo da criação, usando e não sendo ferramenta, logo não saberá pensar sozinho. Será somente um robô a serviço dos robôs que o ser humano criou para quem não sabe ou tem preguiça de criar. Os "donos do mundo" (políticos, grandes empresários e banqueiros) têm sido bem sucedidos no projeto universal da fabricação de seres humanos cada vez mais dependentes; menos pensantes.

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domingo, 12 de julho de 2026

O "Poder" da Oração

Demétrio Sena - Magé 

Tão logo aquela casa se tornou um centro de umbanda, naquela rua comercial com com um bar de karaokê e dois templos evangélicos pentecostais entre tantos outros movimentos (e barulhos), a coisa ficou feia: os evangélicos do lugar surtaram como nunca, e passaram a orar fervorosamente para que "Deus" afastasse o "inimigo de nossas almas" dali.

Não apenas oraram: oraram e atiraram pedras na casa. Não apenas oraram e atiraram pedras: oraram, atiraram pedras e fizeram ameaças terríveis, diariamente. Não apenas oraram, atiraram pedras e fizeram ameaças terríveis: oraram, atiraram pedras, fizeram ameaças terríveis e caluniaram na polícia. Não apenas oraram, atiraram pedras, fizeram ameaças terríveis e caluniaram na polícia: oraram, atiraram pedras, fizeram ameaças terríveis, caluniaram na polícia e montaram vigílias à porta da casa, com hinos tensos, orações agressivas e xingamentos.

Quando aquelas pessoas ordeiras e pacíficas (que jamais esboçaram qualquer vingança ou revide) resolveram desistir do centro de umbanda, houve uma diabólica festa gospel: os reais inimigos de almas gritaram louvores, "falaram línguas", fizeram "sinais de arminhas" e agradeceram a... digamos; "Deus", por ter atendido às suas... digamos; "orações".

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sábado, 11 de julho de 2026

Dos Olhos da Sociedade

 Dos Olhos da Sociedade 


Demétrio Sena - Magé 

Na maioria das vezes, não sei se uma pessoa com quem lido é "bonita" ou "feia". Entre aspas, porque não tenho conceito ótico específico para beleza. Refiro-me aos olhos da cara de uma sociedade que vive do que olha. Não do que vê, exatamente, porque ver é algo bem mais profundo. Foge aos olhos que prioritariamente olham.

Faz tempo que meus poemas românticos não exaltam traços e curvas das eventuais musas. Isso perdeu importância para mim, nos primeiros anos da minha trajetória de poeta, praticamente os primeiros anos de nascido. De alguma forma, eu seguia o curso da poesia romântica em voga naqueles tempos de uma decantação excessiva da "beleza", como não saiu totalmente de voga. Principalmente a "beleza" feminina.

Faço preferencialmente poemas de protesto político e também social, normalmente com as sutilezas que aprendi nos tempos da ditadura, quando eram necessárias muitas metáforas. Hoje podemos rasgar mais o verbo, até xingar, porém me viciei nessa forma de compor. Mas componho poemas românticos. Muitos, mesmo. Nesses poemas, decanto a essência da musa. O quanto ela inspira com a sua índole, sua sensibilidade, a inteligência e outros atributos que não passam pelo crivo dos meus olhos. Os da cara.

Essa ótica da minha poesia romântica não tem lá muita popularidade. A velha exaltação da pele, dos lábios, cabelos, os traços faciais e as curvas, continua no topo da preferência popular de quem consome música e poesia. Mesmo nas artes plásticas, quando retratam pessoas e são para uso doméstico, existe a preferência popular por essa exaltação.

É como todo mundo, nesta sociedade supérflua, olha para o outro. Vai direto à capa e volta, sem dar nenhuma folheada. Não lê sequer o prefácio do ser humano, se a capa não o agrada imediatamente. A essência pouco importa. O livro, a trajetória, o roteiro pesssoal do ser humano valem menos; muito menos do que a pele, os lábios, os cabelos, os traços faciais e as curvas do corpo.

A riqueza material, o poder e a fama fazem parte crucial dessa frente; dessa vitrine; a capa do indivíduo. Tornam qualquer pessoa "bonita", pois a plastificam e fazem encher os olhos de quem olha. É assim que somos, na camuflagem das virtudes gritadas nos palcos, palanques e púlpitos do preconceito e da hipocrisia.
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