segunda-feira, 6 de julho de 2026

Pau na Prova

 


Neymares

 


Perdemos a Copa e o Futebol

Demétrio Sena - Magé 

Décadas atrás, quando no auge da sua melhor forma, e detentor do mais belo e convincente futebol mundial, do nada o Brasil decidiu jogar como a Europa: um futebol mecânico, duro e direto ao ponto. Sem arte; sem encanto; sem a coreografia que arrancava risos e culminava em gols inacreditáveis... em pinturas inacreditáveis feitas com os pés. 

O futebol mecânico deu alguns resultados, até que toda a Europa superou as nossas habilidades, porque afinal, tratava-se da Europa jogando o seu futebol de raça contra o nosso futebol vira-lata, que ficou no meio do caminho. Enquanto isso, a França foi descobrindo aos poucos a velha ginga brasileira do futebol, com todo o tempo do mundo para aperfeiçoá-la sem perder a raça europeia no jogo. 

O que vemos nesta Copa do Mundo é a pura essência daquele nosso futebol nos pés da seleção francesa. Estamos nos vendo em campo, através do Mbapé, Dembélé e companhia. A propósito, o Dembélé (lê-se Dembelê) até lembra a introdução vocal do brasileiríssimo samba do cantor e compositor Benito di Paula. Quem não se lembra do seu "diguedê, diguedê, diguedê"? Quase ouço um sonoro "Dembelê, Dembelê, Dembelê! Agora chegou a vez, vou cantar... 🎶".

A Argentina "bate um balão", com o seu estilo nunca mudado; as seleções africanas, com sua força e vontade sincera de jogar, têm feito história... ficam pelo caminho, mas deixam suas marcas.... a França faz essa simbiose, com sucesso e garra, enquanto as outras seleções da Europa se aperfeiçoam dentro das próprias características, com o mesmo sucesso.

O Brasil? Nem o futebol mecânico Europeu nem o futebol magia que se tornou pentacampeão jogando "pelada"; dando show. Revelando craques que assombravam "na hora do vamos ver". Temos ainda craques (lá na Europa), mas nunca mais tivemos um jogador endiabrado, classificado como etê, porque ninguém decifrava o seu jogo.

É difícil saber quem vencerá esta Copa. A partir de agora, ninguém passa vergonha, por não chegar lá. Mas que a França tem tudo para levar essa, isso tem. E se assim for, veremos o nosso velho futebol magia, jogado por outros pés, conquistar uma taça que aquele Brasil que já não somos tinha tudo para conquistar. Seríamos hexa, ou além, se ainda fôssemos nós. 

Talvez ninguém devesse me levar tão a sério; afinal não jogo, estudo nem acompanho futebol no dia a dia. Porém sou poeta, e minha visão de tudo isso é poética. O Brasil ganhava nas copas e nos outros torneios internacionais, porque dominava uma poesia que o mundo não interpretava, nos estádios de futebol.

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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Para Engambelar Jesus

Demétrio Sena - Magé 


Sabe-se que agora uma maldade, minutos depois o "louvor". Um despudor e logo após um hino; daqueles hinos bem chorosos ou exaltados. Normalmente uma traição no sábado e a santa ceia no domingo. A sacanagem de todo o sempre, e segue-se um culto. Isso garante o indulto para tudo o mais.

À corrupção indefectível, segue-se a oração... que por sua vez, é seguida religiosa e "relogiosamente" pela pregação completamente oposta. Na hora seguinte, aquela aposta no jogo de azar. Na bet ou "no jacaré; no avestruz". E, infalivelmente, a eterna marcha da hipocrisia... uma grande marcha para engambelar Jesus.

No fim das contas, é evidente que todos fazem suas bandalheiras. Eu; tu; ele; nós... quase no mesmo ato... na mesma voz. E tudo bem (ouvi um amém?) ou que assim seja... mas coisa bizarra e completamente contraditória, é quem ataca: de uma vela pra "Deus", outra pro diabo... um "pé na jaca" e outro na igreja.
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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Honestidades Marmóreas

Demétrio Sena - Magé 


Pode-se dizer da grande maioria, que o ser humano é desonesto; com variações de intensidade e tipo. Mas as pessoas honestas, também em grande maioria, são egoístas, mesquinhas e gananciosas. Estão sempre na linha exata, restrita e intransigente da honestidade. O que é seu é seu; e ponto. Não cedem um milímetro do seu direito, seja qual for a necessidade ou até o perigo do outro, em questões que não mudariam em nada suas realidades pessoais permanentes ou momentâneas.

A honestidade fria e cruel desses indivíduos, geralmente conservadores, moralistas e cristãos, é pétrea em relação à lei, mas desconhece a graça do perdão, da empatia e da solidariedade. São aquelas pessoas que escravizavam, quando a lei permitia; que prejudicam a qualquer um, quando se acham legitimadas. Desejam o retorno da ditadura, só para se associarem ao poder público e ajudarem a levar cidadãos opostos ao pau-de-arara, como a lei determinaria que os "cidadãos de bem" fizessem. Os honestos de mármore são capazes de assistir à morte por fome, de um vizinho, porque a lei não o obriga a fazer algo. De abandonar uma filha/um filho à própria sorte, por ele ou ela já ter chegado à idade adulta, e com isso, a responsabilidade paterna ou materna já não ser obrigatória.

Faltar com a ética e a humanidade não é problema para quem segue à risca sua honestidade sem afeto; seu legalismo duro e sem consciência social. Tomar a vaga do próximo... entregar um colega de trabalho para obter benefício... ficar com a maior fatia de tudo e obter privilégios que prejudicam o outro (...) nada pesa na consciência de quem arrota honestidade blindada e, a qualquer custo, garante ou protege o seu direito... ainda que o seu direito seja torto; questionável; de má fé.
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terça-feira, 9 de junho de 2026

Superficialidade Humana

Demétrio Sena - Magé 

As famílias ensinam (quando ensinam) a não roubar, matar, violar, extorquir, dizendo que é para não ser preso e para "Deus" não castigar, pois "Ele vê tudo". Não ensinam que é por ser mesmo errado. Que é pelo outro, mesmo; para não fazer o outro sofrer, pois isso é atrocidade. 

Por esse ensinamento raso, ao crescermos e sermos finalmente apresentados à vantagem torpe, ao prazer de passar por cima do outro com truques que garantem a impunidade, viramos o que viramos. E agora? Como tirar do ser humano essa consciência viciada? Essa perversidade fundida no egoísmo de não fazermos mal ao outro para nós não sofrermos? De só não casarmos danos ao próximo se percebermos que pagaremos depois (presos, castigados por "Deus" ou pela sociedade)?

É pernicioso só fazermos o certo pela certeza da punição. E só fazermos o bem porque seremos recompensados (aqui ou acolá; talvez no suposto além). Não é à toa que as igrejas "convertem" indivíduos - assim mesmo, entre aspas - pelo olho grande nas bênçãos infindas aqui e nas "mansões celestiais"; nas "ruas de ouro e cristal"; nos "muros de puro jaspe" no provável (?) céu. Por terem suas dúvidas sobre as riquezas no céu, os políticos, por exemplo, querem tudo aqui mesmo; passando por cima de tudo e todos, para obterem.

Somos criados à base do "porque a polícia prende" ou do "porque Deus tá vendo", desde a instituição das leis e religiões. Não vejo como corrigir isso em alguns séculos. Só acho possível, muito amiúde, começarmos a cultivar dentro de nós o mundo que desejamos ao redor... se é que desejamos.
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