sexta-feira, 21 de agosto de 2026

O eco sistêmico da má fé

Demétrio Sena - Magé 

Estou sem ânimo para falar de questões políticas, por estes dias. Mas caramba... que esforço coletivo é esse, das grandes mídias, unidas aos partidos políticos da extrema direita e aos empresários que mandam neles (tanto mas mídias quanto nos políticos), para demonizar o presidente Lula? Tudo isso, por causa do Lulinha, bola da vez, com todos os estardalhaços nunca feitos em cima dos filhos do verdadeiro d&mônio, que praticam corrupção em cima de corrupção, aos olhos de todos.

Em nenhum momento alguém arrancará de mim qualquer afirmação de que o Lulinha não deveria ser investigado. Tem que ser. E se for culpado, que pague pelos eventuais crimes. Mas essa massificação sobre ele ser filho do Lula, e os truques que foram usados até agora, com evidentes intenções eleitorais adversas, me fazem concluir que tudo está sendo usado como forma de propaganda eleitoral a favor do d&mônio junior, filho do d&mônio-mor, que está devidamente preso. 

Um dos truques foi guardar a investigação, que poderia ter tido início em janeiro, mas começou agora, no início das campanhas. Outro, neste caso, o das mídias, é acelerar as outras matérias para ir e voltar, com excesso de holofote, ao caso do filho do Lula. Do Lulinha filho do Lula, como se não houvesse nenhuma outra notícia de verdadeiro impacto nacional para veicular.

Até as guerras que mexem com o planeta, matérias normalmente preferidas dos noticiários, ficaram espremidas pelo caso Lulinha, "FILHO DO LULA! FILHO DO LULA! FILHO DO LULA!", como se fosse algo de repercussão internacional. A campanha pela presidência do Brasil começou. Lula contra os adversários políticos, um ministro comprado, do STF, as mídias, os empresários gananciosos e manipuladores... e os patriotas pobres, ferrados e massas de manobra de todo esse sistema.

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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Abandono

Demétrio Sena - Magé 

Assustada e frágil, chegou sozinha ao Pronto-socorro. Gemia, por uma dor imensa nos rins. De meia idade, o rosto emanava uma dor além da carne. Só levava os panos do corpo. Nem uma bolsa. Nem uma roupa extra. Muito menos um cobertor, lençol, produtos para higiene pessoal.

Na enfermaria, conseguiu poucos panos para o seu leito. Acho que outra paciente lhe deu um casaco, pois ela usava somente uma camiseta fina, e aquela noite não estava fácil. Chegara especialmente fria. Sonolento, acompanhei o drama sem atinar que não era um sonho. Cochilava em minha cadeira, de onde zelo por minha esposa, que há dias é também uma paciente. 

Na manhã seguinte, a senhora estava um pouco melhor. Pude ouvir do nosso canto, sua conversa com um dos enfermeiros. Ao ser indagada sobre por que chegara sozinha, ela disse que não. Não chegara sozinha. Impaciente, o marido a levou de carro até a porta da unidade de saúde, abriu a porta do veículo e disse: Agora é com você; fiz muito lhe trazendo até aqui.

Com um sorriso pálido (e ponha pálido nisso), antes que o enfermeiro verbalizasse a sua indignação, ela justificou, cabisbaixa:

- Mas também, coitado; eu dou muito trabalho a ele; só vivo passando mal.

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domingo, 16 de agosto de 2026

Ferida


 

A inquietação das regras

Demétrio Sena - Magé 

Quando opino negativamente sobre a natureza de um grupo social ou corporativo, em minha literatura, o que é um direito meu, se não ofender com xingamentos e acusações específicas sem provas, eu sei perfeitamente que as exceções existem. Mas não tenho que prejudicar a estética de minha escrita, com aquela repetição de "reservadas as exceções", a cada texto que publique. Quando a faixa positiva de um grupo é exceção, cabe perfeitamente generalizar.

Publiquei uma frase no meu espaço de fala em rede social, que diz: A "fornada" contemporânea de cristãos parece mesmo saber tudo de divindade... só não sabe nada de humanidade". Imediatamente a regra reagiu, dizendo que não posso generalizar, pois nem todos são assim. Mas posso. Não dizemos todos os dias, que a humanidade está decadente? Que o ser humano é perverso, egoísta? Pois então; o ser humano é assim. Há pessoas que não são, mas o ser humano, como um todo, é. Não é necessário repetir que "o ser humano, salvo exceções, é decadente, perverso, egoísta".

Se a tal "fornada" entendesse de humanidade, e fosse humana, da mesma forma eu generalizaria, com elogio, pois a existência de alguns cristãos maus não a tornaria má, como um todo. Generalizar é opinar sobre o todo, mesmo havendo exceções. Na verdade, qual é o papel das boas exceções, em regras das quais podem se livrar e não o fazem? Será que são exceções ou eternos estagiários da regra? Este texto é sobre uma "fornada". Talvez você você seja de outra.

Uma verdade é irrefutável: quem inevitavelmente reage à generalização é a regra. A exceção (em meio à regra da qual não há fuga, por ser espaço inevitável de convivência), está sempre tranquila sobre si mesma. Tem a consciência em paz.
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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Nem tudo é sobre nós

Demétrio Sena - Magé 


É inadequado e anti-ético alguém aparecer em um casamento vestido em trajes mais deslumbrantes do que os dos nubentes. Especialmente os da noiva. "É contra a lei ou alguma norma?", não. Apenas fere a ética e o bom senso. Apenas isso tudo.
Da mesma forma, é inconcebível você ir ao hospital visitar uma pessoa doente e, chegando lá, inverter os papéis: você passa mal, treme, se descontrola e alguém, às vezes o próprio paciente, vai em busca de quem o socorra.
Ninguém tem o direito de chegar a um velório ou sepultamento e se esmerar em parecer que sofre mais do que pai, mãe, filho/filha, irmãos ou cônjuge. Ninguém sofre mais do que a família, que talvez esteja controlada em razão das providências que precisa tomar, inclusive para receber você. Se algum familiar se mobiliza para socorrê-lo(a), tem algo errado aí.
Quem abre um show não se apresenta mais do que a estrela desse show. A decepção de quem não passa em um concurso público não é maior para outra pessoa do que para quem não passou. Quem introduz um palestrante é anti-ético, se ele introduzir uma "pré-palestra" com ingredientes propositais para causar maior impacto.
O que é sobre o outro não deve ser transposto para nós. Aliás, muita coisa na vida é sobre o outro. E sobre nós, a partir do outro. A dor ou alegria de alguém pode nos atingir, mas atinge muito mais o detentor do sentimento ou da sensação. 
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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Fugindo ao encontro

Demétrio Sena - Magé 

Publicar meus textos e minhas fotografias em rede social não tende a ser um hábito que escraviza. Venho, publico e saio. Mais tarde, quando já me ocupei dos outros hábitos além do trabalho, quando é dia de trabalho (ler, fazer cruzadas, beijar, etc), costumo dar mais uma olhada para prestigiar boas postagens e responder aos comentários do que postei, porque acho educado responder, corresponder e ser grato pelo carinho de quem me prestigia.

Para mim, tudo é muito simples, em redes sociais. Há pessoas idiotas, notícias ruins, fake news e "bestagens"? Que assim seja. Mas em nossas vivências presenciais, no mundo físico e na vida inteira é exatamente assim: deparamo-nos o tempo todo com idiotas, mentirosos, tragédias e bobeiras. Nem por isso tomamos a decisão de nos afastamos da vida. Ou darmos um tempo do mundo, nos escondermos da inevitável sociedade que nos cerca nas ruas, no emprego, na igreja, no terreiro e até nas rodas culturais; por que não?

Como ficaremos, ao constatarmos que nossas fugas, para onde quer que seja, nos lançarão nas mesmas futilidades, idiotices, marmotas e tragédias em outros ambientes? Sim, porque on-line ou presencialmente, lá está o ser humano. Lá estamos nós mesmos, de quem muitas pessoas também querem fugir, mas lhes falta criatividade para saberem como, sem abrirem mão de seus espaços. 

O nosso direito de ir, vir e ficar, fazer escolhas e decidir o que nos apraz está em todos os espaços. Por exemplo, no poder de restringirmos alguém, por bloqueio, nas redes sociais, além de só visualizarmos o que desejamos. Da mesma forma, de nos desvencilharmos com calma, imposição ou ajuda policial, nos eventos e ambientes públicos. De usarmos o controle remoto para escolhermos o que desejamos ver, na televisão. E para lermos os livros de nossa escolha, sem desistirmos de todos porque uns não prestam.

Tantas fugas de tudo e todos, por causa de "alguéns" e "algos", podem nos isolar em nossas próprias masmorras. Ou em lugares bem piores, para onde nos levam os surtos emocionais e psíquicos. Precisamos saber quem somos e ter consciência de que: seres humanos lidam com seres humanos. E podemos até trocar de seres humanos, quando alguns apresentam defeito de caráter.

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terça-feira, 28 de julho de 2026

A "Cura"

Demétrio Sena - Magé 

A conversão religiosa não muda sua essência; não "cura" sua natureza. Ela forja, pinta e dá verniz por fora, mas você continua quem você é. Se quem você é machuca; desqualifica o seu próximo; faz dele sua vítima; real vítima em qualquer contexto, é que a conversão vale a pena: "segura sua onda" enquanto pode, com as ameaçadas do inferno e do Peso da "Terrível Mão de Deus", apesar da sua essência. Mas em questões de natureza sexual ou de gênero, do que pretendo falar, "segurar sua onda" não fará você feliz, porque sua essência ou natureza não é criminosa; logo, não faz mal ao próximo. Da mesma forma, ser quem você é não configura uma doença, desvio nem anomalia. 

Supostamente "curar" a homossexualidade é que me parece uma ideia doentia e monstruosa. Um projeto perverso de comando, posse ou domínio do outro, estabelecido principalmente pelas religiões cristãs, alheio a qualquer base científica. Quando a conversão religiosa nos convence a renegar a própria essência ou natureza (que não causa danos reais ao outro, à sociedade), ela nos faz sofrer. E logo nos fará causar sofrimento a outras pessoas, como no caso de nos casarmos dentro dos trâmites conservadores da igreja. Seremos infelizes por trancarmos quem somos, e faremos infelizes nosso cônjuge, que jamais entenderá o que sempre faltou, quando resolvermos dar um basta. Porque, acreditem, resolveremos.

Não existe cura do que não é doença, e neste país, homossexualidade não é crime. A ideia de cura gay, esta sim, é criminosa; um pecado social contra o ser humano, impedindo-o de ser feliz. Enchendo-o de remorsos ilegítimos, desnecessários, como se o gay não merecesse estar no mundo; inserido na sociedade. Cura gay é uma invenção patológica do moralismo religioso. Do cristianismo que faria o próprio Cristo surtar, de chicote em punho, como quando perdeu as estribeiras com os negociantes ou vendilhões do templo. Na verdade, esse cristianismo patológico, distorcido ao longo da história, é que realmente precisa ser curado. 

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sábado, 25 de julho de 2026

Inquisição Mata

Demétrio Sena - Magé 

Muita gente mal intencionada continua gritando a favor do ensino religioso nas escolas. Isso é má intenção, porque essas pessoas querem o domínio de sua religião no país, para comandarem ainda mais a sociedade. Começam pela religião (evangélica), depois dominam pela política de direita (que é a metástase desse tumor social) e logo sequestram toda a sociedade.

Já vivemos "estagiariamente" neste sistema. Sem obrigação legal de seguir a mesma cartilha religiosa. Porém existem as coações paralelas e um sistema análogo a milícia religiosa: que fecha portas de oportunidades para quem não é evangélico, liga uma suposta salvação da alma ao voto em políticos de direita e faz das casas comerciais onde compramos, verdadeiros infernos de músicas góspeis nas alturas. Não importa de que religiões somos, ou se nem temos religião, somos obrigados a suportar. A lei e a justiça também estão dominadas pela religião que se tornou maioria e decide as eleições daqueles que distribuem cargos políticos e privilégios sociais.

Obrigar o ensino religioso (na prática, evangélico) nas escolas, é dar andamento ao projeto de uma nova inquisição. Ou o ensino religioso poderá ser diverso e atender a todas as práticas, linguagens e orientações religiosas, inclusive respeitando a recusa dos que não professam nenhuma fé? Não; não poderá. Então seremos como aqueles países dominados por terroristas que lideram a única religião permitida, com severos castigos a quem não a segue ou não adere às suas práticas. Aí teremos, inclusive, a polícia dos costumes, repressora de quem se veste fora dos padrões exigidos pela lei, que será regida pela religião. Repressora de quem fala, gesticula, respira e tem gostos diferentes.

O ensino religioso, específico e obrigatório (em essência, ensino evangélico) nas escolas seria uma prática ditatorial. Em total conflito com um país laico, de ampla diversidade religiosa (embora uma religião se ponha como a dona de tudo, e queira tornar isso legal). Quem quiser aprender sobre religião, procure um templo, terreiro, mesquita ou salão mais próximo de sua casa.

Democracia, mesmo, inclui cada coisa no seu lugar. Ninguém dever ter a obrigação da adotar, cultuar, nem de participar do sagrado que não escolheu como o seu sagrado. A ditadura religiosa é o início de todas as outras ditaduras que geram desgraças em todo o mundo.

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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Vocês Querem Ditadura?

Demétrio Sena - Magé 

Em uma possível nova ditadura, como sonham muitos brasileiros iludidos, não adiantará para o indivíduo pobre, viver ajoelhado em via pública e gritando: "Eu te amo, Jair!", "Te amo, Flávio (ou Dudu, Carlos, Michelle, qualquer outro Bolsonaro)!". Todo pobre sofre nas ditaduras... não importa o que digam, preguem, neguem, gritem ou louvem, mesmo em línguas angelicais.

Ditaduras não contemplam povo. Só parceiros e correligionários ricos contam, para governos ditatoriais. Pobre da direita é mula, nesse regime. As diferenças entre ele e o pobre da esquerda estão nas formas de lidar com isso. O da direita sofre sorrindo como um pateta. Não tem voz nem faz questão. É um prisioneiro em si mesmo, que aceita ser assim para não ser preso em cadeia. Já o pobre da esquerda, sofre lutando por dignidade; correndo riscos, porque não aceita ser passivo em situações de injustiça extrema e crueldade contra os invisíveis e desamparados. 

Esses patetas que vivem pedindo ditadura, babando pelos Bolsonaro de qualquer contexto familiar não enxergam o óbvio: Xingam o governo, fazem protestos, acusam de tudo, abertamente, e não sofrem nada. Quem está preso, hoje, cometeu crimes previstos na própria democracia... tirando isso, o cidadão é livre, mas os patetas pedem para ser oprimidos, calados, vigiados e sem direito a nada. Tudo por uma pirraça sem ideologia séria; racional. 

Se todos esses milici@nos que aí estão: invocando falsa fé, santidade, conservadorismo e moral de ferro forem eleitos, reeleitos, e ainda conseguirem fazer presidente o Bolsonaro filho, que trama contra o Brasil, os pobres que pedem a ditadura terão. E aí verão "o que é bom pra tosse", quando já nem puderem tossir, sem a inquestionável permissão de todos os poderes.

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sábado, 18 de julho de 2026

Do Meu Tempo

 Do Meu Tempo 


Demétrio Sena - Magé 

Fui menino de fato menino, embora fosse um pensador e isso levasse a pensar que eu fosse maduro para minha fase.Tive medos infantis de mentiras, lendas, e levava parlendas a sério. Quando a menor das dores atacava meu corpo, minha mente se achava na hora da morte.

Era um jovem de arroubos, paixões e raivas típicas da juventude. Sentia-me no meu espaço e me aceitava exatamente assim, muito embora maldissesse o planeta. Como sei que fazem os jovens. Como faziam e continuarão a fazer.

Sempre fui um ser humano do próprio tempo. Jamais estive ou tentei estar além do que me era cabível, como indivíduo. Ao alcançar a meia idade, não tive crises de plenitude frustrada. Fui sem enxertos e drenos, por dentro e por fora.

Neste momento, arrasto meus passos para uma marcha lenta. Cada vez mais lenta. Sequer passa pela minha cabeça, forjar uma alma jovem nesta carcaça idosa. Muito menos apelidar a velhice de melhor idade. Não quero ter o meu corpo em conflito com a minha essência. 
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terça-feira, 14 de julho de 2026

Fotografar e brincar

Demétrio Sena - Magé 

Muitas vezes, brincar com o que fotografo (girar, distorcer, intensificar, sobrepor...) é tão prazeroso quanto fotografar. Outras vezes brinco antes de fotografar. É quando interfiro no cenário (como faço para fotografar pessoas e clicar as poses). Tudo manual. Sem nenhuma utilização de IA. Sou totalmente contra a substituição da nossa inteligência, nossa criatividade por essa inteligência plagiadora da Internet. 

Quem não se desafia no campo da criação, usando e não sendo ferramenta, logo não saberá pensar sozinho. Será somente um robô a serviço dos robôs que o ser humano criou para quem não sabe ou tem preguiça de criar. Os "donos do mundo" (políticos, grandes empresários e banqueiros) têm sido bem sucedidos no projeto universal da fabricação de seres humanos cada vez mais dependentes; menos pensantes.

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domingo, 12 de julho de 2026

O "Poder" da Oração

Demétrio Sena - Magé 

Tão logo aquela casa se tornou um centro de umbanda, naquela rua comercial com com um bar de karaokê e dois templos evangélicos pentecostais entre tantos outros movimentos (e barulhos), a coisa ficou feia: os evangélicos do lugar surtaram como nunca, e passaram a orar fervorosamente para que "Deus" afastasse o "inimigo de nossas almas" dali.

Não apenas oraram: oraram e atiraram pedras na casa. Não apenas oraram e atiraram pedras: oraram, atiraram pedras e fizeram ameaças terríveis, diariamente. Não apenas oraram, atiraram pedras e fizeram ameaças terríveis: oraram, atiraram pedras, fizeram ameaças terríveis e caluniaram na polícia. Não apenas oraram, atiraram pedras, fizeram ameaças terríveis e caluniaram na polícia: oraram, atiraram pedras, fizeram ameaças terríveis, caluniaram na polícia e montaram vigílias à porta da casa, com hinos tensos, orações agressivas e xingamentos.

Quando aquelas pessoas ordeiras e pacíficas (que jamais esboçaram qualquer vingança ou revide) resolveram desistir do centro de umbanda, houve uma diabólica festa gospel: os reais inimigos de almas gritaram louvores, "falaram línguas", fizeram "sinais de arminhas" e agradeceram a... digamos; "Deus", por ter atendido às suas... digamos; "orações".

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sábado, 11 de julho de 2026

Dos Olhos da Sociedade

 Dos Olhos da Sociedade 


Demétrio Sena - Magé 

Na maioria das vezes, não sei se uma pessoa com quem lido é "bonita" ou "feia". Entre aspas, porque não tenho conceito ótico específico para beleza. Refiro-me aos olhos da cara de uma sociedade que vive do que olha. Não do que vê, exatamente, porque ver é algo bem mais profundo. Foge aos olhos que prioritariamente olham.

Faz tempo que meus poemas românticos não exaltam traços e curvas das eventuais musas. Isso perdeu importância para mim, nos primeiros anos da minha trajetória de poeta, praticamente os primeiros anos de nascido. De alguma forma, eu seguia o curso da poesia romântica em voga naqueles tempos de uma decantação excessiva da "beleza", como não saiu totalmente de voga. Principalmente a "beleza" feminina.

Faço preferencialmente poemas de protesto político e também social, normalmente com as sutilezas que aprendi nos tempos da ditadura, quando eram necessárias muitas metáforas. Hoje podemos rasgar mais o verbo, até xingar, porém me viciei nessa forma de compor. Mas componho poemas românticos. Muitos, mesmo. Nesses poemas, decanto a essência da musa. O quanto ela inspira com a sua índole, sua sensibilidade, a inteligência e outros atributos que não passam pelo crivo dos meus olhos. Os da cara.

Essa ótica da minha poesia romântica não tem lá muita popularidade. A velha exaltação da pele, dos lábios, cabelos, os traços faciais e as curvas, continua no topo da preferência popular de quem consome música e poesia. Mesmo nas artes plásticas, quando retratam pessoas e são para uso doméstico, existe a preferência popular por essa exaltação.

É como todo mundo, nesta sociedade supérflua, olha para o outro. Vai direto à capa e volta, sem dar nenhuma folheada. Não lê sequer o prefácio do ser humano, se a capa não o agrada imediatamente. A essência pouco importa. O livro, a trajetória, o roteiro pesssoal do ser humano valem menos; muito menos do que a pele, os lábios, os cabelos, os traços faciais e as curvas do corpo.

A riqueza material, o poder e a fama fazem parte crucial dessa frente; dessa vitrine; a capa do indivíduo. Tornam qualquer pessoa "bonita", pois a plastificam e fazem encher os olhos de quem olha. É assim que somos, na camuflagem das virtudes gritadas nos palcos, palanques e púlpitos do preconceito e da hipocrisia.
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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Pau na Prova

 


Neymares

 


Perdemos a Copa e o Futebol

Demétrio Sena - Magé 

Décadas atrás, quando no auge da sua melhor forma, e detentor do mais belo e convincente futebol mundial, do nada o Brasil decidiu jogar como a Europa: um futebol mecânico, duro e direto ao ponto. Sem arte; sem encanto; sem a coreografia que arrancava risos e culminava em gols inacreditáveis... em pinturas inacreditáveis feitas com os pés. 

O futebol mecânico deu alguns resultados, até que toda a Europa superou as nossas habilidades, porque afinal, tratava-se da Europa jogando o seu futebol de raça contra o nosso futebol vira-lata, que ficou no meio do caminho. Enquanto isso, a França foi descobrindo aos poucos a velha ginga brasileira do futebol, com todo o tempo do mundo para aperfeiçoá-la sem perder a raça europeia no jogo. 

O que vemos nesta Copa do Mundo é a pura essência daquele nosso futebol nos pés da seleção francesa. Estamos nos vendo em campo, através do Mbapé, Dembélé e companhia. A propósito, o Dembélé (lê-se Dembelê) até lembra a introdução vocal do brasileiríssimo samba do cantor e compositor Benito di Paula. Quem não se lembra do seu "diguedê, diguedê, diguedê"? Quase ouço um sonoro "Dembelê, Dembelê, Dembelê! Agora chegou a vez, vou cantar... 🎶".

A Argentina "bate um balão", com o seu estilo nunca mudado; as seleções africanas, com sua força e vontade sincera de jogar, têm feito história... ficam pelo caminho, mas deixam suas marcas.... a França faz essa simbiose, com sucesso e garra, enquanto as outras seleções da Europa se aperfeiçoam dentro das próprias características, com o mesmo sucesso.

O Brasil? Nem o futebol mecânico Europeu nem o futebol magia que se tornou pentacampeão jogando "pelada"; dando show. Revelando craques que assombravam "na hora do vamos ver". Temos ainda craques (lá na Europa), mas nunca mais tivemos um jogador endiabrado, classificado como etê, porque ninguém decifrava o seu jogo.

É difícil saber quem vencerá esta Copa. A partir de agora, ninguém passa vergonha, por não chegar lá. Mas que a França tem tudo para levar essa, isso tem. E se assim for, veremos o nosso velho futebol magia, jogado por outros pés, conquistar uma taça que aquele Brasil que já não somos tinha tudo para conquistar. Seríamos hexa, ou além, se ainda fôssemos nós. 

Talvez ninguém devesse me levar tão a sério; afinal não jogo, estudo nem acompanho futebol no dia a dia. Porém sou poeta, e minha visão de tudo isso é poética. O Brasil ganhava nas copas e nos outros torneios internacionais, porque dominava uma poesia que o mundo não interpretava, nos estádios de futebol.

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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Para Engambelar Jesus

Demétrio Sena - Magé 


Sabe-se que agora uma maldade, minutos depois o "louvor". Um despudor e logo após um hino; daqueles hinos bem chorosos ou exaltados. Normalmente uma traição no sábado e a santa ceia no domingo. A sacanagem de todo o sempre, e segue-se um culto. Isso garante o indulto para tudo o mais.

À corrupção indefectível, segue-se a oração... que por sua vez, é seguida religiosa e "relogiosamente" pela pregação completamente oposta. Na hora seguinte, aquela aposta no jogo de azar. Na bet ou "no jacaré; no avestruz". E, infalivelmente, a eterna marcha da hipocrisia... uma grande marcha para engambelar Jesus.

No fim das contas, é evidente que todos fazem suas bandalheiras. Eu; tu; ele; nós... quase no mesmo ato... na mesma voz. E tudo bem (ouvi um amém?) ou que assim seja... mas coisa bizarra e completamente contraditória, é quem ataca: de uma vela pra "Deus", outra pro diabo... um "pé na jaca" e outro na igreja.
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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Honestidades Marmóreas

Demétrio Sena - Magé 


Pode-se dizer da grande maioria, que o ser humano é desonesto; com variações de intensidade e tipo. Mas as pessoas honestas, também em grande maioria, são egoístas, mesquinhas e gananciosas. Estão sempre na linha exata, restrita e intransigente da honestidade. O que é seu é seu; e ponto. Não cedem um milímetro do seu direito, seja qual for a necessidade ou até o perigo do outro, em questões que não mudariam em nada suas realidades pessoais permanentes ou momentâneas.

A honestidade fria e cruel desses indivíduos, geralmente conservadores, moralistas e cristãos, é pétrea em relação à lei, mas desconhece a graça do perdão, da empatia e da solidariedade. São aquelas pessoas que escravizavam, quando a lei permitia; que prejudicam a qualquer um, quando se acham legitimadas. Desejam o retorno da ditadura, só para se associarem ao poder público e ajudarem a levar cidadãos opostos ao pau-de-arara, como a lei determinaria que os "cidadãos de bem" fizessem. Os honestos de mármore são capazes de assistir à morte por fome, de um vizinho, porque a lei não o obriga a fazer algo. De abandonar uma filha/um filho à própria sorte, por ele ou ela já ter chegado à idade adulta, e com isso, a responsabilidade paterna ou materna já não ser obrigatória.

Faltar com a ética e a humanidade não é problema para quem segue à risca sua honestidade sem afeto; seu legalismo duro e sem consciência social. Tomar a vaga do próximo... entregar um colega de trabalho para obter benefício... ficar com a maior fatia de tudo e obter privilégios que prejudicam o outro (...) nada pesa na consciência de quem arrota honestidade blindada e, a qualquer custo, garante ou protege o seu direito... ainda que o seu direito seja torto; questionável; de má fé.
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terça-feira, 9 de junho de 2026

Superficialidade Humana

Demétrio Sena - Magé 

As famílias ensinam (quando ensinam) a não roubar, matar, violar, extorquir, dizendo que é para não ser preso e para "Deus" não castigar, pois "Ele vê tudo". Não ensinam que é por ser mesmo errado. Que é pelo outro, mesmo; para não fazer o outro sofrer, pois isso é atrocidade. 

Por esse ensinamento raso, ao crescermos e sermos finalmente apresentados à vantagem torpe, ao prazer de passar por cima do outro com truques que garantem a impunidade, viramos o que viramos. E agora? Como tirar do ser humano essa consciência viciada? Essa perversidade fundida no egoísmo de não fazermos mal ao outro para nós não sofrermos? De só não casarmos danos ao próximo se percebermos que pagaremos depois (presos, castigados por "Deus" ou pela sociedade)?

É pernicioso só fazermos o certo pela certeza da punição. E só fazermos o bem porque seremos recompensados (aqui ou acolá; talvez no suposto além). Não é à toa que as igrejas "convertem" indivíduos - assim mesmo, entre aspas - pelo olho grande nas bênçãos infindas aqui e nas "mansões celestiais"; nas "ruas de ouro e cristal"; nos "muros de puro jaspe" no provável (?) céu. Por terem suas dúvidas sobre as riquezas no céu, os políticos, por exemplo, querem tudo aqui mesmo; passando por cima de tudo e todos, para obterem.

Somos criados à base do "porque a polícia prende" ou do "porque Deus tá vendo", desde a instituição das leis e religiões. Não vejo como corrigir isso em alguns séculos. Só acho possível, muito amiúde, começarmos a cultivar dentro de nós o mundo que desejamos ao redor... se é que desejamos.
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domingo, 7 de junho de 2026

Conjugal

Demétrio Sena - Magé 

Entre casais bem resolvidos, nenhum dos dois sabe tudo sobre o outro. Ambos têm segredos. E disso eles não fazem segredo. Cultivam manias que o outro não sabe, nutrem amizades em separado, fazem coisas diferentes, não sabem as senhas um do outro nem têm perfis de redes sociais em comum. Isso não quer dizer que haja infidelidade ou traição; e sim, que há consciência de que eles são indivíduos, com direito à privacidade; ao cultivo secreto de manias; de fazeres apenas seus ou até compartilhados com pessoas diferentes; que não compõem a sua rotina.

Se tantas vezes os dois não sabem o que o outro faz, ambos sabem que o outro sabe o que faz. Que o outro tem responsabilidade sobre os próprios atos e, por causa disso, não há nada que possa comprometer a vida a dois. Pelo contrário; tudo só tende a fortalecê-los e estreitá-los ainda mais, pois é a liberdade que os exercita como pessoas e abastece a união. A confiança mútua os faz querer, a cada dia, merecer mais e mais a confiança plena um do outro.

Todo casal bem resolvido sabe que não é um só corpo e uma só alma, como ditam tantas religiões. Também não é composto por duas metades da mesma fruta. Trata-se de duas pessoas inteiras, fundidas numa simbiose que lhes permite a bifurcação, quando as vontades individuais se manifestam, com as devidas responsabilidades sobre como atuam. Terem seus segredos (e não fazerem nenhum segredo quanto a isso) é, na verdade, o segredo mágico do seu amor... a bula da sua harmonia... o tempero da sua felicidade. 
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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Individualismos Coletivos

Demétrio Sena - Magé 

Em um evento coletivo que reúne fazedores de cultura, não deveria existir qualquer disputa ou guerra de egos. Ninguém deveria estar ali só por si mesmo, mas por todos os participantes e, principalmente, o público. Dessa forma todos prestigiariam, seriam prestigiados por todos, e teriam seu espaço respeitado. 

Aplaudir o outro, depois de assistir atentamente ao que ele preparou para propor ou apresentar, é uma demonstração de grandeza, ética e respeito, que deveria fluir de cada poeta, artista e qualquer outra pessoa que tenha o que oferecer, junto com outros participantes. Quem fica sempre ansioso pela própria participação e acaba não assistindo a nada... quem extrapola o seu espaço ou sua vez, quando participa, e quem se apresenta e sai sem oferecer atenção a quem vem depois, têm traços ou o pacote inteiro de narcisismo e mania de grandeza.

O coletivo não pode ser prejudicado ou interrompido pela crise de ansiedade, a pressa nem o estrelismo de quem pensa que o momento é só seu ou quase. Quem acha que foi ali para "vender seu peixe" e fazer o do outro encalhar ou apodrecer na fila rompida, na sua demora não combinada ou no esvaziamento da assistência depois do seu tempo estabelecido, não sabe viver nem agir em sociedade. Muito menos em um evento cultural coletivo.

Precisamos (também me refiro a mim) rever o nosso individualismo em encontros, eventos e "perfis" com a proposta de compartilhar. Geralmente não sabemos trocar, e quando trocamos, queremos levar vantagem; sobressair ao outro. É um "venha a mim" que torna tudo robótico e tenso, ainda que as aparências neguem.

Para ser verdadeiro, nada disso é pra você. É pra mim. Muitas vezes me flagro com esse comportamento, e preciso me convencer a não repeti-lo.

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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Vocação

 


De Chorar

Demétrio Sena - Magé 

Hoje guardo meu choro;
guardado faço meu coro 
à minha seca
ou à minha estiagem...
Porque me falta vontade, 
mas tenho muita vontade 
de ter coragem,
para ter a coragem
de chorar sem medo,
sem saber chorar...
sem saber nem saber.
Confesso quase chorando
de minha falta de soro
para fazer choro,
pois tenho muita saudade 
até de ter saudade
ou de perder a saudade
até da saudade
do choro não chorado...
Tenho muita vontade 
de chorar...
só por não conseguir
ter vontade,  
como tenho vontade 
de conseguir,
sem conseguir chorar...
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Aos Traídos


 

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Carta Aberta a um Coração Fechado

Prezado (?) Luciano Huck:

Minha mãe criou sozinha nove filhos. Nove. Ela trabalhava como diarista e os filhos mais velhos - eu sou um deles - vendiam picolé, bala, salgadinhos e ferro velho. Mesmo assim, sentimos muita fome; passamos muito frio; ficamos doentes sem socorro médico; fomos expulsos de muitos quartinhos de vilas, e moramos em granja abandonada, porque nossa mãe não tinha como continuar pagando os aluguéis, mesmo sendo baratos.

Se nos longos anos de nossa criação existissem os programas sociais que existem hoje, não teríamos passado por tanta fome; tanta penúria, em um todo. Se os governos da ditadura, dos quais você parece ter saudades, tivessem criado o Bolsa-família, o Pé-de-meia, o Minha Casa Minha Vida, o Loas (para minha "esquisitice" que ainda não tinha laudo) e tantos outros programas, todos criados por governos da esquerda e "similares", teríamos até estudado no tempo certo. Nossa mãe teria continuado a trabalhar, porém menos, e teríamos tido mais a sua companhia, o seu colo e mais abraços. Nós, os filhos, teríamos trabalhado em meio período, como Jovens Aprendizes, e não teríamos feito parte das estatísticas de evasão escolar. Tendo estudado sem fome nem medo dela, teríamos começado a trabalhar formalmente bem mais cedo, e com isso, contribuído mais cedo com a previdência, os impostos e as taxas que ajudam a possibilitar governabilidade. Mais um dado para você: os deficientes físicos, visuais, mentais e neurológicos que hoje também consomem e geram economia, geralmente pediam esmolas, antes da criação dos benefícios sociais.

Você sabe que o dinheiro dos programas sociais também movimenta a economia; não deixa o país estagnar e ajuda você a enriquecer ainda mais. Quer saber como? É evidente que você sabe, mas tem lapsos de memória e por isso diz besteira. Então eu vou dizer: graças aos programas sociais que você critica, esses milhões de brasileiros e brasileiras assistidos pelo governo podem comprar um televisorzinho. Graças a isso, assistem (inadvertidamente) ao seu programa dominical. E por essa audiência, os mega empresários investem, patrocinam, parceirizam. Isso mantém o seu programa, seu salário milionário, seus super cachês por  anúncios publicitários e aparições. Viu só? Não é o seu dinheiro que alimenta os pobres; são os pobres que geram seu dinheiro e dão cada vez mais audiência à sua ingratidão. 

E antes que você diga, mais uma vez em rede nacional: "mas também, para quê tantos filhos?", respondo, e não é opinião; é fato: Patriarcado, Luciano. Alimentado pelos políticos da ditadura crua e os da ditadura em banho-maria, que deixaram herdeiros. Patriarcado em parceria com religiões que reduzem as mulheres a procriadoras e servas do lar. Se hoje isso é mais disfarçado, mas existe ainda, imagine como já foi? As religiões que orientam as mulheres a serem "coelhas" dos homens são as mesmas que representam e negociam os votos de milhões de homens e mulheres pobres, desinformados e simples, como toda a elite gosta, para se manter dominante. Gosta, mas critica os programas que mantém as pessoas (bem) menos favorecidas respirando. 

"Ah, e tem muita gente que não precisa e recebe os benefícios!". Pode ser. Muita gente mais perto da sua classe social do que da classe pobre e trabalhadora. O problema não é a existência dos programas sociais; é a existência dessas pessoas de má fé que ajudam a acentuar a má fé dos que desqualificam ajudas. Acho realmente uma pena que você, após tantas convivências relâmpago com pessoas pobres, para entregar os prêmios filtrados de seus bingos televisivos, não tenha se tornado mais empático, solidário e sensível. Também é muito espetáculo, muita ribalta, muito choro ensaiado e discurso que plagia discursos anteriores. Isso pode realmente ser desgastante. Ainda assim é uma pena que você nunca tenha saído da bolha, mesmo saindo às ruas e se misturando, algumas ou muitas vezes.

Seja como for, tenho algo a lhe agradecer. Agradeço, de todo o coração, por você não ter levado à frente aquela pré-ideia de se tornar presidente do Brasil. E também por não ter tentado uma vaga no congresso. Você é muito persuasivo; com o tempo, conseguiria muito apoio para devolver o país às piores fases da fome popular. Já chega de bolsonaristas! Dos declarados e dos bolsonaristas "nem Lula nem Bolsonaro".

Atenciosamente, 

Demétrio Sena - Magé, 26 de maio de 2026

domingo, 24 de maio de 2026

Aos Moralistas

 


Horizonte

Demétrio Sena - Magé 

É um desperdício de vida, quando alguém realiza sonhos, obtém conquistas, forma uma linda família e depois vive amago, porque os admiradores esperados não "curtem". Não enaltecem. Não "seguem" na web. Aí a pessoa acusa meio mundo de inveja, "olho gordo" e "torcida contra", como se ela fosse uma estrela "flopada"; um deus (ou deusa) cancelado por "internautas" que ela também não curte, não enaltece, não segue nem diz "que lindo!", "você é demais!". Será que o que buscamos é justamente a inveja coletiva, o "olho gordo" corporativo, e tudo só faz sentido se for assim?  Será que um dia filmaremos até os nossos momentos mais íntimos, para mostrarmos no "Insta" ou no "Feice", como somos bem resolvidos, não sendo? 

Cuidado: podemos desenvolver uma inveja real e irresistível de quem consegue nos olhar de forma horizontal; com igualdade... a tal ponto que "torce" e fica feliz por nós em silêncio, acreditando que somos realmente felizes pelo que somos, e por nossas conquistas, independente de aplausos. Quando queremos a todo custo, que a nossa vida seja um reality show de sucesso absoluto e ininterrupto, estamos bem próximos de uma camisa-de-força, para contenção da nossa inveja de quem consegue não ter inveja, principalmente de nós. É algo primordial, conseguirmos conceber uma sociedade na qual ninguém olhe de baixo nem de cima para ninguém. A horizontalidade na forma de nos olharmos é o que pode salvar o mundo.

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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Pequenino eu

Demétrio Sena - Magé 

Ninguém nem tente me comover com clichês. Nem com as grandes produções direcionadas à comoção específica ou coletiva. Chantagens emocionais não me compram. As comoções produzidas não me arrebatam. A minha concepção de milagre opera silenciosamente; à meia luz. Minha cura pode ser a força de quando serei desenganado. Meu prodígio não grita; sussurra. Prefiro me pautar pela humildade passiva da esperança, a ser arrastado pela arrogância saltitante da fé que a teologia da grandeza e do sucesso tornou pop. Levou pros palcos... pros estádios.

Ainda que Deus Exista, e pode até ser, não é a Ele que pretendo chegar, e sim, ao mais profundo, inusitado e pequenino eu que mora dentro de quem eu julgo ser. Compreender o significado da própria insignificância seria o ato mais grandioso e sublime da minha baldeação nesta vida... na viagem para não sei qual plano do universo, em suas naturezas física e gasosa. Não me ofereça uma religião... não tente vender para minha carência um suposto plano pós-morte cujas letras miúdas perderam a vergonha e se tornaram garrafais na exposição da fraude.

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quarta-feira, 20 de maio de 2026

De Trabalho e Dignidade

Demétrio Sena - Magé 


Antes do meu ingresso no emprego público, perdi muitos empregos. E nunca foi fácil conseguir outro. Então eu trabalhava como ambulante, camelô, vendedor de livros e o que mais viesse à mente, até ingressar em um novo emprego formal que me parecesse digno.

Insatisfeito com patrões, por não ter direitos atendidos e por me sentir desrespeitado como trabalhador e ser humano, eu não pedia demissão; fazia os patrões ficarem insatisfeitos comigo e me demitirem. Se eu já era surrupiado por eles em tantos direitos, por que lhes daria esse prazer de me retirar sem receber todos os direitos de quem é dispensado sem justa causa? Jamais aceitei premiar uma empresa onde sofri injustiças, assédio moral, salário abaixo do piso, registro em carteira inferior ao meu ofício e jornadas análogas à escravidão. 

Nem precisava fazer "armações": era só começar a cobrar meus direitos, cuidar da minha saúde, não trabalhar passando mal, me negar a fazer o que não era minha obrigação e ainda excedia os meus horários. No mais, era só agir cuidadosamente para colher provas do assédio moral, das exigências descabidas acompanhadas de coações e ameaças (evidentes ou veladas) e da sonegação dos meus direitos, para ingressar na justiça trabalhista sem chance de ser desmentido, pois a justiça sempre reluta em fazer justiça pelo trabalhador.

Eu tinha medo de perder meus empregos, mas perder a dignidade sempre me apavorou muito mais. Recuso qualquer ideia de servidão, no trabalho e na vida secular em um todo. Sou capaz de suportar muita coisa, mas não consigo abrir mão de me sentir gente. 
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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Inteligência Natural

Demétrio Sena - Magé 

Aceito e uso, porque não seria possível não usar a caneta, o computador ou as teclas do celular, para o curso da minha escrita. Igualmente, usaria uma britadeira, se precisasse quebrar brita. Pintar demanda tinta, pincel, tela, cavalete... mas nada pinta por mim. Não sou eu ferramenta, insumo, suporte. A inteligência é minha. O dom é meu.

Usarei violão, ou piano, qualquer outro instrumento, para dar cifras ao poema que desejo transformar em canção. Mas quem há de  compor a canção sou eu. Do início ao fim. Para tudo que fizermos, usaremos matéria-prima, ferramenta e/ou insumo. Qualquer produção imaginável, de maior ou menor dimensão, exigirá com o que, do que e sobre o que se faça ou se realize.

A inteligência artificial é o produto mais controverso da humanidade. Acho inconcebível que o ser humano tenha feito algo para se tornar, ele mesmo, ferramenta desse algo, no campo da criatividade: as artes; a literatura; o lúdico. Admito e aceito a inteligência artificial, mas não aceito a sua batuta como substituição do meu dom, do meu toque pessoal, da minha personalidade criativa.

Não quero ser um plagiador, ainda que isso tenha se tornado criminosamente permitido, por esse truque de fragmentação cibernética. Pior ainda: não quero ser mais um desses plagiadores que nem plagiar sabem mais: tornaram-se criminosos on-line dependentes dos comandos que se sobrepõem aos comandos que eles fingem dar.

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segunda-feira, 11 de maio de 2026

O Coachar dos Coachs

Demétrio Sena - Magé 

Geralmente, os coachs não têm responsabilidade com o que dizem. Na maioria das vezes, dão conselhos desastrosos que promovem discriminação, racismo e soberba nos ambientes coletivos. Nas empresas, promovem auto estima elevada em alguns funcionários e baixa auto estima em outros, com avaliações baseadas muito mais em simpatias pessoais de chefes do que no profissionalismo e na competência dos agraciados ou não. Exclusão, separarismo e comparações coletivas adoecem emocionalmente uns, instigam o narcisismo de outros e fazem dos ambientes de trabalho verdadeiros ringues, onde os egos se digladiam em busca da mesma visibilidade.

Aconselhados por esses profissionais sem formação acadêmica em especialidade alguma, diretores empresariais contratam ou promovem chefes "brabos". Chefes que assediam moralmente, pressionam à exaustão e obrigam seus comandados a cargas horárias e volumes desumanos de trabalho. Uma competência questionável que deixa todos extenuados e, com o tempo, comprometem seriamente os resultados produtivos e econômicos, porque ninguém é "de ferro" o tempo todo, por mais que precise do seu emprego. É nesse ponto que os profissionais "destacados" com elogios em discursos e/ou impressos caem adoentados pelo mesmo cansaço que os constrangidos com a invisibilidade por seus patrões. 

Por motivos e objetivos diversos, é assim nas empresas, nas igrejas, em outros ambientes religiosos e corporativos. Onde existe a coletividade, lá estão as disputas, as fogueiras do narcisismo e da vaidade fomentadas pelos profissionais formados em porcaria nenhuma; os coachs. Também são eles os grandes fomentadores ou conselheiros dos truques baixos políticos; das fake news e da formação dos gabinetes do ódio e do vale tudo por prestígio e voto. A falsidade, a truculência e a raiva sob os discursos do patriotismo e do livre arbítrio arbitrário e brutal para praticar intimidações e crimes é a grande funcionalidade ou influência doentia desses pseudo profissionais. Os coachs.

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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Cocô Coletivo e Outras "Emes"

Demétrio Sena - Magé 

Duvido muito da capacidade cognitiva de quem acredita que: em um país democrático (e laico), um governo mandaria famílias dividirem suas casas com pessoas estranhas, determinaria o fechamento das igrejas, criaria cartilha para que as escolas públicas ensinassem a ser gay; trans... além de tudo, baixaria uma lei para criação de banheiros em ambientes públicos, nos quais pessoas de sexos e gêneros diferentes fariam... cocô coletivo. Todo mundo junto, no local das necessidades fisiológicas.

Falta de capacidade cognitiva, sim, de muita gente... mas na maioria dos casos, falta de caráter. Pessoas que sabem que tudo isso é impossível, notícia falsa, grosseira, mas fingem que acreditam, por conveniência político-partidária e religiosidade fanática; sonsa; conspiratória. Teorias da conspiração que tentam destruir qualquer governo competente, humano e trabalhador que governe para todas as camadas sociais (especialmente os mais pobres), classes e religiões. Pessoas e corporações que tentam desqualificar aqueles políticos que, mesmo em campanhas eleitorais, não chantageiam fiéis nem fazem da religiosidade uma bandeira partidária desonesta, hipócrita, golpista e desigual.

Quer falar de pecado? Não sou religioso, mas vamos lá: segundo a Bíblia na qual você diz que acredita, mentira é pecado. Logo, fingir que acredita na mentira (ou que está em dúvida, mas ao mesmo tempo ajudar na divulgação dessa mentira ou dúvida), também é. No fim das contas: de que adianta você não fazer o tal cocô coletivo, porém transformar a sua língua em intestino grosso desarranjado, que não escolhe hora nem lugar para fazer o seu cocô verbal? Precisamos muito pensar nisto.

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domingo, 3 de maio de 2026

Sobre Arte e Cidadania

Demétrio Sena - Magé 


Posso até não gostar das "pegadas" musicais, mas quando há esses shows pop em Copacabana, com públicos de milhões, e artistas que celebram a paz, a liberdade, os direitos humanos e a diversidade, algo me deixa feliz: saber quantas pessoas não estão socadas em igrejas, fazendo nem ouvindo pregações de ódio, de preconceito, misoginia, intolerância, supremacia religiosa nem mentiras convenientes, naquelas misturas de religião com política extremista, golpista e de bajulação das elites que massacram o povo trabalhador... inclusive, os membros mais simples e trabalhadores dessas igrejas, que pensam que vão pro céu por terem sido capachos na terra.

Tenho a mesma sensação de alegria e conforto, embora quase sempre não esteja lá, quando vejo as mesmas celebrações da paz, da liberdade, o sonho, democracia, o bem viver e a diversidade humana, religiosa, cultural, nos mega eventos folclóricos, musicais e outros, como o carnaval, Rock in Rio e Lollapalooza... só não incluo os eventos sertanejos e gospel, porque esses estão contaminados pelas políticas anti-povo e democracia. No mais, me alegro e conforto ao ver quanta gente não está socada em templos, movimentos golpistas e outros eventos que celebram o fascismo, o massacre dos menos favorecidos, o poder político anti-povo e as elites. 
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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Esquerda - Direita: Vamos ver Quem é Quem?

Demétrio Sena - Magé 

É perfeitamente compreensível o sucesso da extrema-direita, quando quer barrar os projetos do governo em prol da população, e ao mesmo tempo, implementar seus projetos em benefício próprio: a extrema direita é capaz de tudo. Esses deputados e senadores da extrema direita fazem qualquer arruaça ou truque sujo possível. Cometem qualquer atrocidade, as piores formas de traição e truculência em prol de seus objetivos, que são sempre pessoais. Fabricam todas as notícias falsas e as distorções das verdadeiras.

A esquerda não utiliza os mesmos expedientes. Não tem coragem de fabricar mentiras nem talento para jogar sujo; enfrentar truculência com truculência, sujeira com sujeira. Falta capacidade na esquerda, para enganar pessoas simples, comprar lideranças religiosas (principalmente as evangélicas) e usar os nomes Deus, Cristo, Espírito Santo, "aleluias", "glórias" e outras exaltações para comover os cristãos mais desinformados, que acreditam em tudo que venha da boca de quem joga com a espiritualidade.

O foco destas linhas são os políticos, empresários, grandes líderes religiosos e outras figuras públicas extremistas, capazes de fazer grandes estragos na sociedade. Estragos que alcançam pessoas simples e desinformadas, para elas reproduzirem esses efeitos em seus iguais. Pessoas como aquelas que são facilmente convencidas, por exemplo: de que um governo da esquerda determinará a criação de banheiros, em locais públicos, para pessoas de todos os sexos e gêneros fazerem cocô juntos, por força de lei. Ou de que o cidadão que tem casa terá que dividi-la com moradores de rua, entre outras fake news que voltam de quatro em quatro anos, com sucesso.

Ninguém exija da esquerda o que a extrema-direita faz. A lei está sempre atrás da bandidagem; não à frente. Afinal, quem age dentro da lei precisa ter cuidado com a sociedade; pensar no cidadão comum. Pense na esquerda como a polícia responsável, que combate o bandido. Polícia responsável não atira para qualquer lado, porque há inocentes em perigo. Não acerta o bandido pelas costas nem aperta o gatilho com ele já rendido. Corre o risco de não alcançá-lo e até de ser atingida por ele, para não atingir inocentes.

Por outro lado, pense na extrema-direita como o bandido que a polícia combate. O bandido atira para qualquer lado, invade qualquer casa, faz reféns, ameaça todo mundo... não mede os atos nem as consequências. Aqui não se trata de polícia, especificamente, nem do bandido comum que é perseguido nas comunidades, mas essa é a retórica perfeita para entender ambos os lados da política. Reservadas as exceções de um e de outro lado, a esquerda é o mocinho. A extrema-direita...

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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Heróis Humanos

Demétrio Sena - Magé 


A quem sempre admirei tanto, e por isso foi a quem sempre quis impressionar, seguirá como quem sempre admirei tanto. A pessoa que amei a vida inteira, insistindo em uma parceria e com medo de perder de vista, não deixará de ser a pessoa que sempre amei. De quem sempre fui fã e jamais poupei de aplausos e procuras, nunca deixará de ser meu ídolo. Continuarei o mesmo fã.
Quem há muitas décadas é minha referência de coragem, enfrentamento à vida, e por isso tentei homenagear de todas as formas, algumas equivocadas e até invasivas, não deixará de ser minha referência. Meus sentimentos e minhas impressões de uma vida inteira não se desfarão por um ato inesperado; por um susto interno; só meu; pela frustração de um momento. Minhas manifestações é que precisam dar sossego a quem sempre bombardeei do meu melhor, mas às vezes de formas desconcertantes, trapalhonas e até caricatas. Inconvenientes.
O que alguém é para nós por décadas não pode ser um equívoco obrigatório determinado num piscar de olhos. Nossa ideia de perfeição do outro esbarra no excesso; no preciosismo que faz da entrega uma cobrança. Somos injustos, quando abrimos mão do todo por um detalhe: uma desarmonia depois de longeva simbiose. Os heróis de nossa realidade são seres humanos.
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domingo, 19 de abril de 2026

O Ateu e "As Mãos de Deus"

 O Ateu e As "Mãos de Deus"

Demétrio Sena - Magé 

O ateísmo não é a certeza; é o pressuposto da não Existência Divina. Ao invés da certeza de que Deus não Existe, o ateu acredita na não Existência; não acredita que, ainda que Deus Seja Real, o ser humano tenha condições de saber. Muito menos de saber quais são os Gostos, Desgostos, Prazeres, Preferências e Preconceitos Divinos. "Está escrito"? Sim; está. Escrito por homens. "Homens inspirados por Deus"? Aí é por conta da fé pessoal; do "acreditar em coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem, independente daquilo que vemos, ou ouvimos". Logo, fé não é uma ciência baseada em pesquisas físicas, evidências, escavações. É um sentimento; uma intuição; convicção abstrata. Louvável em quem a cultiva com coerência e princípios humanitários baseados na suposta espiritualidade. Porém deplorável em quem a usa como base de superioridade pessoal ou corporativa, por alguma forma de poder contra outra pessoa; outro grupo. 

Quem tem raiva de Deus não é ateu. Blásfemo sim, porque blasfêmia inclui ofensa ao divino. Ateu, não. Como pode alguém ter amor ou ódio do que não há? A raiva da imagem criada pelo ser humano para justificar o auto empoderamento e as ambições que o fazem subjugar é bem compreensível. Principalmente quando se é vítima dos preconceitos, da perseguição e até das atrocidades praticadas pelos que se armam até os dentes, de fé. Pelos que têm como Generais Carrrascos dos não religiosos ou religiosos diferentes, o suposto Deus e o próprio Cristo. Esse Cristo em quem muitos ateus acreditam como ser humano admirável, digno de ser seguido, a exemplo do que tantos cristãos não fazem, diariamente. Há muitas lendas em torno dos ateus, criadas pelos cristãos. Uma delas é de que o ateu é perverso; insensível; sem coração. É difícil para um ateu, acreditar em Um Ser Perfeito, criador de tantas imperfeições reunidas na sua maior criação. 

No fim das contas, o ateu é frágil. E a maior prova de que não é perverso, insensível, sem coração, está no quanto é perseguido pela sociedade religiosa como um todo, sem "dar o troco". Salvo "raras exceções" (perdoem a redundância, mas o raras é necessário neste caso, como exceção das exceções), não há notícias de religiosos vítimas de ateus. O que há, de forma vezeira e maciça, são notícias de ateus vítimas de religiosos armados até os dentes, de sua fé belicosa, intolerante. Fé que justifica suas armadilhas em nome do "deixar nas Mãos de Deus", com os devidos impulsos ou empurrões humanos, quando as Mãos de Deus estão prestes a deixá-los na mão. Aí vem plano b: Com as próprias mãos, em Nome de Deus. Viva um dia de ateu, buscando portas, corações, ombros, olhos, inclusão e oportunidades na sociedade que você compõe. Só assim você sentirá, no corpo e na alma, o que tento lhe dizer, mas apenas as palavras não dão conta.

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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Dos Puxadinhos Existenciais

Demétrio Sena - Magé 

Nós não mudamos, no mero contexto de deixarmos de ser quem somos. Mas ao longo dos anos passamos por algumas ou muitas reformas. Continuamos a ser nós mesmos, com os devidos puxadinhos determinados pelo tempo, de quem somos inquilinos. Algumas reformas nos melhoram (isso não deveria ter exceção), mas outras nos pioram, como pessoas voláteis que somos. 

Para sermos ilustrativos, a pergunta que não quer calar é: quem nunca foi vítima de um pedreiro lambão? Quem jamais contratou um profissional nem um pouco profissional? Temos escolhas equivocadas e, algumas vezes, péssimas escolhas propositais, por motivos que nós mesmos desconhecemos... e pelos quais lamentamos quando já não tem jeito. Ou tem, mas as sequelas nos penalizam.

Seremos quem somos até o fim do nosso tempo; é a nossa essência. Mas a consciência de nossas posturas pode contratar os melhores reformadores existenciais do cosmo. Baques pessoais e algumas observações de baques alheios podem nos reformar a contento. Mas vai depender muito das nossas escolhas e o discernimento do que pode ser um trabalho lambão em nós. 

Não nos tornemos piores, nos puxadinhos de quem somos, por pirraça contra o mundo ou contra nós mesmos. O arrependimento, quando já for tarde, poderá exigir que derrubemos quase tudo em nós, para recomeçarmos quase do pó. Isso é muito sofrido, as sequelas são profundas, e o pior de tudo: pode não haver mais tempo de vivermos plenamente o nosso novo eu.

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terça-feira, 14 de abril de 2026

Sobre a Nossa Ignorância

Demétrio Sena - Magé 


Então você determina, por ignorância e soberba, e com base no livro sagrado de sua religião, que o seguidor de outro livro irá pro suposto inferno, depois da morte. Ao mesmo tempo, o seguidor do livro sagrado de outra religião determina, pela mesmíssima ignorância e semelhante soberba, que você, como seguidor de outro livro sagrado, é que irá pro inferno.
São muitas, as diferentes escrituras que regem religiões diferentes. Todas elas determinam entre si, que as outras escrituras são falsas. Algumas até regidas pelas mesmas escrituras dizem que as interpretações das outras estão erradas. Que os outros seguidores estão em caminhos de perdição. Em todos esses casos, a ignorância e a soberba estão acima do amor pregado por todas as religiões. O desejo de colocar cabresto no outro e dominar todas as outras vertentes alcançáveis de fé se torna maior do que a própria fé como um todo. 
Em minha ignorância como ser humano, sou avesso à fé religiosa. Qualquer fé. Meu ateísmo nunca tentou garantir que as religiões, quaisquer que sejam, não valem nada. Nem consigo assegurar a mim mesmo que o meu caminho tem um destino seguro. Apenas me sinto em paz. Enquanto me sentir em paz, não entrarei em nenhuma guerra para provar que minha ignorância e minha soberba são superiores à ignorância e à soberba do outro.
Leio muitos livros. Quase todos profanos. Alguns sagrados, porque valorizo conhecer as ignorâncias e sabedorias diversas. Ninguém os lê para mim nem compreende ou decodifica por mim. Sou pela diversidade; o meu tema é a simbiose de realidades, culturas e desafios do mundo. Considero sagrado ser livre para sentir, decidir e pensar por minha conta e risco.
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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Cristianismo "Véi de Guerra"

Demétrio Sena - Magé 

Segundo a Bíblia (na qual não acredito, mas você arrota que acredita e não mostra isso), quando "Deus" percebeu as burradas que já tinha feito, baseadas em truculência, vinganças, catástrofes e guerras, arrependeu-se profundamente. Nesse grande arrependimento, Ele mostrou que não era um caso perdido e, na pele de Cristo, veio ao mundo para fazer tudo diferente. É nesse ponto que chego a admirar a mitologia Deus. Na humildade para se arrepender, e de certa forma pedir perdão ao ser humano, entregando-se aos infortúnios e à tragédia de chegar tão perto da própria criação.

"Deus" deu com os burros n'água. O ser humano já estava muito parecido com Ele no Velho Testamento bíblico: truculento, vingativo, sanguinário, sedento por guerras e outras atrocidades. Em outras palavras, ou em linguagem dos nossos dias, o ser humano já estava muito extrema-direita, para se consertar uniformemente. A figura de Cristo, pela maioria dos homens, acabou sendo vista como fraca, sensível de mais, ou frouxa, em suas tentativas de resolver tudo pelo amor, o entendimento, a palavra branda. O único momento em que o ser humano admira Jesus Cristo, até hoje, é justamente o momento em que ele perdeu o controle, as estribeiras, e meteu a porrada em meia dúzia de vendilhões. Aí sim, Jesus Cristo mostrou que era homem. Ou que era Deus.

O mundo inteiro está extremista e, como diz a Bíblia, jaz no maligno; ou jaz no Deus odioso do Velho Testamento. Nos países que se dizem cristãos, ninguém segue os passos de Cristo. Há um livro de autor norte-americano, com o título "Em seus Passos o Que Faria Jesus?", que se tornou best seller, mas que foi lido como a Bíblia. Com ignorância, distorção e aquela seletividade que fomenta o empoderamento religioso perverso, inquisitorial, imperialista, belicoso... de má fé. Não conheço o autor e não posso julgar, mas ele é (ou era) cristão, e dos cristãos, principalmente os norte-americanos, a exemplo dos brasileiros, o que se há de esperar que não seja manipulação para o poder?

No Brasil, estamos próximos de uma eleição presidencial. Sabe o que estão fazendo os cristãos, especialmente os evangélicos, que se julgam mais cristãos do que o próprio Cristo? Eu conto: unindo forças entre si, a favor de um pré-candidato perverso, que promete acabar com direitos trabalhistas, prejudicar cada cidadão pobre, para deixar os ricos mais ricos. Um pré-candidato que foi aos Estados Unidos tentar entregar nosso país; pedir que o presidente de lá nos colonize; se necessário for, pela força. Esses cristãos se reúnem com orações, cânticos e louvores iniciais, para depois tramarem contra os brasileiros que pensam diferente; os religiosos de outras vertentes; os pobres que não aceitam ser tratados como marionetes; os trabalhadores e as mulheres que não se submetem ao machismo. 

O que temos de bom, é que no Brasil muitos estão acordando. Estão deixando as igrejas e voltando a ser humanos. Alguns estão até conseguindo ficar em suas igrejas e conscientizar os irmãos "de fé de má fé" sobre o verdadeiro cristianismo: o dos humildes; dos trabalhadores; dos menos favorecidos; os que não se julgam superiores, como os fariseus se julgavam, e dos que não misturam política partidária com religião, buscando empoderamento terreno para serem maioria e massacrarem as minorias. É nisto que a minha esperança e a de muitos ainda se sustenta.

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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Das Tradições Religiosas

Demétrio Sena - Magé 

Tanto faz para nós, que o mundo esteja em conflito, que o próximo passe fome, adoeça e morra sem dignidade? Não importa nada, se nós cometemos feminicídio; perseguimos os religiosos de outras vertentes e os não religiosos? "E daí" se apoiamos genocídio, pedimos até que outro país ataque o nosso e odiamos quem pensa diferente de nós? É isso mesmo? Pouco importa que misturemos nossa religião com política raivosa; com o vale tudo pelo poder (do minúsculo ao maior), para massacrarmos as minorias, os que têm menos, e quem é invisibilizado pela sociedade que também nos rodeia? 
O que fazemos de perverso no dia a dia não conta? O importante, mesmo, é que nós comamos panelas de canjica e peixe na sexta-feira santa e caminhões de chocolates no domingo de Páscoa, depois de termos malhado o nosso semelhante, Judas, no sábado de aleluia? "Será que ouvi um aleluia"? Essa é a nossa religiosidade, o resumo da nossa crença em um homem que foi puro amor, humildade, paz, perdão,  acolhimento e aceitação plena do ser humano? Desculpe se atrapalho seu ritual; seu cardápio; sua firula. Mas precisava mesmo refletir com você sobre questões tão óbvias da religiosidade. 
Se a quaresma, "sexta santa", Páscoa, Corpus Christi, Natal, missas, cultos e rituais não nos tornam melhores, temos que rever a nós mesmos. Repensar nossos atos e sentimentos, desatrelados de obrigações institucionais que nos engessam sem atingir a alma, o caráter, a sensibilidade. O próximo é a razão e o princípio das nossas empreitadas ditas espirituais. Desconheço um religioso consciente de que o próximo é quem está próximo e distante; quem é igual e diferente; professa ou não a mesma fé ou nem acredita em nada.
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