terça-feira, 7 de julho de 2026
segunda-feira, 6 de julho de 2026
Perdemos a Copa e o Futebol
Demétrio Sena - Magé
Décadas atrás, quando no auge da sua melhor forma, e detentor do mais belo e convincente futebol mundial, do nada o Brasil decidiu jogar como a Europa: um futebol mecânico, duro e direto ao ponto. Sem arte; sem encanto; sem a coreografia que arrancava risos e culminava em gols inacreditáveis... em pinturas inacreditáveis feitas com os pés.
O futebol mecânico deu alguns resultados, até que toda a Europa superou as nossas habilidades, porque afinal, tratava-se da Europa jogando o seu futebol de raça contra o nosso futebol vira-lata, que ficou no meio do caminho. Enquanto isso, a França foi descobrindo aos poucos a velha ginga brasileira do futebol, com todo o tempo do mundo para aperfeiçoá-la sem perder a raça europeia no jogo.
O que vemos nesta Copa do Mundo é a pura essência daquele nosso futebol nos pés da seleção francesa. Estamos nos vendo em campo, através do Mbapé, Dembélé e companhia. A propósito, o Dembélé (lê-se Dembelê) até lembra a introdução vocal do brasileiríssimo samba do cantor e compositor Benito di Paula. Quem não se lembra do seu "diguedê, diguedê, diguedê"? Quase ouço um sonoro "Dembelê, Dembelê, Dembelê! Agora chegou a vez, vou cantar... 🎶".
A Argentina "bate um balão", com o seu estilo nunca mudado; as seleções africanas, com sua força e vontade sincera de jogar, têm feito história... ficam pelo caminho, mas deixam suas marcas.... a França faz essa simbiose, com sucesso e garra, enquanto as outras seleções da Europa se aperfeiçoam dentro das próprias características, com o mesmo sucesso.
O Brasil? Nem o futebol mecânico Europeu nem o futebol magia que se tornou pentacampeão jogando "pelada"; dando show. Revelando craques que assombravam "na hora do vamos ver". Temos ainda craques (lá na Europa), mas nunca mais tivemos um jogador endiabrado, classificado como etê, porque ninguém decifrava o seu jogo.
É difícil saber quem vencerá esta Copa. A partir de agora, ninguém passa vergonha, por não chegar lá. Mas que a França tem tudo para levar essa, isso tem. E se assim for, veremos o nosso velho futebol magia, jogado por outros pés, conquistar uma taça que aquele Brasil que já não somos tinha tudo para conquistar. Seríamos hexa, ou além, se ainda fôssemos nós.
Talvez ninguém devesse me levar tão a sério; afinal não jogo, estudo nem acompanho futebol no dia a dia. Porém sou poeta, e minha visão de tudo isso é poética. O Brasil ganhava nas copas e nos outros torneios internacionais, porque dominava uma poesia que o mundo não interpretava, nos estádios de futebol.
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sexta-feira, 3 de julho de 2026
segunda-feira, 29 de junho de 2026
domingo, 28 de junho de 2026
sexta-feira, 26 de junho de 2026
Para Engambelar Jesus
Demétrio Sena - Magé
quarta-feira, 24 de junho de 2026
domingo, 21 de junho de 2026
sexta-feira, 19 de junho de 2026
Honestidades Marmóreas
Demétrio Sena - Magé
terça-feira, 16 de junho de 2026
terça-feira, 9 de junho de 2026
Superficialidade Humana
domingo, 7 de junho de 2026
Conjugal
sábado, 6 de junho de 2026
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Individualismos Coletivos
Demétrio Sena - Magé
Em um evento coletivo que reúne fazedores de cultura, não deveria existir qualquer disputa ou guerra de egos. Ninguém deveria estar ali só por si mesmo, mas por todos os participantes e, principalmente, o público. Dessa forma todos prestigiariam, seriam prestigiados por todos, e teriam seu espaço respeitado.
Aplaudir o outro, depois de assistir atentamente ao que ele preparou para propor ou apresentar, é uma demonstração de grandeza, ética e respeito, que deveria fluir de cada poeta, artista e qualquer outra pessoa que tenha o que oferecer, junto com outros participantes. Quem fica sempre ansioso pela própria participação e acaba não assistindo a nada... quem extrapola o seu espaço ou sua vez, quando participa, e quem se apresenta e sai sem oferecer atenção a quem vem depois, têm traços ou o pacote inteiro de narcisismo e mania de grandeza.
O coletivo não pode ser prejudicado ou interrompido pela crise de ansiedade, a pressa nem o estrelismo de quem pensa que o momento é só seu ou quase. Quem acha que foi ali para "vender seu peixe" e fazer o do outro encalhar ou apodrecer na fila rompida, na sua demora não combinada ou no esvaziamento da assistência depois do seu tempo estabelecido, não sabe viver nem agir em sociedade. Muito menos em um evento cultural coletivo.
Precisamos (também me refiro a mim) rever o nosso individualismo em encontros, eventos e "perfis" com a proposta de compartilhar. Geralmente não sabemos trocar, e quando trocamos, queremos levar vantagem; sobressair ao outro. É um "venha a mim" que torna tudo robótico e tenso, ainda que as aparências neguem.
Para ser verdadeiro, nada disso é pra você. É pra mim. Muitas vezes me flagro com esse comportamento, e preciso me convencer a não repeti-lo.
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quarta-feira, 3 de junho de 2026
quinta-feira, 28 de maio de 2026
De Chorar
segunda-feira, 25 de maio de 2026
Carta Aberta a um Coração Fechado
Prezado (?) Luciano Huck:
Minha mãe criou sozinha nove filhos. Nove. Ela trabalhava como diarista e os filhos mais velhos - eu sou um deles - vendiam picolé, bala, salgadinhos e ferro velho. Mesmo assim, sentimos muita fome; passamos muito frio; ficamos doentes sem socorro médico; fomos expulsos de muitos quartinhos de vilas, e moramos em granja abandonada, porque nossa mãe não tinha como continuar pagando os aluguéis, mesmo sendo baratos.
Se nos longos anos de nossa criação existissem os programas sociais que existem hoje, não teríamos passado por tanta fome; tanta penúria, em um todo. Se os governos da ditadura, dos quais você parece ter saudades, tivessem criado o Bolsa-família, o Pé-de-meia, o Minha Casa Minha Vida, o Loas (para minha "esquisitice" que ainda não tinha laudo) e tantos outros programas, todos criados por governos da esquerda e "similares", teríamos até estudado no tempo certo. Nossa mãe teria continuado a trabalhar, porém menos, e teríamos tido mais a sua companhia, o seu colo e mais abraços. Nós, os filhos, teríamos trabalhado em meio período, como Jovens Aprendizes, e não teríamos feito parte das estatísticas de evasão escolar. Tendo estudado sem fome nem medo dela, teríamos começado a trabalhar formalmente bem mais cedo, e com isso, contribuído mais cedo com a previdência, os impostos e as taxas que ajudam a possibilitar governabilidade. Mais um dado para você: os deficientes físicos, visuais, mentais e neurológicos que hoje também consomem e geram economia, geralmente pediam esmolas, antes da criação dos benefícios sociais.
Você sabe que o dinheiro dos programas sociais também movimenta a economia; não deixa o país estagnar e ajuda você a enriquecer ainda mais. Quer saber como? É evidente que você sabe, mas tem lapsos de memória e por isso diz besteira. Então eu vou dizer: graças aos programas sociais que você critica, esses milhões de brasileiros e brasileiras assistidos pelo governo podem comprar um televisorzinho. Graças a isso, assistem (inadvertidamente) ao seu programa dominical. E por essa audiência, os mega empresários investem, patrocinam, parceirizam. Isso mantém o seu programa, seu salário milionário, seus super cachês por anúncios publicitários e aparições. Viu só? Não é o seu dinheiro que alimenta os pobres; são os pobres que geram seu dinheiro e dão cada vez mais audiência à sua ingratidão.
E antes que você diga, mais uma vez em rede nacional: "mas também, para quê tantos filhos?", respondo, e não é opinião; é fato: Patriarcado, Luciano. Alimentado pelos políticos da ditadura crua e os da ditadura em banho-maria, que deixaram herdeiros. Patriarcado em parceria com religiões que reduzem as mulheres a procriadoras e servas do lar. Se hoje isso é mais disfarçado, mas existe ainda, imagine como já foi? As religiões que orientam as mulheres a serem "coelhas" dos homens são as mesmas que representam e negociam os votos de milhões de homens e mulheres pobres, desinformados e simples, como toda a elite gosta, para se manter dominante. Gosta, mas critica os programas que mantém as pessoas (bem) menos favorecidas respirando.
"Ah, e tem muita gente que não precisa e recebe os benefícios!". Pode ser. Muita gente mais perto da sua classe social do que da classe pobre e trabalhadora. O problema não é a existência dos programas sociais; é a existência dessas pessoas de má fé que ajudam a acentuar a má fé dos que desqualificam ajudas. Acho realmente uma pena que você, após tantas convivências relâmpago com pessoas pobres, para entregar os prêmios filtrados de seus bingos televisivos, não tenha se tornado mais empático, solidário e sensível. Também é muito espetáculo, muita ribalta, muito choro ensaiado e discurso que plagia discursos anteriores. Isso pode realmente ser desgastante. Ainda assim é uma pena que você nunca tenha saído da bolha, mesmo saindo às ruas e se misturando, algumas ou muitas vezes.
Seja como for, tenho algo a lhe agradecer. Agradeço, de todo o coração, por você não ter levado à frente aquela pré-ideia de se tornar presidente do Brasil. E também por não ter tentado uma vaga no congresso. Você é muito persuasivo; com o tempo, conseguiria muito apoio para devolver o país às piores fases da fome popular. Já chega de bolsonaristas! Dos declarados e dos bolsonaristas "nem Lula nem Bolsonaro".
Atenciosamente,
Demétrio Sena - Magé, 26 de maio de 2026
domingo, 24 de maio de 2026
Horizonte
Demétrio Sena - Magé
É um desperdício de vida, quando alguém realiza sonhos, obtém conquistas, forma uma linda família e depois vive amago, porque os admiradores esperados não "curtem". Não enaltecem. Não "seguem" na web. Aí a pessoa acusa meio mundo de inveja, "olho gordo" e "torcida contra", como se ela fosse uma estrela "flopada"; um deus (ou deusa) cancelado por "internautas" que ela também não curte, não enaltece, não segue nem diz "que lindo!", "você é demais!". Será que o que buscamos é justamente a inveja coletiva, o "olho gordo" corporativo, e tudo só faz sentido se for assim? Será que um dia filmaremos até os nossos momentos mais íntimos, para mostrarmos no "Insta" ou no "Feice", como somos bem resolvidos, não sendo?
Cuidado: podemos desenvolver uma inveja real e irresistível de quem consegue nos olhar de forma horizontal; com igualdade... a tal ponto que "torce" e fica feliz por nós em silêncio, acreditando que somos realmente felizes pelo que somos, e por nossas conquistas, independente de aplausos. Quando queremos a todo custo, que a nossa vida seja um reality show de sucesso absoluto e ininterrupto, estamos bem próximos de uma camisa-de-força, para contenção da nossa inveja de quem consegue não ter inveja, principalmente de nós. É algo primordial, conseguirmos conceber uma sociedade na qual ninguém olhe de baixo nem de cima para ninguém. A horizontalidade na forma de nos olharmos é o que pode salvar o mundo.
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sexta-feira, 22 de maio de 2026
Pequenino eu
Demétrio Sena - Magé
Ninguém nem tente me comover com clichês. Nem com as grandes produções direcionadas à comoção específica ou coletiva. Chantagens emocionais não me compram. As comoções produzidas não me arrebatam. A minha concepção de milagre opera silenciosamente; à meia luz. Minha cura pode ser a força de quando serei desenganado. Meu prodígio não grita; sussurra. Prefiro me pautar pela humildade passiva da esperança, a ser arrastado pela arrogância saltitante da fé que a teologia da grandeza e do sucesso tornou pop. Levou pros palcos... pros estádios.
Ainda que Deus Exista, e pode até ser, não é a Ele que pretendo chegar, e sim, ao mais profundo, inusitado e pequenino eu que mora dentro de quem eu julgo ser. Compreender o significado da própria insignificância seria o ato mais grandioso e sublime da minha baldeação nesta vida... na viagem para não sei qual plano do universo, em suas naturezas física e gasosa. Não me ofereça uma religião... não tente vender para minha carência um suposto plano pós-morte cujas letras miúdas perderam a vergonha e se tornaram garrafais na exposição da fraude.
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quarta-feira, 20 de maio de 2026
De Trabalho e Dignidade
Demétrio Sena - Magé
domingo, 17 de maio de 2026
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Inteligência Natural
Demétrio Sena - Magé
Aceito e uso, porque não seria possível não usar a caneta, o computador ou as teclas do celular, para o curso da minha escrita. Igualmente, usaria uma britadeira, se precisasse quebrar brita. Pintar demanda tinta, pincel, tela, cavalete... mas nada pinta por mim. Não sou eu ferramenta, insumo, suporte. A inteligência é minha. O dom é meu.
Usarei violão, ou piano, qualquer outro instrumento, para dar cifras ao poema que desejo transformar em canção. Mas quem há de compor a canção sou eu. Do início ao fim. Para tudo que fizermos, usaremos matéria-prima, ferramenta e/ou insumo. Qualquer produção imaginável, de maior ou menor dimensão, exigirá com o que, do que e sobre o que se faça ou se realize.
A inteligência artificial é o produto mais controverso da humanidade. Acho inconcebível que o ser humano tenha feito algo para se tornar, ele mesmo, ferramenta desse algo, no campo da criatividade: as artes; a literatura; o lúdico. Admito e aceito a inteligência artificial, mas não aceito a sua batuta como substituição do meu dom, do meu toque pessoal, da minha personalidade criativa.
Não quero ser um plagiador, ainda que isso tenha se tornado criminosamente permitido, por esse truque de fragmentação cibernética. Pior ainda: não quero ser mais um desses plagiadores que nem plagiar sabem mais: tornaram-se criminosos on-line dependentes dos comandos que se sobrepõem aos comandos que eles fingem dar.
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segunda-feira, 11 de maio de 2026
O Coachar dos Coachs
Demétrio Sena - Magé
Geralmente, os coachs não têm responsabilidade com o que dizem. Na maioria das vezes, dão conselhos desastrosos que promovem discriminação, racismo e soberba nos ambientes coletivos. Nas empresas, promovem auto estima elevada em alguns funcionários e baixa auto estima em outros, com avaliações baseadas muito mais em simpatias pessoais de chefes do que no profissionalismo e na competência dos agraciados ou não. Exclusão, separarismo e comparações coletivas adoecem emocionalmente uns, instigam o narcisismo de outros e fazem dos ambientes de trabalho verdadeiros ringues, onde os egos se digladiam em busca da mesma visibilidade.
Aconselhados por esses profissionais sem formação acadêmica em especialidade alguma, diretores empresariais contratam ou promovem chefes "brabos". Chefes que assediam moralmente, pressionam à exaustão e obrigam seus comandados a cargas horárias e volumes desumanos de trabalho. Uma competência questionável que deixa todos extenuados e, com o tempo, comprometem seriamente os resultados produtivos e econômicos, porque ninguém é "de ferro" o tempo todo, por mais que precise do seu emprego. É nesse ponto que os profissionais "destacados" com elogios em discursos e/ou impressos caem adoentados pelo mesmo cansaço que os constrangidos com a invisibilidade por seus patrões.
Por motivos e objetivos diversos, é assim nas empresas, nas igrejas, em outros ambientes religiosos e corporativos. Onde existe a coletividade, lá estão as disputas, as fogueiras do narcisismo e da vaidade fomentadas pelos profissionais formados em porcaria nenhuma; os coachs. Também são eles os grandes fomentadores ou conselheiros dos truques baixos políticos; das fake news e da formação dos gabinetes do ódio e do vale tudo por prestígio e voto. A falsidade, a truculência e a raiva sob os discursos do patriotismo e do livre arbítrio arbitrário e brutal para praticar intimidações e crimes é a grande funcionalidade ou influência doentia desses pseudo profissionais. Os coachs.
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domingo, 10 de maio de 2026
quarta-feira, 6 de maio de 2026
Cocô Coletivo e Outras "Emes"
Demétrio Sena - Magé
Duvido muito da capacidade cognitiva de quem acredita que: em um país democrático (e laico), um governo mandaria famílias dividirem suas casas com pessoas estranhas, determinaria o fechamento das igrejas, criaria cartilha para que as escolas públicas ensinassem a ser gay; trans... além de tudo, baixaria uma lei para criação de banheiros em ambientes públicos, nos quais pessoas de sexos e gêneros diferentes fariam... cocô coletivo. Todo mundo junto, no local das necessidades fisiológicas.
Falta de capacidade cognitiva, sim, de muita gente... mas na maioria dos casos, falta de caráter. Pessoas que sabem que tudo isso é impossível, notícia falsa, grosseira, mas fingem que acreditam, por conveniência político-partidária e religiosidade fanática; sonsa; conspiratória. Teorias da conspiração que tentam destruir qualquer governo competente, humano e trabalhador que governe para todas as camadas sociais (especialmente os mais pobres), classes e religiões. Pessoas e corporações que tentam desqualificar aqueles políticos que, mesmo em campanhas eleitorais, não chantageiam fiéis nem fazem da religiosidade uma bandeira partidária desonesta, hipócrita, golpista e desigual.
Quer falar de pecado? Não sou religioso, mas vamos lá: segundo a Bíblia na qual você diz que acredita, mentira é pecado. Logo, fingir que acredita na mentira (ou que está em dúvida, mas ao mesmo tempo ajudar na divulgação dessa mentira ou dúvida), também é. No fim das contas: de que adianta você não fazer o tal cocô coletivo, porém transformar a sua língua em intestino grosso desarranjado, que não escolhe hora nem lugar para fazer o seu cocô verbal? Precisamos muito pensar nisto.
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terça-feira, 5 de maio de 2026
domingo, 3 de maio de 2026
Sobre Arte e Cidadania
Demétrio Sena - Magé
quinta-feira, 30 de abril de 2026
Esquerda - Direita: Vamos ver Quem é Quem?
Demétrio Sena - Magé
É perfeitamente compreensível o sucesso da extrema-direita, quando quer barrar os projetos do governo em prol da população, e ao mesmo tempo, implementar seus projetos em benefício próprio: a extrema direita é capaz de tudo. Esses deputados e senadores da extrema direita fazem qualquer arruaça ou truque sujo possível. Cometem qualquer atrocidade, as piores formas de traição e truculência em prol de seus objetivos, que são sempre pessoais. Fabricam todas as notícias falsas e as distorções das verdadeiras.
A esquerda não utiliza os mesmos expedientes. Não tem coragem de fabricar mentiras nem talento para jogar sujo; enfrentar truculência com truculência, sujeira com sujeira. Falta capacidade na esquerda, para enganar pessoas simples, comprar lideranças religiosas (principalmente as evangélicas) e usar os nomes Deus, Cristo, Espírito Santo, "aleluias", "glórias" e outras exaltações para comover os cristãos mais desinformados, que acreditam em tudo que venha da boca de quem joga com a espiritualidade.
O foco destas linhas são os políticos, empresários, grandes líderes religiosos e outras figuras públicas extremistas, capazes de fazer grandes estragos na sociedade. Estragos que alcançam pessoas simples e desinformadas, para elas reproduzirem esses efeitos em seus iguais. Pessoas como aquelas que são facilmente convencidas, por exemplo: de que um governo da esquerda determinará a criação de banheiros, em locais públicos, para pessoas de todos os sexos e gêneros fazerem cocô juntos, por força de lei. Ou de que o cidadão que tem casa terá que dividi-la com moradores de rua, entre outras fake news que voltam de quatro em quatro anos, com sucesso.
Ninguém exija da esquerda o que a extrema-direita faz. A lei está sempre atrás da bandidagem; não à frente. Afinal, quem age dentro da lei precisa ter cuidado com a sociedade; pensar no cidadão comum. Pense na esquerda como a polícia responsável, que combate o bandido. Polícia responsável não atira para qualquer lado, porque há inocentes em perigo. Não acerta o bandido pelas costas nem aperta o gatilho com ele já rendido. Corre o risco de não alcançá-lo e até de ser atingida por ele, para não atingir inocentes.
Por outro lado, pense na extrema-direita como o bandido que a polícia combate. O bandido atira para qualquer lado, invade qualquer casa, faz reféns, ameaça todo mundo... não mede os atos nem as consequências. Aqui não se trata de polícia, especificamente, nem do bandido comum que é perseguido nas comunidades, mas essa é a retórica perfeita para entender ambos os lados da política. Reservadas as exceções de um e de outro lado, a esquerda é o mocinho. A extrema-direita...
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quarta-feira, 29 de abril de 2026
quarta-feira, 22 de abril de 2026
segunda-feira, 20 de abril de 2026
Heróis Humanos
Demétrio Sena - Magé
domingo, 19 de abril de 2026
O Ateu e "As Mãos de Deus"
O Ateu e As "Mãos de Deus"
Demétrio Sena - Magé
O ateísmo não é a certeza; é o pressuposto da não Existência Divina. Ao invés da certeza de que Deus não Existe, o ateu acredita na não Existência; não acredita que, ainda que Deus Seja Real, o ser humano tenha condições de saber. Muito menos de saber quais são os Gostos, Desgostos, Prazeres, Preferências e Preconceitos Divinos. "Está escrito"? Sim; está. Escrito por homens. "Homens inspirados por Deus"? Aí é por conta da fé pessoal; do "acreditar em coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem, independente daquilo que vemos, ou ouvimos". Logo, fé não é uma ciência baseada em pesquisas físicas, evidências, escavações. É um sentimento; uma intuição; convicção abstrata. Louvável em quem a cultiva com coerência e princípios humanitários baseados na suposta espiritualidade. Porém deplorável em quem a usa como base de superioridade pessoal ou corporativa, por alguma forma de poder contra outra pessoa; outro grupo.
Quem tem raiva de Deus não é ateu. Blásfemo sim, porque blasfêmia inclui ofensa ao divino. Ateu, não. Como pode alguém ter amor ou ódio do que não há? A raiva da imagem criada pelo ser humano para justificar o auto empoderamento e as ambições que o fazem subjugar é bem compreensível. Principalmente quando se é vítima dos preconceitos, da perseguição e até das atrocidades praticadas pelos que se armam até os dentes, de fé. Pelos que têm como Generais Carrrascos dos não religiosos ou religiosos diferentes, o suposto Deus e o próprio Cristo. Esse Cristo em quem muitos ateus acreditam como ser humano admirável, digno de ser seguido, a exemplo do que tantos cristãos não fazem, diariamente. Há muitas lendas em torno dos ateus, criadas pelos cristãos. Uma delas é de que o ateu é perverso; insensível; sem coração. É difícil para um ateu, acreditar em Um Ser Perfeito, criador de tantas imperfeições reunidas na sua maior criação.
No fim das contas, o ateu é frágil. E a maior prova de que não é perverso, insensível, sem coração, está no quanto é perseguido pela sociedade religiosa como um todo, sem "dar o troco". Salvo "raras exceções" (perdoem a redundância, mas o raras é necessário neste caso, como exceção das exceções), não há notícias de religiosos vítimas de ateus. O que há, de forma vezeira e maciça, são notícias de ateus vítimas de religiosos armados até os dentes, de sua fé belicosa, intolerante. Fé que justifica suas armadilhas em nome do "deixar nas Mãos de Deus", com os devidos impulsos ou empurrões humanos, quando as Mãos de Deus estão prestes a deixá-los na mão. Aí vem plano b: Com as próprias mãos, em Nome de Deus. Viva um dia de ateu, buscando portas, corações, ombros, olhos, inclusão e oportunidades na sociedade que você compõe. Só assim você sentirá, no corpo e na alma, o que tento lhe dizer, mas apenas as palavras não dão conta.
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sábado, 18 de abril de 2026
quinta-feira, 16 de abril de 2026
Dos Puxadinhos Existenciais
Demétrio Sena - Magé
Nós não mudamos, no mero contexto de deixarmos de ser quem somos. Mas ao longo dos anos passamos por algumas ou muitas reformas. Continuamos a ser nós mesmos, com os devidos puxadinhos determinados pelo tempo, de quem somos inquilinos. Algumas reformas nos melhoram (isso não deveria ter exceção), mas outras nos pioram, como pessoas voláteis que somos.
Para sermos ilustrativos, a pergunta que não quer calar é: quem nunca foi vítima de um pedreiro lambão? Quem jamais contratou um profissional nem um pouco profissional? Temos escolhas equivocadas e, algumas vezes, péssimas escolhas propositais, por motivos que nós mesmos desconhecemos... e pelos quais lamentamos quando já não tem jeito. Ou tem, mas as sequelas nos penalizam.
Seremos quem somos até o fim do nosso tempo; é a nossa essência. Mas a consciência de nossas posturas pode contratar os melhores reformadores existenciais do cosmo. Baques pessoais e algumas observações de baques alheios podem nos reformar a contento. Mas vai depender muito das nossas escolhas e o discernimento do que pode ser um trabalho lambão em nós.
Não nos tornemos piores, nos puxadinhos de quem somos, por pirraça contra o mundo ou contra nós mesmos. O arrependimento, quando já for tarde, poderá exigir que derrubemos quase tudo em nós, para recomeçarmos quase do pó. Isso é muito sofrido, as sequelas são profundas, e o pior de tudo: pode não haver mais tempo de vivermos plenamente o nosso novo eu.
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terça-feira, 14 de abril de 2026
Sobre a Nossa Ignorância
Demétrio Sena - Magé
quinta-feira, 9 de abril de 2026
Cristianismo "Véi de Guerra"
Demétrio Sena - Magé
Segundo a Bíblia (na qual não acredito, mas você arrota que acredita e não mostra isso), quando "Deus" percebeu as burradas que já tinha feito, baseadas em truculência, vinganças, catástrofes e guerras, arrependeu-se profundamente. Nesse grande arrependimento, Ele mostrou que não era um caso perdido e, na pele de Cristo, veio ao mundo para fazer tudo diferente. É nesse ponto que chego a admirar a mitologia Deus. Na humildade para se arrepender, e de certa forma pedir perdão ao ser humano, entregando-se aos infortúnios e à tragédia de chegar tão perto da própria criação.
"Deus" deu com os burros n'água. O ser humano já estava muito parecido com Ele no Velho Testamento bíblico: truculento, vingativo, sanguinário, sedento por guerras e outras atrocidades. Em outras palavras, ou em linguagem dos nossos dias, o ser humano já estava muito extrema-direita, para se consertar uniformemente. A figura de Cristo, pela maioria dos homens, acabou sendo vista como fraca, sensível de mais, ou frouxa, em suas tentativas de resolver tudo pelo amor, o entendimento, a palavra branda. O único momento em que o ser humano admira Jesus Cristo, até hoje, é justamente o momento em que ele perdeu o controle, as estribeiras, e meteu a porrada em meia dúzia de vendilhões. Aí sim, Jesus Cristo mostrou que era homem. Ou que era Deus.
O mundo inteiro está extremista e, como diz a Bíblia, jaz no maligno; ou jaz no Deus odioso do Velho Testamento. Nos países que se dizem cristãos, ninguém segue os passos de Cristo. Há um livro de autor norte-americano, com o título "Em seus Passos o Que Faria Jesus?", que se tornou best seller, mas que foi lido como a Bíblia. Com ignorância, distorção e aquela seletividade que fomenta o empoderamento religioso perverso, inquisitorial, imperialista, belicoso... de má fé. Não conheço o autor e não posso julgar, mas ele é (ou era) cristão, e dos cristãos, principalmente os norte-americanos, a exemplo dos brasileiros, o que se há de esperar que não seja manipulação para o poder?
No Brasil, estamos próximos de uma eleição presidencial. Sabe o que estão fazendo os cristãos, especialmente os evangélicos, que se julgam mais cristãos do que o próprio Cristo? Eu conto: unindo forças entre si, a favor de um pré-candidato perverso, que promete acabar com direitos trabalhistas, prejudicar cada cidadão pobre, para deixar os ricos mais ricos. Um pré-candidato que foi aos Estados Unidos tentar entregar nosso país; pedir que o presidente de lá nos colonize; se necessário for, pela força. Esses cristãos se reúnem com orações, cânticos e louvores iniciais, para depois tramarem contra os brasileiros que pensam diferente; os religiosos de outras vertentes; os pobres que não aceitam ser tratados como marionetes; os trabalhadores e as mulheres que não se submetem ao machismo.
O que temos de bom, é que no Brasil muitos estão acordando. Estão deixando as igrejas e voltando a ser humanos. Alguns estão até conseguindo ficar em suas igrejas e conscientizar os irmãos "de fé de má fé" sobre o verdadeiro cristianismo: o dos humildes; dos trabalhadores; dos menos favorecidos; os que não se julgam superiores, como os fariseus se julgavam, e dos que não misturam política partidária com religião, buscando empoderamento terreno para serem maioria e massacrarem as minorias. É nisto que a minha esperança e a de muitos ainda se sustenta.
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quarta-feira, 8 de abril de 2026
sábado, 4 de abril de 2026
sexta-feira, 3 de abril de 2026
Das Tradições Religiosas
Vamos Falar de Inteligência?
Demétrio Sena - Magé
Respeitarei sua criação, seja qual for, se ela for de fato sua. Mesmo que você tenha resolvido brincar com ela, depois de criada, com ferramentas e alguns vernizes disponíveis, como qualquer profissional. Quem escreve sua criação, utiliza a caneta ou computador/celular, que ele não criou. Quem fotografa, utiliza a sua câmera, não criada por ele, e depois pode resolver clarear, escurecer, dar contornos com ferramentas também não criadas por ele... ou ela.
Os que usam inteligência artificial para criar o que depois chamarão de sua criação, são desonestos. São plagiadores. Ladrões de ideias multifacetadas. Essas pessoas não fazem algo realmente seu e depois aplicam correções nem otimizam suas obras com ferramentas. Elas pedem que as ferramentas criem por elas e ainda façam aparas. É como se um pedreiro cruzasse os braços enquanto as ferramentas fazem a casa. O marceneiro deixasse que o martelo e o serrote façam a cama e o desenhista mandasse o lápis desenhar por ele. Ninguém precisaria desses profissionais, se as suas ferramentas trabalhassem sozinhas.
A inteligência artificial é uma ferramenta que a inteligência humana criou para substituir a inteligência? Não. Mas está funcionando assim. O ser humano quer ser artista, escritor, fotógrafo (atividades específicas de criação, estratégia e sensibilidade) sem utilizar sua criatividade, a estratégia e a inspiração. É um haja isso, haja aquilo, na mesma moleza que atribuem ao Possível Deus Criador de tudo... à base do haja; ordenando que tudo se fizesse por si mesmo, até resolver que homem e mulher seriam realmente criações suas.
Será que criamos um deus para criar tudo por nós, "na moleza", sem nunca mais precisarmos pensar por conta própria? Seremos todos nós uma espécie de bolsonarista, que deixa tudo nas mãos de seus deuses, inclusive o pensar e o sentir? Não respeito. Não quero isso. Como poeta, prosador, fotógrafo e pessoa, quero manter minha inteligência pessoal. A inteligência artificial pode ser ferramenta posterior a serviço da nossa criação. Não criadora da nossa criação.
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quarta-feira, 1 de abril de 2026
terça-feira, 31 de março de 2026
Pessoas Queridas
Demétrio Sena - Magé
Jamais entendi a prática dos monossílabos entre pessoas próximas. Daquele falar meio entre dentes, onde ambos os interlocutores estão sempre ansiosos para se livrar um do outro. Entretanto, são pessoas ditas queridas. Queridas, mas impacientes entre si. Queridas, mas distantes, apesar da proximidade; queridas, mas fanáticas por uma privacidade árida que as torna velhas desconhecidas da vida inteira... ou de longas e arrastadas datas.
Pessoas realmente queridas não se falam apenas o essencial. Não estão apenas para o que der e vier, nas horas cruciais, onde uma precisa da outra para não morrer. Esse não só falar, mas também só fazer o essencial e urgente, pode até ser providencial, mas não é revelador do afeto narrado nas conversas mais animadas com "os de fora". Nos assuntos comuns em ambientes de trabalho, quando exibimos nossa sensibilidade humana.
O essencial entre pessoas próximas é não o sermos apenas no obrigatório; no que seríamos com qualquer ser humano, só porque somos humanos. Considero essencial a convivência fluente e ininterrupta nas questões e não questões; no essencial e no fútil. Convivências seletivas (quando entre pessoas queridas existem preferências) criam elites e guetos, como se faz na sociedade aberta. Pessoas queridas se misturam. De igual para igual.
Isto serve, inclusive (talvez principalmente) para mim.
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sexta-feira, 27 de março de 2026
quinta-feira, 26 de março de 2026
terça-feira, 24 de março de 2026
Tempos Fúteis
Demétrio Sena - Magé
Você já teve a impressão de que alguém mandou para você um recado ameaçador, através de você mesmo? É como se a pessoa dissesse, para você entender sem ter certeza, e tudo ficar por isso mesmo: "Diga para você que mandei lhe dizer que tenho ranço de você e vou lhe pegar lá fora".
Trata-se de um esforço para fugir dos olhos nos olhos. Da conversa franca e pessoal, que se torna mesmo impossível, por excesso de véus. De truques e dissimulações que ajudem a fugir da elucidação de alguma celeuma que provavelmente nasceu de um fuxico secreto, à base do "não conte que te contei". São coisas de rede social. Ainda não passei por situação semelhante, mas ouço narrações diárias a respeito.
Minha reflexão gira em torno de, se não cuidarmos de nossa estrutura emocional nestes tempos de futilidades raivosas, ficaremos temerosos de atravessar uma rua... de passar por um beco mais deserto... circular à noite ou ser, em algum lugar, aquela presença que ameaça o ego de alguém
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domingo, 22 de março de 2026
De Pessoas e Posses
Demétrio Sena - Magé
Ninguém é minha mulher. Não comprei uma pessoa. Ela não me pertence. Tenho esposa, porque me casei; me tornei esposo. Não o homem de alguém; também não me vendi. Prometemos o que ainda pode ser "desprometido". Nossa jura de amor para todo o sempre não é cláusula pétrea de uma lei cujo descumprimento é passível de punição. O amor pode ser perecível.
Somos cônjuges, por contrato matrimonial reversível, quando e se um dos dois assim desejar. Livres, muito embora comprometidos mutuamente. Cada um é o dono de si mesmo e se doa voluntariamente ao outro, numa vida em comum. Não somos a mesma carne nem o mesmo espírito. Ainda seremos inteiros, no dia em que porventura resolvermos já não ser um casal.
As pessoas têm síndrome de pertencimento. São ávidas por serem donas de outras pessoas. E há pessoas que se aceitam como posses de outras. Como coisas compradas, doadas ou colhidas. Tolhidas de qualquer vontade; quaisquer arbítrio e direito a dizer não; de querer por conta e risco; não querer. Inclusive o direito a não saber se quer, não quer ou quando há de querer.
Que todo machão entenda isso. Que toda mulher submissa tome o próprio destino em suas mãos e decida sem medo qual será o seu destino. Não vale a pena viver sob nenhum jugo de moralismo, comando e rédea impostos por alguém ou pela própria sociedade. O que não é criminoso nem antiético é de nossa livre responsabilidade. Sem dignidade não há cidadania.
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quinta-feira, 19 de março de 2026
Cidadão Inteiro
Demétrio Sena - Magé
Dificilmente um texto meu será isento. Ou não será político, mesmo quando romântico; mesmo quando intimista ou sobre belezas naturais. Empresto a todo o meu fazer, minha natureza de cidadão crítico; minhas características de preocupação coletiva; de ativismo cidadão; protesto e denúncia de quem não sabe nem se dispõe a dissociar literatura e artes do movimento contínuo de consciência social. Até nas temáticas de paixão e sexo respiro e assino minhas inquietações relacionadas ao mundo e à sociedade, cá num cantinho de minh'alma. Os olhos e os corações atentos; as mentes abertas e as almas livres podem perceber isso, até pelo simples fato de quem as escreve.
Ninguém jamais me convide a estar em um ambiente ou a participar, ser membro de seja lá o que for, que me apresente proibições relacionadas a expressar o que penso, o que sinto e observo da vida para transformar em arte literária ou visual - fotógrafo que também sou. Sou e serei sempre ético, responsável, civilizado e humano em tudo que faço. Mas em tudo que faço, jamais deixarei de ser um cidadão esquerdista inconformado com injustiças; com políticas repressoras; ditadura; truculência policial; machismo; racismo; perseguição religiosa. Covardias de grupos majoritários contra minorias. Não tenho como deixar de ser este cidadão ativista preocupado com os seus iguais.
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quarta-feira, 18 de março de 2026
Sobre O Agente Secreto e a Ignorância Popular
Demétrio Sena - Magé
Não tenho necessidade alguma (nem interesse) de fazer uma defesa ou acusação ao excelente filme o Agente Secreto nem ao ator Wagner Moura. Mas não consigo nem tento entender a qual derrota se referem os bolsonaristas que festejam porque ator e filme não ganharam o prêmio para o qual foram indicados. Como assim? Foram mais de 70 prêmios ao redor do mundo, inclusive o ambicionado Globo de Ouro, que muitos bolsonaristas (só podiam ser) pensam que é um troféu da nossa Rede Globo.
O Agente Secreto (que amei assistir) levou milhões de pessoas aos cinemas do mundo inteiro. Deu milhares de empregos diretos e indiretos, gerou Milhões de Reais em impostos e representou o país no exterior, de forma relevante. Com arte; com pensamento crítico; denúncia; reflexão relevante. Além dos prêmios recebidos até o tapete vermelho em Hollywood, ainda veio o troféu das quatro indicações ao Oscar. Quatro! Desde quando receber quatro indicações ao Oscar é derrota? Para qualquer país, levando a estatueta ou não, o selo de indicado ao Oscar é para sempre. Estampa todos os cartazes do filme.
E a bizarrice da direita, especialmente os lamentáveis bolsonaristas, é que eles festejam a vitória do filme Valor Sentimental, que superou O Agente Secreto, sem perceberem nem o óbvio: Valor Sentimental trata do racismo (e o bolsonarismo é racista). Critica vários preconceitos próprios da direita e desmoraliza a sociedade conservadora da época. É um filme que fomenta o pensamento crítico/social. Defende um mundo oposto ao que a direita, especialmente a extrema direita, prega.
Mas vá entender bolsonaristas. Nem eles entendem a si próprios.
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terça-feira, 17 de março de 2026
Heroica Resistência
Demétrio Sena - Magé
Algumas vezes não luto. Cedo e me acomodo bravamente. Foi o que fiz há mais de vinte anos, com a implosão do meu organismo, em razão da ausência do sistema linfatico, ao ser conduzido a um hospital, quase na certeza de morrer: tinha desenvolvido uma septicemia. Septicemia é quase sentença de morte. Lembro-me do meu coma semiconsciente, quando só eu sabia que estava semiconsciente: não orei, não recorri a nenhuma fé, não pensei nas pregações religiosas que sempre ouvi, e sequer passou pela minha cabeça qualquer temor do suposto inferno, profano que sou. Só me deixei. A minha condição de saúde lutando contra mim, sem ter a menor das resistências, de minha parte.
Dias após, ocorre o que chamariam de milagre, se eu fosse um "homem de Deus", ou de "Deus, pátria e família", e minha família tivesse reunido "oradores" ao meu redor. Naqueles anos, ainda era permitido que grupos religiosos fossem aos hospitais oprimir doentes, ameaçar com o inferno, caso morressem "sem salvação". Abusar da fragilidade e da "paciência" do paciente, para impor-lhe uma fé cristã. Cruzadas hospitalares do medo e das "ameaças santas".
Depois de muito não lutar e assim mesmo voltar para casa, percebi que os medicamentos tratavam minha patologia, mas me deixavam inerte, sem força e ânimo. Mais uma vez resolvi deixar estar e abrir mão dos medicamentos, mesmo crendo na ciência e na medicina, porque afinal, não sou bolsonarista. Só tomei a decisão de arriscar viver menos, com mais qualidade de vida. Não "preguei" minha decisão que parecia negacionismo. Só fiz uma escolha perigosa, em situação única; muito pessoal. Sem influenciar um possivel coletivo com teorias maciças da conspiração.
Como a perna esquerda parecesse representar perigo a todo o organismo, logo veio a tentativa do médico, de cortá-la, porque com ela, eu morreria em seis meses. Tudo havia implodido entre ela e a virilha, onde ainda está minha bomba-relógio. Demorada bomba-relógio, que não decide o que fazer. Como estava consciente, não permiti. O médico não mentiu; apenas calculou mal: por pouco a minha "brava desistência" não "me levou", mas algo se acomodou dentro de mim, tanto quanto eu. Ainda estou vivo. "Ainda estou aqui". Caminho longas distâncias, pedalo e ainda faço uma ginástica mequetréfi diária, não por músculos (realmente não os tenho), mas por manutenção.
Vivo como se a vida fosse companheira fiel; não a coisa traiçoeira que me deixa solto em um labirinto. E nesta vida, faço tudo sem disputa: sou um escritor que não busca fama e troféus; trabalhador que não deseja ser destaque; cidadão que já rejeitou comenda municipal (título de cidadania), porque nada disso me completa. Só me completa o fazer. A chance de levar meus feitos aos olhos de quem aprecia. Quem aprecia de verdade; não finge uma vez a cada quatro anos. Ombradas e rasteiras? Exclusões? Enfrento muitas e nada faço; sigo meu caminho, bravamente acomodado com o que sou, quem sou, e com o que acredito. Minha fé é na vida e nos seres humanos que restam da maioria. Tem muita gente boa no mundo.
Perfeito? Longe de ser perfeito.Tenho fama de mau, esquisitices que ninguém intui, como acho inteiramente normais, práticas que o moralismo abomina. Mas tudo isso de mim para mim mesmo. Zero maldade contra o próximo. Zero trama para "me dar bem" às custas do outro. Zero preconceito, zero separarismo, vingança e qualquer farsa para me mostrar melhor do que sou. Se você não acredita, zero preocupação. Desisto heroicamente. De você.
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segunda-feira, 16 de março de 2026
sexta-feira, 13 de março de 2026
Feminicídio
Demétrio Sena - Magé
A maioria da população ainda não entendeu o que é feminicídio. Não é o assassinato de uma mulher, por si só. É o assassinato da mulher em razão de ela ser mulher. Explico: quando o homem, julgando que uma mulher não agiu como ele acha que ela deve, em razão do gênero. O machista acha que a mulher deve ser obediente; submissa; cordata; "comportada"; "santa" (segundo os padrões do machismo).
Para todo machão, "mulher sua" fica em silêncio, enquanto ele grita. Para ele, "mulher sua" não o deixa, e quando é ele que a deixa, ela não pode conhecer ninguém. O machão ("boy" ou "mature" lixo) acha que se uma mulher não quiser transar com ele, deve pagar por isso. Feminicídio, então, é a mulher ser assassinada porque não correspondeu às expectativas do homem, como tal. Primeiro surgem as intimidações, logo depois as agressões verbais, em seguida físicas, até que a mulher acabe morta porque, no fim das contas, não se rendeu por completo ao machão.
Assassinato é crime hediondo. Muitos questionam feminicídio, se já existia homicídio para classificar qualquer assassinato. Explico de novo: feminicício é o assassinato da mulher que, antes de assassinada, foi impedida de ser alguém. Se você não acha mais grave ainda, devo classificá-lo como um "boy" ou "mature" lixo da pior espécie (machistas amam estrangeirismos importados da América do Norte).
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quinta-feira, 12 de março de 2026
segunda-feira, 9 de março de 2026
terça-feira, 3 de março de 2026
Dos Meus Olhos Pros Seus
Demétrio Sena - Magé
Fotografar uma palha, um parafuso, um nó na madeira e uma gaveta velha, por exemplo, justifica um tratamento para que a palha, o parafuso, o nó e a gaveta ganhem contornos de arte além da fotografia, que já é uma arte. Refiro-me às edições manuais que acentuam, clareiam, escurecem e intensificam, sem descaracterizar o objeto ou o cenário. Sem distorcer ou subtrair em nada, sua originalidade.
Nada de inteligência artificial, porque inteligência artificial é simplesmente um plágio multi-fragmentado. Deixar que a IA faça por você o que seria um exercício a mais de criatividade, é fraude. A edição de fotos existe na própria câmera, desde os tempos analógicos, ou em aplicativos simples de edição, que oferecem as ferramentas; não a "mão-de-obra". A mão-de-obra é sua. O trabalho é todo seu, e se você não fizer bem, com olho clínico e talento, nada vai valer a pena.
Revisamos nossos textos, quando sentimos que falta algo. O pintor e o escultor dão retoques em suas obras, depois delas prontas. O pedreiro também. O cientista refaz experimentos em seu projeto, e seremos eternos, caso sigamos exemplificando. O fotógrafo também é assim, embora não seja obrigatório. Só não suporto que olhem para uma criação minha, crendo haver um só toque de IA.
Inteligência artificial não é inteligência. É o truque da preguiça de quem não quer usar o próprio cérebro. Nem as próprias mãos. Mas quer assinar o que não fez. Sempre me esmero para que os olhos gostem do que meus olhos olham... veem. E minhas mãos tratam com carinho, ética e critério.
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segunda-feira, 2 de março de 2026
Sobre o Pastor de "Três Graças"
Demétrio Sena - Magé
Fiquei frustrado ao ler que o pastor Albérico, da novela Três Graças é, na verdade, o chefão da bandidagem na comunidade fictícia da Chacrinha. Desejei que a fantasia salvasse a realidade. Que a licença poética nos desse um horizonte favorável à crença no cristianismo do século XXI. Estava mesmo feliz por imaginar que, na ficção, a exceção venceria a regra, em desagravo ao mundo real, onde a regra estrangula a exceção. O pastor Albérico tinha tudo para ser a exceção na qual precisamos acreditar, fora do estrangulamento que nos deixa sem esperanças.
Ainda espero, caso isto seja verdade, que autor e colaborador decidam pela mudança de rumo do personagem. Precisamos dessa fantasia. Dessa poesia que nos faça intuir a existência de uma exceção menos invisível; menos intocável; mais possível, na vida real. Entendo o realismo que denuncia o óbvio, mas gostaria de ver, na ficção, a exceção vencer a regra. Tornar-se a regra no folhetim, representada pelo único pastor do enredo. Precisamos sonhar que ainda existem líderes cristãos a contento, representantes legítimos do real cristianismo. Sem envolvimento com poderes paralelos (tráficos, milícias e política partidária extremista).
No fundo, nem é de religiosos (fiéis e líderes) que trato nesta reflexão. É de seres humanos, convertidos ou não a crenças (quaisquer crenças), dogmas, filosofias e até medos, capazes de transformações viáveis para um mundo melhor. Se a transformação doentia do "Jorginho Ninja" não convenceu, pois ele se converteu fragilizado pela doença e o medo do suposto inferno, valeu o efeito. Foi um opressor a menos, no universo da novela. Por ora, resta-me a frustração de não vivenciar a poesia de um líder religioso na contramão da realidade que me cerca.
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domingo, 1 de março de 2026
Das Relações Institucionais
Demétrio Sena - Magé
sábado, 28 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Pobres Não Quebram o País
Demétrio Sena - Magé
As elites empresarial e política sempre acharam terrível qualquer projeto que humanize o trabalho e favoreça o trabalhador. Esse discurso de que o país vai quebrar, se o trabalhador tiver um dia mais para viver, é o mesmo de quando a escravidão estava prestes a ser abolida. Foi difícil, porque a escravidão era (e é) um vício de quem escravizava (e escraviza), mas o país está aqui. Inteiro. Nada mudou e nunca mudará para o rico. Ele continua rico. Mas o rico detesta que algo mude para melhor, na vida dos que o enriquecem.
Pense nisso, e deixe o seu voto pensar também, nas próximas eleições. Políticos lactentes dos empresários não querem largar as tetas, e os empresários, querem sempre deixar a conta para quem mais sofre. Trabalhador não quebra o país. Aposentado não quebra o país. Estudante que recebe incentivo não quebra o país. Muito menos, pobre que recebe auxílio gás, bolsa família, e consegue obter uma moradia simples pelo Minha Casa Minha Vida.
Sempre quebrará o país, a concentração de renda, bens e direitos. Quase tudo nas mãos de alguns, e o pouco restante jogado avanço entre milhões de menos favorecidos e pessoas abaixo da linha da pobreza. Também quebra o país, quem vota em políticos da direita, que só trabalham por eles mesmos, seus principais assessores, os empresários, fazendeiros do agronegócio, banqueiros e outros donos do país.
O que realmente quebra o país são os empresários e fazendeiros que patrocinam campanhas políticas. O poder público que perdoa a sonegação de impostos dos milionários e só cria leis a favor deles. Quebram o país, os bancos que praticam golpes contra os pequenos correntistas e poupadores. Os super salários dos servidores de primeiro escalão e os pendiricalhos que furam tetos salariais astronômicos. Os desvios de verbas e obras superfaturadas.
Quebram o país, os vales paletó, auxílios para viagens de avião, auxílios combustível, cabides de empregos com supersalários para cabos eleitorais, familiares e amigos de políticos. Tantos outros benefícios e privilégios nos meios político-partidários, que nem consigo enumerar. Quebram o país, as associações criminosas entre poderosos e o poder paralelo. Os impostos não pagos por igrejas e outras entidades que exploram a fé pública. Quem quebra o país são aqueles que sempre gritam que somos nós que o quebramos.
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Corações Verbais
Demétrio Sena - Magé





























