segunda-feira, 2 de março de 2026

Grito

 


Sobre o Pastor de "Três Graças"

Demétrio Sena - Magé 

Fiquei frustrado ao ler que o pastor Albérico, da novela Três Graças é, na verdade, o chefão da bandidagem na comunidade fictícia da Chacrinha. Desejei que a fantasia salvasse a realidade. Que a licença poética nos desse um horizonte favorável à crença no cristianismo do século XXI. Estava mesmo feliz por imaginar que, na ficção, a exceção venceria a regra, em desagravo ao mundo real, onde a regra estrangula a exceção. O pastor Albérico tinha tudo para ser a exceção na qual precisamos acreditar, fora do estrangulamento que nos deixa sem esperanças.

Ainda espero, caso isto seja verdade, que autor e colaborador decidam pela mudança de rumo do personagem. Precisamos dessa fantasia. Dessa poesia que nos faça intuir a existência de uma exceção menos invisível; menos intocável; mais possível, na vida real. Entendo o realismo que denuncia o óbvio, mas gostaria de ver, na ficção, a exceção vencer a regra. Tornar-se a regra no folhetim, representada pelo único pastor do enredo. Precisamos sonhar que ainda existem líderes cristãos a contento, representantes legítimos do real cristianismo. Sem envolvimento com poderes paralelos (tráficos, milícias e política partidária extremista).

No fundo, nem é de religiosos (fiéis e líderes) que trato nesta reflexão. É de seres humanos, convertidos ou não a crenças (quaisquer crenças), dogmas, filosofias e até medos, capazes de transformações viáveis para um mundo melhor. Se a transformação doentia do "Jorginho Ninja" não convenceu, pois ele se converteu fragilizado pela doença e o medo do suposto inferno, valeu o efeito. Foi um opressor a menos, no universo da novela. Por ora, resta-me a frustração de não vivenciar a poesia de um líder religioso na contramão da realidade que me cerca.

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Respeite autorias. É lei

domingo, 1 de março de 2026

Das Relações Institucionais

Demétrio Sena - Magé 


Sei que você não sabe... no entanto sei que você sabe, muito embora pense que penso que não sabe. O que tento dizer é que o que sei é que você sabe, sem saber que sei, muito menos que sei que você sabe que sei. 

É assim que minto para sua mentira: mentindo para mim mesmo, que você acredita na mentira que sei que você sabe que é mentira, mas na verdade, faz de conta que não faz de conta... e que acredita mesmo que a mentira é verdade, enquanto faço de conta que você não faz de conta que sabe, sabendo que você sabe; só não sabe que sei que sabe... e que não sabe que sei que não sabe que sabe. 

No fim das contas, o que sei que você não sabe e nunca saberá que sei, é que tudo isso nos torna sabedores de que merecemos um ao outro. Não sei como sei. Só sei que sei; não pergunte como não sei como sei.
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