quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Umbanda: Religião e Brasilidade

Demétrio Sena - Magé 

A Umbanda é a única religião brasileira. Ela foi fundada no início do século XX, por Zélio Fernandino de Moraes. É uma religião que sincretiza principalmente os elementos das religiões africanas, mas também das crenças indígenas, do catolicismo e do espiritismo. Ao contrário dos que demonizam, e daqueles que acreditam nessa demonização infundada, a Umbanda se pauta pela caridade, pelos ritos mediúnicos, e tem uma forte ligação com a cultura brasileira. Sendo assim, os seus seguidores são os únicos religiosos da genuína brasilidade.
Minha mãe, que era evangélica, sempre foi muito próxima de umbandistas, e nos ensinou (aos meus irmãos e a mim) a respeitá-los e admirá-los. Quando crianças, vivíamos em situação de extrema vulnerabilidade. Os não familiares que mais nos ampararam com carinho, orientações, paliativos naturais e amizade, sem nunca tentarem nos converter, eram umbandistas. Lembro-me bem de alguns, mas não há como revê-los e agradecer.
Em todas as religiões, como em outros meios, há enganadores, exploradores, os que se aproveitam da ingenuidade, a bondade, até do fanatismo de alguns fiéis, para obterem vantagens e usurparem valores e bens. Mas quem menos age assim são os umbandistas. Geralmente, os pontos de umbanda são modestos, e os líderes sabem lidar com isso. Não exigem sacrifícios materiais dos fiéis. Cada um ajuda como pode, o terreiro que frequenta.
É também a Umbanda, a religião de menos líderes abusadores; menos envolvimento amoroso ou sexual antiético. Menos denúncias dessa natureza. Eles se ajudam, ajudam ao próximo, não perturbam a ordem, não perseguem outras fés, não obrigam nem tentam obrigar fiéis a permanecerem, contra a vontade. Mas é uma religião perseguida. Acusada de práticas sombrias.
Sou ateu; não acredito em divindades. Porém acredito nas pessoas e suas crenças, quando não são usadas de má fé. Pela Umbanda, tenho carinho, boas lembranças, gratidão, além de haver um contexto de cultura e brasilidade, para mim. Não sei como e quando são as reuniões ou liturgias da Umbanda; quem pode visitar ou colaborar. Mas gostaria de conhecer um pouco mais da religião; ser próximo de um grupo e contribuir para o seu crescimento.
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Respeite autorias. É lei

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