Demétrio Sena - Magé
Aceito e uso, porque não seria possível não usar a caneta, o computador ou as teclas do celular, para o curso da minha escrita. Igualmente, usaria uma britadeira, se precisasse quebrar brita. Pintar demanda tinta, pincel, tela, cavalete... mas nada pinta por mim. Não sou eu ferramenta, insumo, suporte. A inteligência é minha. O dom é meu.
Usarei violão, ou piano, qualquer outro instrumento, para dar cifras ao poema que desejo transformar em canção. Mas quem há de compor a canção sou eu. Do início ao fim. Para tudo que fizermos, usaremos matéria-prima, ferramenta e/ou insumo. Qualquer produção imaginável, de maior ou menor dimensão, exigirá com o que, do que e sobre o que se faça ou se realize.
A inteligência artificial é o produto mais controverso da humanidade. Acho inconcebível que o ser humano tenha feito algo para se tornar, ele mesmo, ferramenta desse algo, no campo da criatividade: as artes; a literatura; o lúdico. Admito e aceito a inteligência artificial, mas não aceito a sua batuta como substituição do meu dom, do meu toque pessoal, da minha personalidade criativa.
Não quero ser um plagiador, ainda que isso tenha se tornado criminosamente permitido, por esse truque de fragmentação cibernética. Pior ainda: não quero ser mais um desses plagiadores que nem plagiar sabem mais: tornaram-se criminosos on-line dependentes dos comandos que se sobrepõem aos comandos que eles fingem dar.
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Respeite autorias. É lei
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