Demétrio Sena - Magé
Segundo a Bíblia (na qual não acredito, mas você arrota que acredita e não mostra isso), quando "Deus" percebeu as burradas que já tinha feito, baseadas em truculência, vinganças, catástrofes e guerras, arrependeu-se profundamente. Nesse grande arrependimento, Ele mostrou que não era um caso perdido e, na pele de Cristo, veio ao mundo para fazer tudo diferente. É nesse ponto que chego a admirar a mitologia Deus. Na humildade para se arrepender, e de certa forma pedir perdão ao ser humano, entregando-se aos infortúnios e à tragédia de chegar tão perto da própria criação.
"Deus" deu com os burros n'água. O ser humano já estava muito parecido com Ele no Velho Testamento bíblico: truculento, vingativo, sanguinário, sedento por guerras e outras atrocidades. Em outras palavras, ou em linguagem dos nossos dias, o ser humano já estava muito extrema-direita, para se consertar uniformemente. A figura de Cristo, pela maioria dos homens, acabou sendo vista como fraca, sensível de mais, ou frouxa, em suas tentativas de resolver tudo pelo amor, o entendimento, a palavra branda. O único momento em que o ser humano admira Jesus Cristo, até hoje, é justamente o momento em que ele perdeu o controle, as estribeiras, e meteu a porrada em meia dúzia de vendilhões. Aí sim, Jesus Cristo mostrou que era homem. Ou que era Deus.
O mundo inteiro está extremista e, como diz a Bíblia, jaz no maligno; ou jaz no Deus odioso do Velho Testamento. Nos países que se dizem cristãos, ninguém segue os passos de Cristo. Há um livro de autor norte-americano, com o título "Em seus Passos o Que Faria Jesus?", que se tornou best seller, mas que foi lido como a Bíblia. Com ignorância, distorção e aquela seletividade que fomenta o empoderamento religioso perverso, inquisitorial, imperialista, belicoso... de má fé. Não conheço o autor e não posso julgar, mas ele é (ou era) cristão, e dos cristãos, principalmente os norte-americanos, a exemplo dos brasileiros, o que se há de esperar que não seja manipulação para o poder?
No Brasil, estamos próximos de uma eleição presidencial. Sabe o que estão fazendo os cristãos, especialmente os evangélicos, que se julgam mais cristãos do que o próprio Cristo? Eu conto: unindo forças entre si, a favor de um pré-candidato perverso, que promete acabar com direitos trabalhistas, prejudicar cada cidadão pobre, para deixar os ricos mais ricos. Um pré-candidato que foi aos Estados Unidos tentar entregar nosso país; pedir que o presidente de lá nos colonize; se necessário for, pela força. Esses cristãos se reúnem com orações, cânticos e louvores iniciais, para depois tramarem contra os brasileiros que pensam diferente; os religiosos de outras vertentes; os pobres que não aceitam ser tratados como marionetes; os trabalhadores e as mulheres que não se submetem ao machismo.
O que temos de bom, é que no Brasil muitos estão acordando. Estão deixando as igrejas e voltando a ser humanos. Alguns estão até conseguindo ficar em suas igrejas e conscientizar os irmãos "de fé de má fé" sobre o verdadeiro cristianismo: o dos humildes; dos trabalhadores; dos menos favorecidos; os que não se julgam superiores, como os fariseus se julgavam, e dos que não misturam política partidária com religião, buscando empoderamento terreno para serem maioria e massacrarem as minorias. É nisto que a minha esperança e a de muitos ainda se sustenta.
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Respeite autorias. É lei
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