segunda-feira, 18 de novembro de 2013

OUTRO EU

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Sou avesso às análises humanas;
não me teste pra ver o que acontece;
quem me tece não tece; perde o tempo
que teria pra ter o meu melhor...
Nunca tive lacunas de pôr xis,
meu afeto não dá vestibular,
sua múltipla escolha não procede
nem se há de burlar meu gabarito...
Dou a única escolha de quem quer,
serei mito pra todos os intentos
de moldar o meu éter; minha massa...
Tão apenas me queira e serei seu,
sem a velha trapaça de compor
outro eu; outra face; outra matriz...

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

DELÍCIA E DOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Hoje sei como a dor
é prazerosa,
quando meu gemido,
meu choro e meu grito
são tão intensos,
que a carne goza
no buraco negro
de minh´alma...

SUA PRAIA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Se você gosta da Barra
ou adora o Leblon,
Tatajuba ou Guriú,
Pituba ou Farol,
Itapuã ou Pontal...
Curte Copacabana
ou Cabo Frio,
a Praia da Urca
ou a do Pepino...
Se curte as praias do Rio,
do Ceará, da Bahia,
ou além-mar,
para mim pouco importa...
Mas em outro contexto, 
não invente pretexto...
não me cozinhe
nem se traia...
Você terá que saber
qual é sua onda;
seu balneário...
a sua praia...

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

MEU QUERER

Já deixei de querer e me obrigar
a manter o sentido e o sentimento;
era como se amar fosse palavra,
juramento, promessa e promissória...
Hoje quero querer ou não querer,
também ser ou não ser, conforme queira,
ter escolha e deixar que o vento escolha
em que folha; pra onde me arrastar...
Quero até não saber se quero ou não;
quando quero e não quero; jamais ter
uma lei que me obrigue a decidir
entre dar e reter meu coração...

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

PRECISA-SE DE MÃES

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Aprendi com a minha mãe, que todo o cuidado será pouco para um filho, e que por isso, as mães não relaxam. São felizes, podem viver bem, mas não relaxam. Natureza de mãe que tem mesmo natureza não obedece à lei da prática e da serenidade, porque para ela o mundo está sempre a um passo de ruir sobre os ombros do filho. Há sempre alguém muito próximo, e acima de qualquer suspeita, pronto a se revelar capaz de um gesto indigno, malicioso ou desmano contra esse filho.
Com as demais pessoas, aprendi que não é certo a mãe ser extremada, super protetora e desconfiada de todo o mundo. Até  minha mãe reconheceu muitas vezes, com palavras, o quanto estava errada por ser assim. No entanto, sua natureza infalível, com gestos e vivências me fez ver definitivamente que alguma coisa está errada com a mãe que não erra nesse aspecto. Especialmente aquela mãe que se deixa sufocar pela mulher, sempre bem-vinda, mas não como substituta da mãe.
Foi com a minha mãe que aprendi a apostar minha vida no caráter do próximo, mas não a vida de um filho. E que a integridade física do meu rebento precisa depender de mim, dos meus cuidados, minha desconfiança, e não da sorte ou do acaso de outra pessoa ter ou não bom caráter, tanto quanto aprendi que o caráter não tem cara.
Finalmente aprendi, com suas poucas palavras e muitos exemplos, que mãe não tem meio termo. Se não pecar por excesso, pecará por falta de cuidados, e que nos tempos em que vivemos, toda falta será castigada em maior ou menor escala. E também aprendi, com  a moderna escassez de mães iguais à minha, que os pais de agora têm que aprender a ser mães, pois são muitas as mães que se tornaram como aqueles pais meramente provedores que delegam totalmente seus filhos.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

MUNDO PLURAL

Hoje o tempo é meu sócio na vida que levo;
tenho mundo cabível na concha das mãos;
dou aos nãos do que sonho a medida real
do caminho de flores, mas também de farpas...
Não farei latifúndio do espaço excedente,
plantarei onde os olhos, a semente alcançam,
porque gente precisa partilhar o chão
pra fazer o seu campo e trasladar o céu...
Aprendi a ter tudo sem que seja o todo;
que meu tudo é meu algo, basta que me baste
sem desgaste ou batalha de vencer alguém...
Vejo além o bastante pra saber parar
onde o mar adverte que pertence ao peixe;
onde o feixe de sonhos encheu a braçada...

VIAJANTE

A caneta vadia
fugiu da seção
na primeira mão
que lhe pôs os dedos...
Entre bolsos e pastas
de ralés e de castas
viajou tantas milhas,
tantos mares e chãos,
tantas mãos,
tantas ilhas,
cartas e ofícios...
De repente a caneta
peregrina, cigana,
sem clã, sem ninho,
desembarca na beira
desta escrivaninha...
Então acolho, acarinho,
ponho na coleira,
pois daqui por diante
a caneta é minha.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

LAMENTÁVEL CONQUISTA

Passados tantos engenhos
e desempenhos
pra distorcer as verdades,
dizer mentiras reais
e sinceras...
Depois de tantas saídas
por mil tangentes,
com seus ardis emergentes
para se manter
porcamente limpa...
Finalmente me rendo
sem nenhuma esperança,
porque nada restou,
você conquistou
minha desconfiança.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

VOLTA INTERNA

Desisti muitas vezes.
Mas logo depois
decidi que o depois
decide por mim.
Foi aí que voltei
do caos, da sombra,
do próprio fim
traçado e pronto.
Converti muitos pontos
em reticências;
voltei a sorrir;
persisti, desisti
das desistências.




APRENDIZ DE AMAR

Aprendi a lhe amar sem morrer desse fogo,
a querer nos limites da minha razão,
ter a minha ilusão e me manter nos pés
e jogar o seu jogo sem perder pra mim...
Comecei a me amar tanto quanto lhe amo,
na medida em que dou me permito cobrar,
quero ser quando estou, pra me sentir inteiro;
ter o gosto do cheiro que o querer propaga...
Decidi que a paixão pode ser na cabeça,
nem por isso esqueci de guardar coração
pra poder temperar sentimento e sentidos...
A  minh´alma já sabe se vestir do corpo
sem perder a magia de sua nudez
ou a vez de viver o que não se repete...

domingo, 3 de novembro de 2013

SUPER HOMEM SUPERADO

Já parei de parar nessas questões
que não fazem questão de fechamento,
não esperam meu tempo, têm o seu,
e desaguam no azul do céu e o mar...
Corro contra correr atrás do vento
varredor do meu sonho e da esperança,
minha dança deixou de se apressar
ao que nem me permite a intuição...
Pois cansei de passar do meu futuro
quando ainda preciso do presente,
avançar os efeitos da estação
sem poder me cansar do que me cansa...