segunda-feira, 24 de outubro de 2011

SOBRE QUEM PLAGIA

Tenha pena do que plagia ou reproduz o trabalho alheio, dizendo-o seu. Se alguém fizer uma espécie de DNA dessa pobre alma, verá que a própria pessoa já é um plágio... Um recalque... Um equívo em forma de pessoa... Um buraco no meio de seu prórpio percurso, tentando se tapar a todo o custo, para que ninguém veja o vazio que o atravessa.

COMEÇO DO SEM FIM


Já ficou acertado pelo acaso
duma troca de olhares outro dia,
que nascemos pra nós e nos perdemos
na distância dos rumos adversos...
E ficou entendido que o momento
começou a fazer o seu reparo,
corrigir os desníveis dos percursos
desde sempre fadados a ser um...
Tudo mostra que nada impediria
este acerto de contas do destino;
esta volta no tempo não vivido...
Um acaso em que nada é por acaso,
que nos faz acordar nesta lacuna
e marcar este "xis" inicial...

"CLARINHOSO"

A lua é romântica por causa do sol que a cobre de "clarinhos".

TRISTEZA


Vejo o tempo escorrendo e lamento por isto,
mas não sei de que forma fechar a torneira;
perco as forças e fico assistindo ao derrame
dos projetos e sonhos que vão nessa leva...
Só eu sei de que forma este nada me tranca
em marasmo e preguiça, desencanto e medo,
pra fazer com que deixe uma vida escapar,
sem chegar a saber o que no fundo é vida...
Volto à fase vezeira de abismo e fumaça,
de poemas cinzentos, morosos, dispersos
e de massa polar, frente fria em seus climas...
Hibernei o meu ânimo até nem sei quando,
vendo o mundo fechar o seu cerco em redor,
pra mostrar que a tristeza é poder sobre o mais...

MUITA ILUSÃO


No sono eu sonhei
que já não sonhava mais.
Porém depois vi,
tão logo acordei,
que sonhar que não sonho
é sonhar demais.
Se já vivo
sonhando acordado,
sonhar não sonhar
é sonho que vem à parte.
Sonhado com arte,
mas apenas sonhado...
Não além.
Não posso aceitar o sonho
de banir cada sonho
que alimento em vão.
Sonhar que não tenho
mais ilusões,
é muita ilusão.

CAVERNAS

Mais do que ignoram, as cavernas devolvem nossos gritos... Cavernas são "ecoístas".

"ODEANDO"

É com todo o amor que te odeio... E sempre te odearei... Mereces todos os odes de amor que eu componho.

COMPLICADA SIMPLICIDADE


Sempre ouvi referências à rosa, aos rios e aos campos como coisas simples da vida. Poetas, por exemplo, são grassos em adicionar a pétalas e folhas o idílio infalível do orvalho que sobre elas é semelhante à lágrima.
Decanta-se o raiar e o pôr do sol; as brumas marinhas e as gaivotas; as montanhas, os vales e as outras maravilhas de flora e fauna, como simples. Uma simplicidade que só a poesia explica, sem explicar; que a ciência não alcança em suas peculiaridades, em seus detalhes mais profundos.
Ninguém explica os sentimentos da flor, os instintos da abelha, os desejos do peixe. Não há como chegar aos sentidos das algas, às emoções da gazela ou a razão da brisa quando acaricia a relva. Será impossível divagar, sem cair na monotonia, sobre todas as singelezas dos mais diversos fenômenos naturais.
Diria que simples mesmo é a bomba atômica. Logo será simples a clonagem humana, como são simples a cibernética, a energia nuclear, o raio laser e todas as maravilhosas ou terríveis complexidades da ciência e da tecnologia em um todo. São segredos desvendados pelo homem, mistérios resolvidos pela mente humana e alcançáveis pelo estudo, a pesquisa, a busca criteriosa.
Por mais que tenhamos encontrado respostas da natureza para projetos científicos pelos quais desenvolvemos meios de vida ou morte, jamais encontraremos essas mesmas respostas para o que normalmente consagramos como simples: A aurora, o luar, a maresia, a dor do inseto, o amor do molusco, a esperteza do felino, o DNA da seiva. Se é possível estudar atitudes, temperamentos externos, organismos e movimentos, não chegaremos à alma da flora; ao espírito da fauna; à essência dos astros atingíveis ou não.
São falsas as mensagens sobre a singeleza dos lírios; dos regatos e gaivotas; da teia. Mensagens impressas em cartões românticos, religiosos, comemorativos... Cartões sob medida para vendagens expressivas, lucros imediatos.
Finalmente, simples de fato são os homens, com toda a sua complexidade apregoada. O ser humano se vasculha, esquadrinha, explica e consegue dissertar sobre si sem recorrer à farsa poética para responder sem resposta, esclarecer sem clareza, tornar o prático abstrato, filosófico e delirante.
Como o homem, são simples as criações e criaturas dele advindas, bastando-lhe a construção, o exercício, a disciplina e a ousadia do conhecimento. Trata-se de um conjunto que não basta para que se domine ou explique o que foge ao reastreamento científico, por fugir exatamente à natureza humana.
Exclua-se Deus do contexto deste artigo, porque o autor do presente, mesmo respeitando crenças exclui a ideia de sua existência, talvez por ser complexa como a flor, o riacho e a libélula. Mais ainda, pela concessão de que possa estar errado, vendo a fé como íten precário, puramente poético, para que se imponha como autenticação definitiva do que foi escrito exatamente como agora o faço: Movido por impressões emocionais. 
Quanto ao parágrafo anterior, isto é apenas uma divagação, porque a vida é de cada um. O coração é propriedade privada. O arbítrio é livre para todos. Isto é tão simples de compreender quanto as simples complicadas maravilhas da ciência.

NÃO TAPA PEIXE

Uma seca ideológica é aquela maré de azar da qual podemos dizer: "Hoje a maré não tapa peixe"...

NEM DE MIM


De repente um buraco sem lados nem fundo;
solidão mais aberta que o próprio infinito;
minha vida parece perder-se do mundo,
como esvai no deserto o desejo do grito...

Alegria em meu caso é uma espécie de mito;
já não tenho mais sonhos, pois nenhum fecundo,
nem me presto à miragem como crença ou rito;
sou espírito errante, corpo vagabundo...

Caçador nem de mim, pois me dei por perdido,
meu silêncio profundo só faz um pedido,
para ver se consigo descansar em paz...

Quem me vir por aí não repare o miasma
de vazio, de abismo, de sombra e fantasma;
nunca mais fui quem fui, sou só quem aqui jaz...

MEU AMIGO INIMIGO


Meu maior inimigo está me olhando
e repete o silêncio com que o vejo,
adivinha o que faço e faz igual,
sem um microssegundo a mais nem menos...
Se recuo não tenta me atacar;
quando ataco responde na medida;
sabe o tempo real de cada gesto,
só se assusta por força do meu susto...
Ele trava comigo as minhas falas,
tem a carga de minha solidão
nas caladas das noites mais insones...
Um amigo inimigo esse meu eu
que não foge de mim porque não sei
arrancá-lo da entranha nem do espelho...

AO PÉ DO TEMPO


Coração de menino é pra menino;
temos todos que ter a nossa idade;
teclas são de piano e não de sino,
nem a calma pertence à tempestade...

Chegaremos à sã maturidade
bendizendo a magia do destino,
se tivermos medida prá saudade
que não pode render-se ao desatino...

Na passagem benéfica dos anos
crescem almas e crescem nossos planos,
precisamos enfim perder a cica...

Eternize os momento sem crendice,
para ter justamente na velhice
uma idade onde o fruto se adocica...

DE FLORES E ESPINHOS

Sou bem mais feliz do que os que sabem que as flores têm espinhos, desde que olhei por outro prisma e descobri que os espinhos têm flores.