quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

MEU FELIZ ANO NOVO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Muito embora não compartilhe da provável essência do natal, vejo bastante significado no início de mais um ano. Aprecio começos e recomeços; novas chances; reocasiões e repensamentos. Tudo isso deve ocorrer a cada manhã ou toda vez que sentirmos necessidade, mas é algo especial e significativo chegarmos a mais uma etapa de mundo, junto com os seus bilhões de habitantes. Creio muito no pensamento humano e no desejo real um tempo melhor.
A boa vontade do ser humano, que em sua maioria é bom, tem o poder de salvar. É dessa vontade que o mundo sempre dependerá. É graças a ela que ainda não se fez o caos total. Uma vontade com o tempero do amor à vida e ao semelhante, apesar das não semelhanças que nos igualam. Inclusive as não semelhanças de credo, gosto e opinião, que geram conflitos entre os homens e as mulheres de má vontade que julgam o outro, por se julgarem especiais e imunes aos males e às fraquezas inerentes a todos.
Que a nova chance alcançada nos leve à reflexão sobre o que realmente vale a pena. Talvez seja tempo de conhecermos valores maiores do que dinheiro, status e fama. Tempo de termos tempo para quem amamos e para nós mesmos. Uma nova era, em que nos doarmos mais aos nossos filhos tenha mais poder do que dar coisas conquistadas com ausências provindas do excesso de trabalho. Novos tempos, em que a presença fale mais alto que o presente.

É este o feliz ano novo que o meu coração consegue desejar a todos. Eis a grande conquista que a humanidade ainda não valoriza: o amor que aproxima. Que não espera troco nem recompensa. Que põe as pessoas acima de suas posses ou não posses. De seus nomes e sobrenomes. Aparências, feitos e resultados. Credos, etnias, cores, escolhas e orientações. Isto sim é igualdade.

DELÍRIO


VITÓRIA

Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sofremos muitas derrotas, mundo afora... o que não podemos é sair derrotados dessas derrotas.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

AMOR & SOCIEDADE

Demétrio Sena, Magé - RJ.
É assim que te quero; como quem não quer;
numa reza sem fé; busca sem desempenho;
no silêncio da voz que transfiro pros olhos,
mesmo assim de fumê; de regato e não foz...
Eu te quero com filtros de não te perder,
muitos véus e desvelos ao ficar assim,
sem começo nem fim; meio termo eficaz
em não ter que acordar deste meu não dormir...
Um querer sem querer, mas por querer e pronto,
esse ponto sem nó pra poder desatar
quando a vida entender de cobrar transparência...
Não importa o contexto, é querer de verdade,
mesmo tendo a mentira como seu escudo,
para tudo ficar na moldura da lei...

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

SONETO SOCRÁTICO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Se morri toda morte que se morre,
já vivi cada vida que se tem,
ou de cada bebida o justo porre;
todo mal, se por mal ou se por bem...

Fui além do infinito, após além,
por amor fui mocinho em Love Story,
odiei, fiz a guerra, paz também,
mas ninguém me condene ou condecore...

Sou quem sou desde o dia em que cheguei,
sei de tudo, no entanto nada sei,
quanto mais me procuro e me aprofundo...

Ser poeta me abona pra voar
ou pra ir pelos ares lá no ar,
onde o céu justifica estar no mundo...

AMIGO


Demétrio Sena, Magé - RJ.


Amigo não é coisa. Nem é pra se guardar. Muito menos debaixo de sete chaves. Amigo é um ser especial, com o direito de ir e vir... e ter sempre abertas as portas do nosso coração.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

AMOR SEM ECO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Um gostar dissolvido em névoa e véu;
disfarçado no céu de minha voz;
uma chama escondida que não chama
e me leva pra cama só comigo...
Meu amor se declara pra si mesmo,
minhas mãos te procuram nos meus cantos,
onde os mantos de minha solidão
chocam sonhos que nunca darão crias...
Tenho via de fato sem saída,
servidão que não serve um horizonte,
velha ponte quebrada noutro extremo...
É assim que meu mundo anseia o teu;
céu de ateu que não crê, só por despeito;
eu te odeio de amor ignorado.

domingo, 21 de dezembro de 2014

GOSTAR DE PASSARINHOS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Detesto ratos, escorpiões e lacraias... mesmo assim não os prendo. Porque haveria, então, de prender passarinhos?

FANTASIA SUSTENTÁVEL


Demétrio Sena, Magé - RJ.


Ainda que o alvo seja uma pessoa proibida, é perfeitamente moral fantasiar. Mas a fantasia perfeita só é possível quando se consegue desse alguém a cumplicidade secreta pela qual se trocam gestos, silêncios, provocações veladas e olhares tortos. A depender das ocasiões, culminar com as gentilezas eróticas de se deixar ver naqueles flagrantes deliciosos de pós-banho, sono descuidado, corpo mal coberto, pequenos sustos ou naturalidades teatrais.
Nem mesmo para quem tem cônjuge, fantasiar é trair. Não é, desde que não se chegue às vias de fato. Na verdade, as vias de fato rasgam a fantasia. Desestabilizam a leveza do sonho. Tiram toda poesia que se compõe da magia do ato. Do ato sem ato. Que só é mágico por ser assim. Por não abrir portas ao arrependimento. Por não levar a sofrer pelo que não houve, porque fantasiar é isso: é não haver; é pairar sobre o fazer. É a constatação do poder de sonhar com o impossível, vê-lo possível, mas resistir à realização que nos tornaria os vilões de uma história que não poderia ser nossa.
Fantasio desde sempre. E tenho cumplicidade. Resposta velada e digna, com a perfeita consciência dos limites. Meus olhos leem aqueles olhos, conhecemos trechos de nossas curvas e nos provocamos respeitosamente. Negociamos gentilezas eróticas e nunca falamos a respeito. Permutamos desejos silenciosos que não afetam em derredor e jamais levaram ao sofrimento quem não merece mesmo sofrer por isso. É o nosso segredo. Nosso mundo secreto. Um querer sem querer que nos acende por dentro, para depois nos entendermos a sós; cada um consigo mesmo.
Não adentro atalhos rumo às vias de fato. Sou fiel ao segredo e à manutenção do sonho. Da impossibilidade. Não quero mais do que o querer sem querer que nos apimenta e devolve à certeza do que nunca será. Seremos para sempre a fantasia mantida sobre as convenções, para que o mundo à nossa volta não seja desarrumado e mantenha essa fantasia... de que não há fantasia.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

NATAL SECRETO


Demétrio Sena, Magé - RJ.

Anos e anos de procura, e não encontrei a versão do meu natal no meio das cores fartas e sintéticas que saturam as ruas da cidade. Nem mesmo nas cartas de crédito e consumo que chegam à caixa de correspondências de minha casa e me chamam pras lojas enfeitadas por itens e gentes. Ou só por itens, porque afinal, pessoas também são itens no brilho superficial dos shoppings que se enchem de afetos para todos os gostos e poderes aquisitivos.
O natal com que sonho desde criança, e que não casava com os sonhos de outras crianças, nunca veio ao meu encontro. Talvez porque não exista, e porque os sonhos de meninos e adultos alienígenas não podem mesmo se realizar, para que o mundo não seja desarrumado. Jamais me achei, nem ao meu natal disforme, sob as ondas da paz comercial desse amor que se apresenta nos moldes emergenciais da velha data instituída.
Com o tempo, precisei adequar meu egoísmo à normalidade cívica e dogmática do natal que polui os olhos e dentro em pouco poluirá lixeiras, esquinas, encruzilhadas e guetos. Quando a minha esquisitice lamber os restos de abraços, discursos e sorrisos, meus olhos verão pessoas ainda mais esquisitas e carentes revirarem o lixo em busca dos restos gastronômicos do natal. Para essas pessoas, afetos de fim de ano são presentes de outro mundo.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

SOLIDARIEDADE REAL

Demétrio Sena, Magé - RJ.
Não dê porque é dando que se recebe, e sim, porque alguém precisa do que você tem para dar.

CARÁTER NATO

Demétrio Sena, Magé - RJ.
 Agrada-me a ideia de que uma pessoa é íntegra porque é; por natureza. Não porque obedece às leis, aos mandamentos, teme a justiça humana, divina, ou porque isso abre as portas do mundo e do paraíso.

DE VIVER