domingo, 15 de fevereiro de 2026

Vertigem Crônica

Demétrio Sena - Magé 


Algumas conversas jamais ocorrerão. São muito necessárias, seriam salutares, elucidativas e até salvívicas, mas prosseguirão evitadas a vida inteira, por faltar a certeza do que é certo. Por tropeçarmos nessa redundância, em cada quase que nos puxa para trás, quando quase deixa de ser quase. Na hora que já não é hora de ninguém dar tempo ao tempo.

Reinarão para sempre as palavras não ditas, os olhares fugidios. O não falado pelo não dito, porque "diz o ditado", que, tanta coisa, que acabamos não acabando o que jamais começou. É uma eterna "terminativa" desencontrada, em razão de uma iniciativa que morre antes do próprio início.

São muitas as decisões não tomadas exatamente quando as tomamos dentro de nós. Alívios nunca vividos, porque nos angustiamos ante a sua perspectiva. Só tomamos coragem na boca da covadia, que nos engole com a sua coragem de manter tudo na zona do mais desconfortável dos confortos. O de ficarmos no lugar-comum que sempre foi nosso não-lugar.

Algumas conversas sempre serão desconversadas (ou fiadas, pois nunca serão cumpridas). Exatamente como esta crônica, que se revela mais crônica, no sentido patológico de grave, do que propriamente crônica, no sentido literário de crônica. Ninguém me leve ao pé-da-letra. 
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Respeite autorias. É lei 

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