sexta-feira, 22 de maio de 2020
quarta-feira, 13 de maio de 2020
LIMITE
Demétrio Sena - Magé
Preferia falar de um amor sem resposta;
uma dor de saber que me resta ser só;
dar as costas pra vida e sonhar com alguém
que nem sabe do acaso de minha existência...
Não queria sentir essa carga de fatos
a tal ponto que tenha pavor deste mundo,
ver o fundo do abismo se abrir mais e mais
e saber lá no fim, que o fim mesmo é depois...
Comporia pra sempre a paixão extremada,
o meu pranto por todas as decepções,
as razões emotivas de me descrever...
Mas falar da crueza desta realidade,
destes tempos de tanto sofrimento em massa,
ultrapassa os limites da minha poesia...
Preferia falar de um amor sem resposta;
uma dor de saber que me resta ser só;
dar as costas pra vida e sonhar com alguém
que nem sabe do acaso de minha existência...
Não queria sentir essa carga de fatos
a tal ponto que tenha pavor deste mundo,
ver o fundo do abismo se abrir mais e mais
e saber lá no fim, que o fim mesmo é depois...
Comporia pra sempre a paixão extremada,
o meu pranto por todas as decepções,
as razões emotivas de me descrever...
Mas falar da crueza desta realidade,
destes tempos de tanto sofrimento em massa,
ultrapassa os limites da minha poesia...
CORAÇÕES INFÉRTEIS
Demétrio Sena - Magé
Qualquer um é meu próximo, a vida me diz,
diferenças me fundem ao meu semelhante;
felicite meus olhos ver alguém feliz,
vê-lo triste me cause tristeza constante...
Há um mundo que geme dessa dor constante;
solidões que se agravam na mesma raiz;
um amor que apodrece como dom farsante;
corações mais inférteis do que pó de giz...
Apesar dos contrastes, temos em comum
as verdades em volta, que nos fazem um;
pra que servem as crenças e seus preconceitos?
Temos fé professada nos gritos de guerra,
num inferno que finge ser o céu na terra;
somos trastes caiados de seres perfeitos...
Qualquer um é meu próximo, a vida me diz,
diferenças me fundem ao meu semelhante;
felicite meus olhos ver alguém feliz,
vê-lo triste me cause tristeza constante...
Há um mundo que geme dessa dor constante;
solidões que se agravam na mesma raiz;
um amor que apodrece como dom farsante;
corações mais inférteis do que pó de giz...
Apesar dos contrastes, temos em comum
as verdades em volta, que nos fazem um;
pra que servem as crenças e seus preconceitos?
Temos fé professada nos gritos de guerra,
num inferno que finge ser o céu na terra;
somos trastes caiados de seres perfeitos...
segunda-feira, 11 de maio de 2020
Para o tempo autenticar
Demétrio Sena - Magé
Meu eterno é poder me completar
nos momentos, quem sabe nos acasos,
ter nos prazos finais o meu acesso
às vivências que sempre vêm depois...
Venha ser para sempre a minha história,
um poema, romance, conto, frase;
uma fase pro tempo autenticar;
o futuro presente ou no passado...
Serei seu até quando já não for,
seja o mundo que a vida me reserva
nesse amor sem promessa nem medida...
E quem sabe o pra sempre faça jus
ao espaço, cronômetro e contagem,
na viagem da gente ser feliz...
Meu eterno é poder me completar
nos momentos, quem sabe nos acasos,
ter nos prazos finais o meu acesso
às vivências que sempre vêm depois...
Venha ser para sempre a minha história,
um poema, romance, conto, frase;
uma fase pro tempo autenticar;
o futuro presente ou no passado...
Serei seu até quando já não for,
seja o mundo que a vida me reserva
nesse amor sem promessa nem medida...
E quem sabe o pra sempre faça jus
ao espaço, cronômetro e contagem,
na viagem da gente ser feliz...
quarta-feira, 6 de maio de 2020
quarta-feira, 15 de abril de 2020
FORMALIZAÇÃO - SABEDORES E SÁBIOS
FORMALIZAÇÃO
Demétrio Sena - Magé
Nunca mais me derreto pra tua frieza,
meu calor se desculpa, chega de aconchego,
tiro a mesa em que sempre te servi afeto,
falei grego nas vias do teu coração...
Calarei no meu rosto este sorriso bobo
e serei mais contido, muito mais formal,
pedirei audiência em teu ramal de gelo
quando for necessário soletrar palavras...
Meu carinho se apaga nos teus tons de cinza;
finalmente serás a rainha longínqua;
soberana ranzinza no meu reino interno...
Doravante a recíproca será meu norte,
farei corte nos gastos de minha energia,
se qualquer sentimento ficar sem resposta...
Demétrio Sena - Magé
Nunca mais me derreto pra tua frieza,
meu calor se desculpa, chega de aconchego,
tiro a mesa em que sempre te servi afeto,
falei grego nas vias do teu coração...
Calarei no meu rosto este sorriso bobo
e serei mais contido, muito mais formal,
pedirei audiência em teu ramal de gelo
quando for necessário soletrar palavras...
Meu carinho se apaga nos teus tons de cinza;
finalmente serás a rainha longínqua;
soberana ranzinza no meu reino interno...
Doravante a recíproca será meu norte,
farei corte nos gastos de minha energia,
se qualquer sentimento ficar sem resposta...
SABEDORES E SÁBIOS
Demétrio Sena - Magé
Sei que minhas verdades podem ser quebráveis,
Pode ser que as certezas tenham pontos fracos,
perderei muitos cacos do que sempre soube,
quando a vida cair sobre minha soberba...
O que sei do que leio não me salvará;
nada sei nos entulhos das coisas que sei,
pois a lei do saber favorece os humildes;
distribui alvará pros que menos ostentam...
É preciso aprender com quem vive do pouco;
pouco ter, pouco ler e pouco impressionar
e seguir apesar do quanto pesa o mundo...
Sabedores e sábios têm que dar as mãos,
a cultura não vive sem agricultura
nem há sins onde os nãos nunca tenham reinado...
Demétrio Sena - Magé
Sei que minhas verdades podem ser quebráveis,
Pode ser que as certezas tenham pontos fracos,
perderei muitos cacos do que sempre soube,
quando a vida cair sobre minha soberba...
O que sei do que leio não me salvará;
nada sei nos entulhos das coisas que sei,
pois a lei do saber favorece os humildes;
distribui alvará pros que menos ostentam...
É preciso aprender com quem vive do pouco;
pouco ter, pouco ler e pouco impressionar
e seguir apesar do quanto pesa o mundo...
Sabedores e sábios têm que dar as mãos,
a cultura não vive sem agricultura
nem há sins onde os nãos nunca tenham reinado...
sábado, 11 de abril de 2020
VERSOS DE RESISTÊNCIA - VERSOS DE QUARENTENA - SEM MEDO DA VIDA NEM DA MORTE - IMPOTÊNCIA - POEMETO ANTI-HERÓI - REDIVIVO - MUNDO EXTÁTICO
VERSOS DE RESISTÊNCIA
Demétrio Sena - Magé
Meu poema parou no beiral do edifício;
as pessoas na rua querem ver o salto;
alto, lá que o poema só quer ver de cima
os olhares do mundo, sem hipocrisia!
Mostrarei aos carrascos que a poesia vive,
a dureza não mata minha inspiração,
coração e cabeça estão juntos num campo
que não é de batalha, mas de renascença...
Vim dizer que meus versos não são suicidas;
eles voam; não pulam procurando a morte;
somam vidas e lançam sementes de sonhos...
O poema no topo do edifício d´alma
tem a calma do verde que a esperança traz;
as pessoas na rua querem ver o salto;
alto, lá que o poema só quer ver de cima
os olhares do mundo, sem hipocrisia!
Mostrarei aos carrascos que a poesia vive,
a dureza não mata minha inspiração,
coração e cabeça estão juntos num campo
que não é de batalha, mas de renascença...
Vim dizer que meus versos não são suicidas;
eles voam; não pulam procurando a morte;
somam vidas e lançam sementes de sonhos...
O poema no topo do edifício d´alma
tem a calma do verde que a esperança traz;
uma paz que aprendeu a vencer gafanhotos...
VERSOS DE QUARENTENA
Demétrio Sena - Magé
Pra que minha poesia rompa cercos,
atravesse o deserto, a solidão,
amenize a visão do breu total
que me cega de olhar e nada ver...
Meu poema passeie sem censura;
passe pelos fiscais; engane guardas;
nem atente pras fardas da polícia
ou pros olhos atentos informais...
Os meus versos irão por minhas asas;
eu preciso ficar guardado aqui;
há um pingo no i do meu intento...
Cuidarei dos poemas de amanhã
e depois de amanhã, que minha mão
soltará no desvão do isolamento...
atravesse o deserto, a solidão,
amenize a visão do breu total
que me cega de olhar e nada ver...
Meu poema passeie sem censura;
passe pelos fiscais; engane guardas;
nem atente pras fardas da polícia
ou pros olhos atentos informais...
Os meus versos irão por minhas asas;
eu preciso ficar guardado aqui;
há um pingo no i do meu intento...
Cuidarei dos poemas de amanhã
e depois de amanhã, que minha mão
soltará no desvão do isolamento...
SEM MEDO DA VIDA NEM DA MORTE
Demétrio Sena - Magé
Hoje relembrei, ao decidir comentar uma postagem do meu irmão Antonio Sena, o verso final de um poema que fiz há muitos anos: "Para mim Deus é Algo; não Alguém". Eu nem me lembrava desse meu poema.
Alguém ou Algo, minha conclusão é respeitosa. Por isso mantenho a letra inicial maiúscula e questiono meu ateísmo, mais atribuído a mim por terceiros, do que por mim próprio, por eu não ser cristão. Não frequentar um templo. Não orar ou rezar. Não prestar culto, pedir nem agradecer a Que ou Quem. Não professar uma fé institucional.
Acho que a maior prova de fé que o ser humano pode mostrar a si mesmo é viver sem medo da vida nem da morte. Do plano em que ora estamos nem do possível plano além, aquém ou paralelo. E a maior prova de amor ao próximo está em amar e respeitar o outro com todas as suas crenças e não crenças. As formas de pensar e viver.
Cada um tem seu sagrado. Até o ateu, cujo sagrado é racional. Vivemos bem, quando nos entendemos com nossas crenças ou não crenças e não limitamos o amor ao próximo à sua possível cópia de quem somos.
O fato é que Deus, como Alguém ou Algo, sempre será Quem ou Que, não importam nossas conclusões. Próprias nem via estudos, leituras e diferentes orientações a cada segmento. Isso é imutável.
IMPOTÊNCIA
Demétrio Sena - Magé
A soberba está brocha nesses dias;
ela bem que procura se manter,
se conter dos temores em comum
no teatro das redes sociais...
É a vez dessa vista horizontal
entre os olhos sombrios que se baixam,
sem portal, profecia nem certeza
ou aquela esperança equilibrada...
Não há brio firmado em tons exatos
nem há fatos guardados pras manhãs
que ninguém antevê depois das noites...
Nossa rocha está frágil como bolhas,
somos folhas que seguem qualquer brisa,
porque toda soberba ficou brocha...
ela bem que procura se manter,
se conter dos temores em comum
no teatro das redes sociais...
É a vez dessa vista horizontal
entre os olhos sombrios que se baixam,
sem portal, profecia nem certeza
ou aquela esperança equilibrada...
Não há brio firmado em tons exatos
nem há fatos guardados pras manhãs
que ninguém antevê depois das noites...
Nossa rocha está frágil como bolhas,
somos folhas que seguem qualquer brisa,
porque toda soberba ficou brocha...
POEMETO ANTI-HERÓI
Demétrio Sena - Magé
Temos muitos "heróis"; não criem outros;
nossa crise de aspas não permite;
não se agite a carência do rebanho,
porque tudo está seco e sem porteira...
Pra que servem "heróis" que não resolvem,
trazem carmas, conflitos e desculpas,
têm apenas bravatas como armas
e transferem as culpas mascaradas?
Não inventem cenários; falsos mapas
nem as capas pra Zorros pontuais
diluídos perante os olhos nus...
Resta o sonho do nosso entendimento;
aos "heróis" do momento é preferível
ter "vilões" que a má fé convencionou...
nossa crise de aspas não permite;
não se agite a carência do rebanho,
porque tudo está seco e sem porteira...
Pra que servem "heróis" que não resolvem,
trazem carmas, conflitos e desculpas,
têm apenas bravatas como armas
e transferem as culpas mascaradas?
Não inventem cenários; falsos mapas
nem as capas pra Zorros pontuais
diluídos perante os olhos nus...
Resta o sonho do nosso entendimento;
aos "heróis" do momento é preferível
ter "vilões" que a má fé convencionou...
REDIVIVO
Demétrio - Sena Magé
Vejo além desse medo imposto às vistas
e respiro a promessa de amanhãs,
tenho pistas e frestas do momento
em que todos os sonhos vão florir...
Já estou arrancando meus espinhos;
coração bate um pouco menos preso;
há um peso menor nos pensamentos,
meus caminhos parecem mais fluentes...
Hoje a velha esperança se renova,
recompõe o verdor e vence os grilos,
põe à prova os sentidos desbotados...
Reavivo a coragem de viver;
volto a ser e sentir que vale a pena;
só estava e nem via o tempo ir...
e respiro a promessa de amanhãs,
tenho pistas e frestas do momento
em que todos os sonhos vão florir...
Já estou arrancando meus espinhos;
coração bate um pouco menos preso;
há um peso menor nos pensamentos,
meus caminhos parecem mais fluentes...
Hoje a velha esperança se renova,
recompõe o verdor e vence os grilos,
põe à prova os sentidos desbotados...
Reavivo a coragem de viver;
volto a ser e sentir que vale a pena;
só estava e nem via o tempo ir...
MUNDO EXTÁTICO
Demétrio Sena - Magé
Ruas vagas me chamam pra distância
que não posso atingir, pois estou preso,
há um peso nos olhos e nos passos
e na soma das horas que se arrastam...
Mas ainda consigo ver o céu,
não há teto capaz de lhe cobrir,
coibir os meus sonhos, o desejo
de rever até quem sequer conheço...
Há um mundo, apesar de ralo e triste,
um espaço que o tempo desabona,
mas existe a surpresa do futuro...
Hoje sei que alguns dias podem ser
infinitos, a própria eternidade,
na saudade maior do que as lembranças...
que não posso atingir, pois estou preso,
há um peso nos olhos e nos passos
e na soma das horas que se arrastam...
Mas ainda consigo ver o céu,
não há teto capaz de lhe cobrir,
coibir os meus sonhos, o desejo
de rever até quem sequer conheço...
Há um mundo, apesar de ralo e triste,
um espaço que o tempo desabona,
mas existe a surpresa do futuro...
Hoje sei que alguns dias podem ser
infinitos, a própria eternidade,
na saudade maior do que as lembranças...
domingo, 22 de março de 2020
CRASE - SOBRE O MEU PROSSEGUIR - GILBERTEANDO A TRISTEZA - ESPELHO - AMOR DE MERCADO - VERBO NAS VEIAS - MENSAGEM DE AMOR
CRASE
Demétrio Sena - Magé
Já ficamos cortados; não façam sangria;
nossa dor só nos pede pra não ser de morte,
pois é forte o sofrer, pra ficar mais sofrido;
cada dia noturno quer nutrir um sonho...
Há um sono que pede menos pesadelo,
Já existe uma crise, dispensamos crase,
uma fase tão dura, não a perpetuem,
muita lágrima e chega desse mar de pranto...
A cabeça já dói; não nos pirem de vez;
fim do mês é de arrocho, não arrochem mais,
pois nem temos mais caldo para se ordenhar...
A doença chegou, mas não a desenganem;
temos todos os medos, pavor do pavor,
Já perdemos a cor, mas nos deixem visíveis...
SOBRE O MEU PROSSEGUIR
Demétrio Sena - Magé
Tenho certa preguiça de mostrar meus pontos
de fraqueza, de vista e de convicção,
pôr o meu coração e os conceitos à mostra
ou deixar os meus olhos expostos aos mais...
Dá preguiça, inclusive, de mostrar os textos;
semear os meus versos, as prosas diárias;
doar cestos e cestos de frutos da alma,
para ver esses frutos lançados ao chão...
Também cansa querer alcançar consciências,
as visões mais comuns de questões sociais,
minha essência, contextos, abstracionismos...
Mas algumas cabeças, alguns corações
que até posso contar sem ocupar os dedos,
estão entre os segredos do meu prosseguir...
ESPELHO
Demétrio Sena - Magé
Faço versos pra mim; criticando a mim mesmo,
como quem alardeia contra o mundo externo;
meu inferno se mostra como se do mundo
que me cerca e de fato está como componho...
Mas não falo do mundo, quando mais retrato
as feridas tamanhas que se alastram n´alma;
quando purgo e destrato sentimentos maus
e pareço bradar contra os males dos outros...
Eu me vejo no espelho ao fazer os meus versos
de lamento e pesar pelas faltas humanas;
por pessoas ufanas, mesquinhas ou torpes...
Meus escritos descrevem minha identidade;
a verdade que mora na minha estrutura
e as juras falidas que sempre me faço...
AMOR DE MERCADO
Demétrio Sena - Magé
O amor é palavra que brilha nos templos,
torna gente famosa por falas bonitas,
porém fica na sombra, morre nos exemplos
que não brotam no meio das massas aflitas...
Tem a cor estampada nas faces contritas;
propaganda falsária para conversões;
mas as suas venturas são todas restritas
aos que fazem da fé sua feira de ações...
Essa coisa de amar incomoda quem prega;
sempre foi exceção; não amar é a regra;
é retórica e palco de ganhar prestígio...
Tal amor de mercado se perdeu do bem,
foi ao fundo insondável da paz que não tem,
porque foi leiloado e não restou vestígio...
VERBO NAS VEIAS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Quem quiser meu silêncio saberá depois,
que o silêncio protesta não importa como;
vem aos olhos, ao cromo das maçãs do rosto,
ao suor que não brota por temperatura...
Não me calo nem preso, com densa mordaça,
cada grito soado ecoa nas memórias,
na carcaça do tempo em que não fui contido,
nas histórias que um dia se ataram à minha...
Tenho sangue nos pulsos e verbo nas veias,
lanço teias nas sombras das noites caladas
onde as tramas da guerra se vestem de paz...
Meu silêncio vai ser o suspiro final;
minha voz é fanal que alumia os meus passos,
porque sigo as pegadas do meu coração...
MENSAGEM DE AMOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
A mensagem de amor não devia ofender;
venha ela do luxo, do lixo e do nada;
seja dita, cantada, na prece ou no samba,
nos terreiros e templos de todas as crenças...
Que ninguém privatize o teor da mensagem;
constitua tarifa, pedágio, franquia;
forje guia, boleto, CNPJ
ou milícia litúrgica; bando; cartel...
O amor não se torne um torpedo secreto,
mandamento e decreto que as "bocas de fé"
adulteram; traficam nos vãos do poder...
Ninguém ache que o dom é de púlpito e trono
e tem dono, capanga, direito autoral;
a mensagem de amor não é marca e patente...
sábado, 7 de março de 2020
UMA NOVA ILUSÃO - BICHO REI - VERBO NAS VEIAS - MENSAGEM DE AMOR
UMA NOVA ILUSÃO
Demétrio Sena - Magé
Não faria metade, ou mesmo além,
do que fiz na passagem dos meus anos;
minha vida seria mais verdade;
menos danos por sonhos insensatos...
Viveria os amores, não mais casos,
eu seria feliz o tempo inteiro,
apesar dos meus tombos; as tristezas;
meu canteiro de planos impossíveis...
Nunca mais causaria sofrimentos
ou teria momentos cujos preços
me fizessem pagar até meu fim...
É por isso que chamo a outra margem,
só me deito pensando em acordar
na viagem de volta pro começo...
BICHO REI
Demétrio Sena - Magé
Uma sombra se arrasta, nos toma sem trégua;
o país ronda o caos e nos leva consigo;
não há régua capaz de medir os desastres
que rabiscam seus traços em nossa verdade...
Há um bando nos tronos; essas bundas sujas
chocam suas mentiras de afundar o povo,
têm um ovo que gesta futuros rasgados
feito pano que a vida transformou em trapo...
Essa gente que apoia compõe a quadrilha;
uma pilha de servos que brincam de preces
e fomentam a guerra contra os que resistem...
Bicho rei dos escombros da maldade humana
rege sócios e ratos, anjos de festim
que dirão sempre sim às versões do poder...
VERBO NAS VEIAS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Quem quiser meu silêncio saberá depois,
que o silêncio protesta não importa como;
vem aos olhos, ao cromo das maçãs do rosto,
ao suor que não brota por temperatura...
Não me calo nem preso, com densa mordaça,
cada grito soado ecoa nas memórias,
na carcaça do tempo em que não fui contido,
nas histórias que um dia se ataram à minha...
Tenho sangue nos pulsos e verbo nas veias,
lanço teias nas sombras das noites caladas
onde as tramas da guerra se vestem de paz...
Meu silêncio vai ser o suspiro final;
minha voz é fanal que alumia os meus passos,
porque sigo as pegadas do meu coração...
MENSAGEM DE AMOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
A mensagem de amor não devia ofender;
venha ela do luxo, do lixo e do nada;
seja dita, cantada, na prece ou no samba,
nos terreiros e templos de todas as crenças...
Que ninguém privatize o teor da mensagem;
constitua tarifa, pedágio, franquia;
forje guia, boleto, CNPJ
ou milícia litúrgica; bando; cartel...
O amor não se torne um torpedo secreto,
mandamento e decreto que as "bocas de fé"
adulteram; traficam nos vãos do poder...
Ninguém ache que o dom é de púlpito e trono
e tem dono, capanga, direito autoral;
a mensagem de amor não é marca e patente...
terça-feira, 25 de fevereiro de 2020
UM LUGAR - NAÇÃO E NOÇÃO - BRASILEIRO INDIGNADO - SOLITÁRIAS ESTRELAS - PRONTIDÃO - PREGAÇÃO - PORTO INSEGURO
UM LUGAR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Tenho pressa de um dia não ter pressa;
rir pro céu e não ver que a vida passa,
ver a traça roer a minha roupa
e tentar uma foto bem focada...
Quero a rede na sombra, livro em mãos
com as horas paradas para mim,
ter à frente o sem fim pra namorar
borboletas, colibris e pitangas...
Mas o mundo me acorda sem dar pausa,
rompe toda magia do meu Éden;
toda causa das minhas esperanças...
Deixo minha lerdeza em horizontes
onde os olhos me guardam no silêncio
entre montes, riachos e jardins...
Tenho pressa de um dia não ter pressa;
rir pro céu e não ver que a vida passa,
ver a traça roer a minha roupa
e tentar uma foto bem focada...
Quero a rede na sombra, livro em mãos
com as horas paradas para mim,
ter à frente o sem fim pra namorar
borboletas, colibris e pitangas...
Mas o mundo me acorda sem dar pausa,
rompe toda magia do meu Éden;
toda causa das minhas esperanças...
Deixo minha lerdeza em horizontes
onde os olhos me guardam no silêncio
entre montes, riachos e jardins...
NAÇÃO X NOÇÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Nestes tempos de facada sem sangue,
penso às vezes que morri sem morrer;
mas não pago pra ver, pois o calote
poderia falhar; só de pirraça...
Nesta era de gente que já era
e voltou a três séculos atrás,
besta fera já pode ser eleita;
foi assim que ocorreu neste país...
Eis um povo bem povo e fanfarrão;
a nação sem noção que fica bem
com o triste prazer de ser lacrada...
Sob o lacre não vê que o mundo avança
e se lança no abismo toda prosa,
como quem viajasse para o céu...
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Nestes tempos de facada sem sangue,
penso às vezes que morri sem morrer;
mas não pago pra ver, pois o calote
poderia falhar; só de pirraça...
Nesta era de gente que já era
e voltou a três séculos atrás,
besta fera já pode ser eleita;
foi assim que ocorreu neste país...
Eis um povo bem povo e fanfarrão;
a nação sem noção que fica bem
com o triste prazer de ser lacrada...
Sob o lacre não vê que o mundo avança
e se lança no abismo toda prosa,
como quem viajasse para o céu...
BRASILEIRO INDIGNADO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Quando era jovem, fui vendedor de livros. Tempo em que ainda podíamos entrar em edifícios e ir de apartamento em apartamento para oferecer um produto. Certa vez, uma linda mulher de uns trinta anos ou menos, depois de olhar demoradamente pelo visor me atendeu só com a peça íntima de baixo. Mandou entrar, ouviu minha demonstração, fez uma compra, serviu um suco e nos despedimos com um aperto de mão. Ela foi completamente respeitosa: nenhuma palavra ou gesto vulgar. Nenhuma insinuação.
Jamais comentei aquilo com os colegas na época. Primeiro, porque a ninguém interessava; segundo, porque todos questionariam, indignados, minha condição de homem; o que naquele tempo ainda me constrangeria. Certamente, achariam que a postura obrigatória como heterossexual teria sido eu "cair matando", quando em minha opinião, aquela mulher não "me deu bola". Só me deu a honra de uma confiança rara.
Ainda penso como naqueles anos. Creio na ética do consenso e no caráter da liberdade. Respeito, inacreditavelmente para muitos, o direito sobre o próprio corpo e a confiança extrema ou até imprudente que um ser humano adulto possa ter em outro. Em minha cabeça, uma pessoa só me deseja se disser isso como proposta ou resposta direta.
Ao ver a recente postura de um verme que desrespeita uma menina por causa do short ou do verme que ora preside o país e xinga mulheres de vagabundas, por serem opostas; faz insinuações sexuais públicas a uma jornalista; zomba da aparência e da idade de uma primeira dama estrangeira e debocha de um japonês simples pela suposta medida do seu pênis, constato que o Brasil regrediu cem anos em menos de dois.
Admirado por muita gente aética, maioria nominalmente cristã, o atual presidente reforça, empodera e atiça desde sua eleição, o preconceito racista; o boicote às religiões de matriz africana; a homofobia; a perseguição truculenta contra os artistas e professores que promovem o pensamento crítico; pobres que não aceitam suas rédeas... sobretudo, o machismo. Tudo isso tem feito vítimas em todo o território nacional.
Hoje nem vou falar das desgraças causadas por esse louco e sua equipe nos campos da Educação e das artes. Da ecologia e da ciência... Da geração de subempregos oficializados com todos os direitos ao empregador e apenas deveres ao empregado que, doravante, vira escravo de carteira assinada. Atenho-me agora, só aos abusos; aos atos de preconceito e machismo que, por si só, garantem a derrocada inequívoca de uma sociedade.
Meus pêsames e também o respeito aos brasileiros de quaisquer tribos, religiões, etnias, classes e gêneros que lutam contra tudo isso. Piedade aos que se sentem representados pelas sacanagens desse governo a quem exaltam como se fosse um deus, e sendo assim, tudo que diga e faça tivesse um grande propósito.
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Quando era jovem, fui vendedor de livros. Tempo em que ainda podíamos entrar em edifícios e ir de apartamento em apartamento para oferecer um produto. Certa vez, uma linda mulher de uns trinta anos ou menos, depois de olhar demoradamente pelo visor me atendeu só com a peça íntima de baixo. Mandou entrar, ouviu minha demonstração, fez uma compra, serviu um suco e nos despedimos com um aperto de mão. Ela foi completamente respeitosa: nenhuma palavra ou gesto vulgar. Nenhuma insinuação.
Jamais comentei aquilo com os colegas na época. Primeiro, porque a ninguém interessava; segundo, porque todos questionariam, indignados, minha condição de homem; o que naquele tempo ainda me constrangeria. Certamente, achariam que a postura obrigatória como heterossexual teria sido eu "cair matando", quando em minha opinião, aquela mulher não "me deu bola". Só me deu a honra de uma confiança rara.
Ainda penso como naqueles anos. Creio na ética do consenso e no caráter da liberdade. Respeito, inacreditavelmente para muitos, o direito sobre o próprio corpo e a confiança extrema ou até imprudente que um ser humano adulto possa ter em outro. Em minha cabeça, uma pessoa só me deseja se disser isso como proposta ou resposta direta.
Ao ver a recente postura de um verme que desrespeita uma menina por causa do short ou do verme que ora preside o país e xinga mulheres de vagabundas, por serem opostas; faz insinuações sexuais públicas a uma jornalista; zomba da aparência e da idade de uma primeira dama estrangeira e debocha de um japonês simples pela suposta medida do seu pênis, constato que o Brasil regrediu cem anos em menos de dois.
Admirado por muita gente aética, maioria nominalmente cristã, o atual presidente reforça, empodera e atiça desde sua eleição, o preconceito racista; o boicote às religiões de matriz africana; a homofobia; a perseguição truculenta contra os artistas e professores que promovem o pensamento crítico; pobres que não aceitam suas rédeas... sobretudo, o machismo. Tudo isso tem feito vítimas em todo o território nacional.
Hoje nem vou falar das desgraças causadas por esse louco e sua equipe nos campos da Educação e das artes. Da ecologia e da ciência... Da geração de subempregos oficializados com todos os direitos ao empregador e apenas deveres ao empregado que, doravante, vira escravo de carteira assinada. Atenho-me agora, só aos abusos; aos atos de preconceito e machismo que, por si só, garantem a derrocada inequívoca de uma sociedade.
Meus pêsames e também o respeito aos brasileiros de quaisquer tribos, religiões, etnias, classes e gêneros que lutam contra tudo isso. Piedade aos que se sentem representados pelas sacanagens desse governo a quem exaltam como se fosse um deus, e sendo assim, tudo que diga e faça tivesse um grande propósito.
SOLITÁRIAS ESTRELAS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Tenho pena de gente que só se mistura
com aqueles que atendem às suas demandas;
é amiga das provas de seus resultados
ou cirandas e jogos de sucesso e fama...
Gente fria e sem tempo pra tempo de gente
cujo afeto não conte para seus negócios;
não tem ócios e sonhos pro que não acresce
patrimônio e vitrine pra suas carreiras...
Solidão é resumo de vidas que avançam
sobre vidas e laços aquém de seus planos;
não descansam à sombra de pausas serenas...
São pessoas sensíveis ao que as engrandece;
ao que não as engesse nem por um segundo
em um mundo sem ares de protagonismo...
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Tenho pena de gente que só se mistura
com aqueles que atendem às suas demandas;
é amiga das provas de seus resultados
ou cirandas e jogos de sucesso e fama...
Gente fria e sem tempo pra tempo de gente
cujo afeto não conte para seus negócios;
não tem ócios e sonhos pro que não acresce
patrimônio e vitrine pra suas carreiras...
Solidão é resumo de vidas que avançam
sobre vidas e laços aquém de seus planos;
não descansam à sombra de pausas serenas...
São pessoas sensíveis ao que as engrandece;
ao que não as engesse nem por um segundo
em um mundo sem ares de protagonismo...
Quando a espada oprime a cruz... a música fere a dança... e o rumo certo é a contramão: há um túnel no fim da luz... um gafanhoto sobre a esperança... uma mudança sem caminhão.
PRONTIDÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Quando a morte vier ninguém me chame
pra fugir ou dizer que não me acho,
ser infame a tal ponto que declare
outra morte que tenha vindo antes...
Fim honesto não cede a tal suborno,
tenho a vida que o tempo combinou,
pôs no forno e me disse a minha hora
não exata, mas feita para mim...
Se você me vir pronto não me peça
pra tirar uma peça e vestir outra
e fazer o transporte me aguardar...
Minha morte não pode ser mais cara
do que os olhos da cara pra viver;
quero ir sem pagar adicionais...
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Quando a morte vier ninguém me chame
pra fugir ou dizer que não me acho,
ser infame a tal ponto que declare
outra morte que tenha vindo antes...
Fim honesto não cede a tal suborno,
tenho a vida que o tempo combinou,
pôs no forno e me disse a minha hora
não exata, mas feita para mim...
Se você me vir pronto não me peça
pra tirar uma peça e vestir outra
e fazer o transporte me aguardar...
Minha morte não pode ser mais cara
do que os olhos da cara pra viver;
quero ir sem pagar adicionais...
PREGAÇÃO
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Sou ateu; descobri que as diferenças
se harmonizam nas múltiplas verdades;
minhas crenças entendem que o amor
une todas as formas de ser gente...
Percebi que o espelho é fraudulento;
todos devem se achar e fundir laços;
ser um grupo fechado não preenche
os espaços reais da humanidade...
Nunca fui o melhor, pois sou ateu,
não me basta meu eu, existe o nós,
há uns nós que podemos desfazer...
Hoje sei que não sei além dos meus,
dos fiéis, os ateus iguais a mim,
pois no fim somos multiplicidade...
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Sou ateu; descobri que as diferenças
se harmonizam nas múltiplas verdades;
minhas crenças entendem que o amor
une todas as formas de ser gente...
Percebi que o espelho é fraudulento;
todos devem se achar e fundir laços;
ser um grupo fechado não preenche
os espaços reais da humanidade...
Nunca fui o melhor, pois sou ateu,
não me basta meu eu, existe o nós,
há uns nós que podemos desfazer...
Hoje sei que não sei além dos meus,
dos fiéis, os ateus iguais a mim,
pois no fim somos multiplicidade...
PORTO INSEGURO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Já é hora de crermos que somos mais nós,
que ninguém nos desvia de nossas verdades,
nossa voz é a vara do sonho que rege
as verdades que a vida não transferirá...
Lideranças não podem guiar nossas almas,
somos povo e não gado para ser tangido,
ser ungido é ser livre pra seguir caminhos
que não têm que ser estes ou aqueles outros...
Ninguém tente calar o silêncio expressivo
nem o grito que aposte no seu ir e vir,
quem é vivo precisa fazer jus a isto...
Pastoreie seus passos e morra vivendo,
pois viver não tem honra para quem é morto
por jamais abrir mão do seu porto seguro...
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Já é hora de crermos que somos mais nós,
que ninguém nos desvia de nossas verdades,
nossa voz é a vara do sonho que rege
as verdades que a vida não transferirá...
Lideranças não podem guiar nossas almas,
somos povo e não gado para ser tangido,
ser ungido é ser livre pra seguir caminhos
que não têm que ser estes ou aqueles outros...
Ninguém tente calar o silêncio expressivo
nem o grito que aposte no seu ir e vir,
quem é vivo precisa fazer jus a isto...
Pastoreie seus passos e morra vivendo,
pois viver não tem honra para quem é morto
por jamais abrir mão do seu porto seguro...
Circunstâncias causam estados, estágios e transitoriedades... mas não importa quem você está. Jamais se perca de quem você é.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020
BÍBLIA SANGRADA - SOBRE NÃO SER SHOW - ILUSÃO DE ÉTICA - NOSSA LENTE - CONTO ATADO AO NÃO CONTO - SAMURAI
BÍBLIA SANGRADA
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Nem de longe penso em desqualificar a Bíblia Sagrada como livro de regra e fé, que não é para mim; porém, respeito que seja para milhões de pessoas em todo o mundo. No entanto, as afirmações esdrúxulas e algumas tentativas de criação de leis pelo governo e seus ministros bizarros, para desqualificar e proibir livros de grande riqueza literária me fizeram chegar ao texto que ora publico. Trata-se apenas de um chamamento à reflexão, por comparações duras, mas que podem servir como espelho à hipocrisia crescente neste país que retrocedeu alguns séculos em pouco mais de um ano.
Foi na Bíblia Sagrada que visualizei as primeiras cenas de violência e terror em minha trajetória como devorador de livros: A matança divina dos primogênitos e as demais pragas do Egito... a disputa macabra entre Deus e o Diabo, sobre as desgraças de Jó... a condução de Abraão, do próprio filho ao quase sacrifício. Na Bíblia, Caim matou seu irmão Abel; Deus exterminou a humanidade com um dilúvio... Josué e seus homens invadiram cidades e dizimaram os resistentes. Sansão massacrou os inimigos, Dalila o traiu e os inimigos massacraram Sansão. O menino Davi matou Golias, arrancou sua cabeça e a exibiu ao povo. Mais tarde, um rei mandou matar os recém nascidos do reino, para Jesus não nascer... Pedro apóstolo cortou a orelha de um soldado... Judas traiu Jesus, depois se matou, e Jesus foi crucificado após carregar a cruz e sofrer barbáries a caminho do calvário.
Também fui aterrorizado pelo Apocalipse com seus monstros de chifres, fogo, enxofre, a destruição da terra, o caos e a incerteza sobre merecer salvação. Tudo coroado pela imagem do inferno, do Diabo e seus anjos. Evidentemente, não tenho como citar todas as cenas de violência e terror, porque são tantas; não teria como fazê-lo sem tomar tempo excessivo e requerer muito esforço dos leitores.
Ainda falta falar de outro aspecto que deveria fazer muito santinho corar. Não faz, porque ninguém é santinho. Refiro-me ao apelo erótico, até pornográfico em algumas passagens bíblicas. Em uma delas, homens que “levitam de tesão” tentam estuprar os anjos hospedados em Sodoma e Gomorra. Lá nos Cantares de Salomão, há poemas tão picantes (e de grande beleza, devo dizer), que me deixavam bem excitado, na adolescência, quando meus hormônios eram puro êxtase.
Bolsonaro, Weintraub, Damares, talvez Regina Duarte, parlamentares e admiradores governistas hipócritas defensores da censura literária, nunca prestaram atenção na Bíblia. Leem teleguiados por líderes e decoram versículos sem interpretar contextos históricos ou observar épocas e culturas. Se não fosse assim, sequer pensariam em censurar livros consagrados devido ao grande valor literário e cultural, com alegações absurdas de violência e/ou imoralidade. Em última instância, censurariam a Bíblia ou pelo menos recomendariam aos pais o não acesso aos filhos menores.
SOBRE NÃO SER SHOW
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Hoje leio de tudo, porque leio mesmo;
sei entrar e sair, tenho crítica própria,
não a esmo e conforme os conceitos formais
que me façam pensar o que pensem pra mim...
Vejo tudo e decido se devo seguir;
só aplaudo se o faço pelas minhas mãos;
os meus sins e meus nãos, por que não meus talvezes,
têm origem nas próprias escritas de mundo...
Abro mão da leitura, retiro audiência
quando minha ciência, tão somente a minha,
não encontra contexto, sentido e prazer...
Porque nada esvazia quem já é pensante;
nada põe a perder quem um dia se achou
e quem sou não há show que precise forjar...
ILUSÃO DE ÉTICA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Eu achava que o Éden fosse além;
que Deus fosse maior, caso existisse,
ou que o bem não tivesse que ter bens
nem patentes; favores pra trocar...
Não sabia que o "céu" é no planalto,
no palácio mais podre dos poderes,
no mais alto escalão da sordidez
que se possa tramar com tanto aval...
A igreja revela um pobre deus
acuado na própria jogatina
onde seus atributos são vendidos...
Eu achava que a fé não tinha preço;
que o avesso do corpo fosse alma;
o "Messias" não fosse um bicho insano...
NOSSA LENTE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Um sonhar nos revive, mas outro nos mata;
muita gente simula o que buscamos nela;
luz de vela se forja e pode ser divina
pra carência da fé que se perdeu da chama...
Tem um mundo em redor, outro dentro de nós;
um eu íntimo e outro que os outros conhecem;
uma voz que fluímos, outra que se guarda
pra ficar ecoando em nossa consciência...
Temos ódio que às vezes é profundo amor;
lado bom só é lado; pois há lado mau;
somos flor tão espinho quanto flor tão frágil...
Nossa lente se ajusta quando não há cores,
nossas dores nos curam daqueles alívios
que nos fazem pensar que já nascemos nós...
CONTO ATADO AO NÃO CONTO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Reconquiste o meu carinho; minha proximidade. Já não sei como conquistar sua reconquista. Reaveja comigo a nossa liberdade secreta; presa. Só assim poderei reformar minha cerimoniosa não cerimônia, naquela forma profunda e vasculhadora de lhe ver. Naquele jeito amigo platônico de namorar seu silêncio, inclusive quando você falava.
Venha reatar em minha discrição a consciência do jamais, enquanto sempre. As não consequências dos meus atos em pensamentos inconsequentes, repletos de uma coragem medrosa de muitos e muitos anos. E reaqueça minha esperança vazia de perspectiva ou espera. O sabor do cheiro que não vinha às narinas, mas se resolvia na meia ingenuidade a se declarar em confissões nunca feitas.
Redesenhe-se no meu espaço em branco e customize todos os buracos entre uma forma e outra, para concretizar abstrações. Preciso muito reeditar aquele conto atado ao “não conto para ninguém; nem para você”, pois tenho muitas saudades... inclusive de sentir saudades daquele nada entre nós que, no fundo, era tudo quanto eu tinha.
SAMURAI
Demétrio Sena, Magé - RJ.
(Para Gerson)
Tua luta está dura, samurai;
vencedor ou vencido, já venceste;
tanto ai se calou na tua força,
teu silêncio entupido de coragem...
A fraqueza me alcança enquanto isto;
neste nunca saber o que se faça;
em um modo esperar, uma torcida,
uma praça que nem sugere prece..
É a vida que apanha do teu ser;
dos teus golpes de sonhos, prosas, versos,
esses teus universos que te armam...
Mas o tempo nos trai; eu compraria
tua briga, teu campo de sofrer;
não consigo entender, meu samurai...
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020
REFLEXOS DA IGREJA POP - NO FUNDO - NÃO ME DEIXE
REFLEXOS DA IGREJA POP
Demétrio Sena, Magé – RJ.
A igreja evangélica, em todas as suas vertentes, ficou pop. Foi aí que surgiram astros. Espertalhões que angariaram mais seguidores do que Jesus. Que até usam o nome de Jesus, porque isso lhes convém e dá ótimos resultados materiais, além de poder, mas que se tornaram o centro das atenções e da obediência dos fiéis.
Tais astros, como Silas Malafaya, Edir Macedo, RR Soares, Valdemiro Santiago e tantos outros que surgem a cada dia, não só enriquecem às custas da ingenuidade ou a fé pública, como também dominam as vontades, ideologias e o voto das ovelhas. Graças a esse voto de cabresto, não apenas os astros, mas ainda os líderes locais e seus pupilos mais espertos levam vantagens, das mais diferentes formas. E prometem aos seus rebanhos, as “bênçãos divinas”, mansões celestiais após a morte, curas milagrosas, vitórias contra demônios e até alguns privilégios terrenos imediatos.
Ilusões. O caviar palpável, vivencial, terreno e notório fica mesmo com os que lideram. Com os que negociam as vidas, as vontades, a boa fé e a desinformação dos mais simples, tirando-lhes os direitos básicos de pensar politicamente; ver a sociedade com os próprios olhos... avaliar por si próprios os candidatos eleitorais que se apresentam e votar apenas em quem querem. São ovelhas em sentido figurado, ideológico e contingencial, que se tornam ovelhas, mesmo; aquelas que berram e obedecem à vara e ao cajado não do possível “Pastor Supremo”, mas dos impostores que proliferam na terra.
Minha crítica se estende a todos os segmentos religiosos que praticam pequenas ou grandes corrupções de qualquer natureza, mas o meu espanto maior, nos dias que atravessamos, é com as vertentes protestantes. Nunca vi tanto envolvimento ostensivo e asqueroso com os poderes executivo, legislativo e judiciário, desde a última ditadura militar (a oficial). Tudo em nome de um empoderamento que gera inquisição sobre quem não é evangélico, e de favores fiscais para o funcionamento burocrático/empresarial dos templos, além das outras formas de lucro e poder que posso imaginar.
Trago nostalgia de poucos líderes e alguns fiéis que um dia conheci em certa igreja batista chamada Betel Mirim ou graças a ela. Tomara que pelo menos alguns dos líderes orientados pelo meu amado e saudoso amigo ZD (Pastor Zózimo Duval) ainda preservem resquícios do seu caráter, lisura e simplicidade. Tenho saudades de quando me julguei cristão, movido pelo amor ao ZD e a gratidão de ser acolhido por ele, na adolescência. Entristece-me agora, ver igrejas atoladas em política partidária de cabresto e trocando votos de fiéis por privilégios e cargos, em tramas e negociatas que dão enjoo e tontura.
Estou generalizando? Nem tanto. Seria generalizar, se as tramas e negociatas com política partidária não fossem praticadas entre candidatos, poder público e maioria das igrejas. Creio que não preciso me desculpar com os cristãos ainda praticantes do cristianismo e não da corrupção político-religiosa vigente.
Demétrio Sena, Magé – RJ.
A igreja evangélica, em todas as suas vertentes, ficou pop. Foi aí que surgiram astros. Espertalhões que angariaram mais seguidores do que Jesus. Que até usam o nome de Jesus, porque isso lhes convém e dá ótimos resultados materiais, além de poder, mas que se tornaram o centro das atenções e da obediência dos fiéis.
Tais astros, como Silas Malafaya, Edir Macedo, RR Soares, Valdemiro Santiago e tantos outros que surgem a cada dia, não só enriquecem às custas da ingenuidade ou a fé pública, como também dominam as vontades, ideologias e o voto das ovelhas. Graças a esse voto de cabresto, não apenas os astros, mas ainda os líderes locais e seus pupilos mais espertos levam vantagens, das mais diferentes formas. E prometem aos seus rebanhos, as “bênçãos divinas”, mansões celestiais após a morte, curas milagrosas, vitórias contra demônios e até alguns privilégios terrenos imediatos.
Ilusões. O caviar palpável, vivencial, terreno e notório fica mesmo com os que lideram. Com os que negociam as vidas, as vontades, a boa fé e a desinformação dos mais simples, tirando-lhes os direitos básicos de pensar politicamente; ver a sociedade com os próprios olhos... avaliar por si próprios os candidatos eleitorais que se apresentam e votar apenas em quem querem. São ovelhas em sentido figurado, ideológico e contingencial, que se tornam ovelhas, mesmo; aquelas que berram e obedecem à vara e ao cajado não do possível “Pastor Supremo”, mas dos impostores que proliferam na terra.
Minha crítica se estende a todos os segmentos religiosos que praticam pequenas ou grandes corrupções de qualquer natureza, mas o meu espanto maior, nos dias que atravessamos, é com as vertentes protestantes. Nunca vi tanto envolvimento ostensivo e asqueroso com os poderes executivo, legislativo e judiciário, desde a última ditadura militar (a oficial). Tudo em nome de um empoderamento que gera inquisição sobre quem não é evangélico, e de favores fiscais para o funcionamento burocrático/empresarial dos templos, além das outras formas de lucro e poder que posso imaginar.
Trago nostalgia de poucos líderes e alguns fiéis que um dia conheci em certa igreja batista chamada Betel Mirim ou graças a ela. Tomara que pelo menos alguns dos líderes orientados pelo meu amado e saudoso amigo ZD (Pastor Zózimo Duval) ainda preservem resquícios do seu caráter, lisura e simplicidade. Tenho saudades de quando me julguei cristão, movido pelo amor ao ZD e a gratidão de ser acolhido por ele, na adolescência. Entristece-me agora, ver igrejas atoladas em política partidária de cabresto e trocando votos de fiéis por privilégios e cargos, em tramas e negociatas que dão enjoo e tontura.
Estou generalizando? Nem tanto. Seria generalizar, se as tramas e negociatas com política partidária não fossem praticadas entre candidatos, poder público e maioria das igrejas. Creio que não preciso me desculpar com os cristãos ainda praticantes do cristianismo e não da corrupção político-religiosa vigente.
NO FUNDO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
As angústias viajam pra Milão;
França, Disney, Havana, Pernambuco;
Alemanha, Japão ou Pelourinho;
pegam ondas nas águas do Havaí...
Depressão vai a festas e celebra,
veste roupas de gala, se produz,
dá um pulo em Genebra e tira fotos
pra encher Facebook ou Instagram...
Desespero sorri; é pé-de-valsa;
toma vodka, gim, reúne amigos,
tem antigos passeios pra contar...
Desenganos, saudades e paixões,
frustrações, incertezas e carências
vão e voltam, até nos resolvermos...
Demétrio Sena, Magé - RJ.
As angústias viajam pra Milão;
França, Disney, Havana, Pernambuco;
Alemanha, Japão ou Pelourinho;
pegam ondas nas águas do Havaí...
Depressão vai a festas e celebra,
veste roupas de gala, se produz,
dá um pulo em Genebra e tira fotos
pra encher Facebook ou Instagram...
Desespero sorri; é pé-de-valsa;
toma vodka, gim, reúne amigos,
tem antigos passeios pra contar...
Desenganos, saudades e paixões,
frustrações, incertezas e carências
vão e voltam, até nos resolvermos...
NÃO ME DEIXE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Se você me deixar, eu me abandono
numa fila do INSS;
numa prece pra "deus" abençoar
o governo e a gangue que o rodeia...
Não me deixe virar um pobre traste
fã de gente que mata minha gente;
indigente afetivo e social,
gado magro nem gordo, do poder...
Se você me deixar, viro cristão;
dou a mão ao nazismo e morro grato
pelo prato a quem louva ditadura...
E me deixo perder o meu juízo,
ponho guizo, cabresto, rédea curta,
voto em quem o pastor determinar...
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Se você me deixar, eu me abandono
numa fila do INSS;
numa prece pra "deus" abençoar
o governo e a gangue que o rodeia...
Não me deixe virar um pobre traste
fã de gente que mata minha gente;
indigente afetivo e social,
gado magro nem gordo, do poder...
Se você me deixar, viro cristão;
dou a mão ao nazismo e morro grato
pelo prato a quem louva ditadura...
E me deixo perder o meu juízo,
ponho guizo, cabresto, rédea curta,
voto em quem o pastor determinar...
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