terça-feira, 11 de novembro de 2025

AS DUAS MARGENS DA INTRIGA

Demétrio Sena - Magé 


Você - não importa quem seja: por acaso já procurou aquela pessoa por quem sempre teve muito carinho e grande admiração, para perguntar, olhando nos olhos, se é verdade o que alguém lhe disse dela, em relação a você? De negativo, é claro; afinal, não conheço ninguém que faça intriga positiva. Mexeriqueiros do bem, se já existiram, são uma espécie extinta ou extremamente rara entre nós.

Não. Não procurou. Apenas deixou de ser a pessoa que era, com alguém especial para você, até então, por causa de um indivíduo reconhecidamente peçonhento, cujo maior prazer é formar uma rede de manipulados em torno de si. Formar ao mesmo tempo, redes de cancelamentos para quaisquer pessoas que ponham em risco sua construção fraudulenta de notoriedade pessoal. Um indivíduo que mal olhou para você, enquanto falava pelos cotovelos ou sussurrava covardemente.

Na verdade, esse indivíduo não é o único mexeriqueiro dessa história. Você também é. A intriga (ou o mexerico), igualzinho à corrupção, tem o lado ativo (de quem a pratica) e também o passivo - de quem escuta sem reação, questionamento nem consulta corporal: do olhar, da gesticulação, a respiração, o tom de voz, para depois consultar a vítima, que tem direito à própria versão, mais do que a pessoa que lhe manipulou e ofereceu uma zona de conforto: o silêncio injusto. Mais fácil do que apurar fatos.

Sinto muito por lhe dizer, mas você é um mexeriqueiro(a) passivo da pior espécie. Tão asqueroso e covarde quanto o mexeriqueiro ativo. Merece mesmo trocar o carinho, a sinceridade e a ética de alguém que nunca lhe pôs contra outra pessoa (isso mostra quem é quem) por uma criatura que ainda vai pôr alguém contra você, como pôs você contra quem nem sabe o que aconteceu.
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Respeite autorias. É lei

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