sábado, 4 de abril de 2026
sexta-feira, 3 de abril de 2026
Das Tradições Religiosas
Vamos Falar de Inteligência?
Demétrio Sena - Magé
Respeitarei sua criação, seja qual for, se ela for de fato sua. Mesmo que você tenha resolvido brincar com ela, depois de criada, com ferramentas e alguns vernizes disponíveis, como qualquer profissional. Quem escreve sua criação, utiliza a caneta ou computador/celular, que ele não criou. Quem fotografa, utiliza a sua câmera, não criada por ele, e depois pode resolver clarear, escurecer, dar contornos com ferramentas também não criadas por ele... ou ela.
Os que usam inteligência artificial para criar o que depois chamarão de sua criação, são desonestos. São plagiadores. Ladrões de ideias multifacetadas. Essas pessoas não fazem algo realmente seu e depois aplicam correções nem otimizam suas obras com ferramentas. Elas pedem que as ferramentas criem por elas e ainda façam aparas. É como se um pedreiro cruzasse os braços enquanto as ferramentas fazem a casa. O marceneiro deixasse que o martelo e o serrote façam a cama e o desenhista mandasse o lápis desenhar por ele. Ninguém precisaria desses profissionais, se as suas ferramentas trabalhassem sozinhas.
A inteligência artificial é uma ferramenta que a inteligência humana criou para substituir a inteligência? Não. Mas está funcionando assim. O ser humano quer ser artista, escritor, fotógrafo (atividades específicas de criação, estratégia e sensibilidade) sem utilizar sua criatividade, a estratégia e a inspiração. É um haja isso, haja aquilo, na mesma moleza que atribuem ao Possível Deus Criador de tudo... à base do haja; ordenando que tudo se fizesse por si mesmo, até resolver que homem e mulher seriam realmente criações suas.
Será que criamos um deus para criar tudo por nós, "na moleza", sem nunca mais precisarmos pensar por conta própria? Seremos todos nós uma espécie de bolsonarista, que deixa tudo nas mãos de seus deuses, inclusive o pensar e o sentir? Não respeito. Não quero isso. Como poeta, prosador, fotógrafo e pessoa, quero manter minha inteligência pessoal. A inteligência artificial pode ser ferramenta posterior a serviço da nossa criação. Não criadora da nossa criação.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
quarta-feira, 1 de abril de 2026
terça-feira, 31 de março de 2026
Pessoas Queridas
Demétrio Sena - Magé
Jamais entendi a prática dos monossílabos entre pessoas próximas. Daquele falar meio entre dentes, onde ambos os interlocutores estão sempre ansiosos para se livrar um do outro. Entretanto, são pessoas ditas queridas. Queridas, mas impacientes entre si. Queridas, mas distantes, apesar da proximidade; queridas, mas fanáticas por uma privacidade árida que as torna velhas desconhecidas da vida inteira... ou de longas e arrastadas datas.
Pessoas realmente queridas não se falam apenas o essencial. Não estão apenas para o que der e vier, nas horas cruciais, onde uma precisa da outra para não morrer. Esse não só falar, mas também só fazer o essencial e urgente, pode até ser providencial, mas não é revelador do afeto narrado nas conversas mais animadas com "os de fora". Nos assuntos comuns em ambientes de trabalho, quando exibimos nossa sensibilidade humana.
O essencial entre pessoas próximas é não o sermos apenas no obrigatório; no que seríamos com qualquer ser humano, só porque somos humanos. Considero essencial a convivência fluente e ininterrupta nas questões e não questões; no essencial e no fútil. Convivências seletivas (quando entre pessoas queridas existem preferências) criam elites e guetos, como se faz na sociedade aberta. Pessoas queridas se misturam. De igual para igual.
Isto serve, inclusive (talvez principalmente) para mim.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
sexta-feira, 27 de março de 2026
quinta-feira, 26 de março de 2026
terça-feira, 24 de março de 2026
Tempos Fúteis
Demétrio Sena - Magé
Você já teve a impressão de que alguém mandou para você um recado ameaçador, através de você mesmo? É como se a pessoa dissesse, para você entender sem ter certeza, e tudo ficar por isso mesmo: "Diga para você que mandei lhe dizer que tenho ranço de você e vou lhe pegar lá fora".
Trata-se de um esforço para fugir dos olhos nos olhos. Da conversa franca e pessoal, que se torna mesmo impossível, por excesso de véus. De truques e dissimulações que ajudem a fugir da elucidação de alguma celeuma que provavelmente nasceu de um fuxico secreto, à base do "não conte que te contei". São coisas de rede social. Ainda não passei por situação semelhante, mas ouço narrações diárias a respeito.
Minha reflexão gira em torno de, se não cuidarmos de nossa estrutura emocional nestes tempos de futilidades raivosas, ficaremos temerosos de atravessar uma rua... de passar por um beco mais deserto... circular à noite ou ser, em algum lugar, aquela presença que ameaça o ego de alguém
... ... ...
Respeite autorias. É lei
domingo, 22 de março de 2026
De Pessoas e Posses
Demétrio Sena - Magé
Ninguém é minha mulher. Não comprei uma pessoa. Ela não me pertence. Tenho esposa, porque me casei; me tornei esposo. Não o homem de alguém; também não me vendi. Prometemos o que ainda pode ser "desprometido". Nossa jura de amor para todo o sempre não é cláusula pétrea de uma lei cujo descumprimento é passível de punição. O amor pode ser perecível.
Somos cônjuges, por contrato matrimonial reversível, quando e se um dos dois assim desejar. Livres, muito embora comprometidos mutuamente. Cada um é o dono de si mesmo e se doa voluntariamente ao outro, numa vida em comum. Não somos a mesma carne nem o mesmo espírito. Ainda seremos inteiros, no dia em que porventura resolvermos já não ser um casal.
As pessoas têm síndrome de pertencimento. São ávidas por serem donas de outras pessoas. E há pessoas que se aceitam como posses de outras. Como coisas compradas, doadas ou colhidas. Tolhidas de qualquer vontade; quaisquer arbítrio e direito a dizer não; de querer por conta e risco; não querer. Inclusive o direito a não saber se quer, não quer ou quando há de querer.
Que todo machão entenda isso. Que toda mulher submissa tome o próprio destino em suas mãos e decida sem medo qual será o seu destino. Não vale a pena viver sob nenhum jugo de moralismo, comando e rédea impostos por alguém ou pela própria sociedade. O que não é criminoso nem antiético é de nossa livre responsabilidade. Sem dignidade não há cidadania.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
quinta-feira, 19 de março de 2026
Cidadão Inteiro
Demétrio Sena - Magé
Dificilmente um texto meu será isento. Ou não será político, mesmo quando romântico; mesmo quando intimista ou sobre belezas naturais. Empresto a todo o meu fazer, minha natureza de cidadão crítico; minhas características de preocupação coletiva; de ativismo cidadão; protesto e denúncia de quem não sabe nem se dispõe a dissociar literatura e artes do movimento contínuo de consciência social. Até nas temáticas de paixão e sexo respiro e assino minhas inquietações relacionadas ao mundo e à sociedade, cá num cantinho de minh'alma. Os olhos e os corações atentos; as mentes abertas e as almas livres podem perceber isso, até pelo simples fato de quem as escreve.
Ninguém jamais me convide a estar em um ambiente ou a participar, ser membro de seja lá o que for, que me apresente proibições relacionadas a expressar o que penso, o que sinto e observo da vida para transformar em arte literária ou visual - fotógrafo que também sou. Sou e serei sempre ético, responsável, civilizado e humano em tudo que faço. Mas em tudo que faço, jamais deixarei de ser um cidadão esquerdista inconformado com injustiças; com políticas repressoras; ditadura; truculência policial; machismo; racismo; perseguição religiosa. Covardias de grupos majoritários contra minorias. Não tenho como deixar de ser este cidadão ativista preocupado com os seus iguais.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
quarta-feira, 18 de março de 2026
Sobre O Agente Secreto e a Ignorância Popular
Demétrio Sena - Magé
Não tenho necessidade alguma (nem interesse) de fazer uma defesa ou acusação ao excelente filme o Agente Secreto nem ao ator Wagner Moura. Mas não consigo nem tento entender a qual derrota se referem os bolsonaristas que festejam porque ator e filme não ganharam o prêmio para o qual foram indicados. Como assim? Foram mais de 70 prêmios ao redor do mundo, inclusive o ambicionado Globo de Ouro, que muitos bolsonaristas (só podiam ser) pensam que é um troféu da nossa Rede Globo.
O Agente Secreto (que amei assistir) levou milhões de pessoas aos cinemas do mundo inteiro. Deu milhares de empregos diretos e indiretos, gerou Milhões de Reais em impostos e representou o país no exterior, de forma relevante. Com arte; com pensamento crítico; denúncia; reflexão relevante. Além dos prêmios recebidos até o tapete vermelho em Hollywood, ainda veio o troféu das quatro indicações ao Oscar. Quatro! Desde quando receber quatro indicações ao Oscar é derrota? Para qualquer país, levando a estatueta ou não, o selo de indicado ao Oscar é para sempre. Estampa todos os cartazes do filme.
E a bizarrice da direita, especialmente os lamentáveis bolsonaristas, é que eles festejam a vitória do filme Valor Sentimental, que superou O Agente Secreto, sem perceberem nem o óbvio: Valor Sentimental trata do racismo (e o bolsonarismo é racista). Critica vários preconceitos próprios da direita e desmoraliza a sociedade conservadora da época. É um filme que fomenta o pensamento crítico/social. Defende um mundo oposto ao que a direita, especialmente a extrema direita, prega.
Mas vá entender bolsonaristas. Nem eles entendem a si próprios.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
terça-feira, 17 de março de 2026
Heroica Resistência
Demétrio Sena - Magé
Algumas vezes não luto. Cedo e me acomodo bravamente. Foi o que fiz há mais de vinte anos, com a implosão do meu organismo, em razão da ausência do sistema linfatico, ao ser conduzido a um hospital, quase na certeza de morrer: tinha desenvolvido uma septicemia. Septicemia é quase sentença de morte. Lembro-me do meu coma semiconsciente, quando só eu sabia que estava semiconsciente: não orei, não recorri a nenhuma fé, não pensei nas pregações religiosas que sempre ouvi, e sequer passou pela minha cabeça qualquer temor do suposto inferno, profano que sou. Só me deixei. A minha condição de saúde lutando contra mim, sem ter a menor das resistências, de minha parte.
Dias após, ocorre o que chamariam de milagre, se eu fosse um "homem de Deus", ou de "Deus, pátria e família", e minha família tivesse reunido "oradores" ao meu redor. Naqueles anos, ainda era permitido que grupos religiosos fossem aos hospitais oprimir doentes, ameaçar com o inferno, caso morressem "sem salvação". Abusar da fragilidade e da "paciência" do paciente, para impor-lhe uma fé cristã. Cruzadas hospitalares do medo e das "ameaças santas".
Depois de muito não lutar e assim mesmo voltar para casa, percebi que os medicamentos tratavam minha patologia, mas me deixavam inerte, sem força e ânimo. Mais uma vez resolvi deixar estar e abrir mão dos medicamentos, mesmo crendo na ciência e na medicina, porque afinal, não sou bolsonarista. Só tomei a decisão de arriscar viver menos, com mais qualidade de vida. Não "preguei" minha decisão que parecia negacionismo. Só fiz uma escolha perigosa, em situação única; muito pessoal. Sem influenciar um possivel coletivo com teorias maciças da conspiração.
Como a perna esquerda parecesse representar perigo a todo o organismo, logo veio a tentativa do médico, de cortá-la, porque com ela, eu morreria em seis meses. Tudo havia implodido entre ela e a virilha, onde ainda está minha bomba-relógio. Demorada bomba-relógio, que não decide o que fazer. Como estava consciente, não permiti. O médico não mentiu; apenas calculou mal: por pouco a minha "brava desistência" não "me levou", mas algo se acomodou dentro de mim, tanto quanto eu. Ainda estou vivo. "Ainda estou aqui". Caminho longas distâncias, pedalo e ainda faço uma ginástica mequetréfi diária, não por músculos (realmente não os tenho), mas por manutenção.
Vivo como se a vida fosse companheira fiel; não a coisa traiçoeira que me deixa solto em um labirinto. E nesta vida, faço tudo sem disputa: sou um escritor que não busca fama e troféus; trabalhador que não deseja ser destaque; cidadão que já rejeitou comenda municipal (título de cidadania), porque nada disso me completa. Só me completa o fazer. A chance de levar meus feitos aos olhos de quem aprecia. Quem aprecia de verdade; não finge uma vez a cada quatro anos. Ombradas e rasteiras? Exclusões? Enfrento muitas e nada faço; sigo meu caminho, bravamente acomodado com o que sou, quem sou, e com o que acredito. Minha fé é na vida e nos seres humanos que restam da maioria. Tem muita gente boa no mundo.
Perfeito? Longe de ser perfeito.Tenho fama de mau, esquisitices que ninguém intui, como acho inteiramente normais, práticas que o moralismo abomina. Mas tudo isso de mim para mim mesmo. Zero maldade contra o próximo. Zero trama para "me dar bem" às custas do outro. Zero preconceito, zero separarismo, vingança e qualquer farsa para me mostrar melhor do que sou. Se você não acredita, zero preocupação. Desisto heroicamente. De você.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
segunda-feira, 16 de março de 2026
sexta-feira, 13 de março de 2026
Feminicídio
Demétrio Sena - Magé
A maioria da população ainda não entendeu o que é feminicídio. Não é o assassinato de uma mulher, por si só. É o assassinato da mulher em razão de ela ser mulher. Explico: quando o homem, julgando que uma mulher não agiu como ele acha que ela deve, em razão do gênero. O machista acha que a mulher deve ser obediente; submissa; cordata; "comportada"; "santa" (segundo os padrões do machismo).
Para todo machão, "mulher sua" fica em silêncio, enquanto ele grita. Para ele, "mulher sua" não o deixa, e quando é ele que a deixa, ela não pode conhecer ninguém. O machão ("boy" ou "mature" lixo) acha que se uma mulher não quiser transar com ele, deve pagar por isso. Feminicídio, então, é a mulher ser assassinada porque não correspondeu às expectativas do homem, como tal. Primeiro surgem as intimidações, logo depois as agressões verbais, em seguida físicas, até que a mulher acabe morta porque, no fim das contas, não se rendeu por completo ao machão.
Assassinato é crime hediondo. Muitos questionam feminicídio, se já existia homicídio para classificar qualquer assassinato. Explico de novo: feminicício é o assassinato da mulher que, antes de assassinada, foi impedida de ser alguém. Se você não acha mais grave ainda, devo classificá-lo como um "boy" ou "mature" lixo da pior espécie (machistas amam estrangeirismos importados da América do Norte).
... ... ...
Respeite autorias. É lei
quinta-feira, 12 de março de 2026
segunda-feira, 9 de março de 2026
terça-feira, 3 de março de 2026
Dos Meus Olhos Pros Seus
Demétrio Sena - Magé
Fotografar uma palha, um parafuso, um nó na madeira e uma gaveta velha, por exemplo, justifica um tratamento para que a palha, o parafuso, o nó e a gaveta ganhem contornos de arte além da fotografia, que já é uma arte. Refiro-me às edições manuais que acentuam, clareiam, escurecem e intensificam, sem descaracterizar o objeto ou o cenário. Sem distorcer ou subtrair em nada, sua originalidade.
Nada de inteligência artificial, porque inteligência artificial é simplesmente um plágio multi-fragmentado. Deixar que a IA faça por você o que seria um exercício a mais de criatividade, é fraude. A edição de fotos existe na própria câmera, desde os tempos analógicos, ou em aplicativos simples de edição, que oferecem as ferramentas; não a "mão-de-obra". A mão-de-obra é sua. O trabalho é todo seu, e se você não fizer bem, com olho clínico e talento, nada vai valer a pena.
Revisamos nossos textos, quando sentimos que falta algo. O pintor e o escultor dão retoques em suas obras, depois delas prontas. O pedreiro também. O cientista refaz experimentos em seu projeto, e seremos eternos, caso sigamos exemplificando. O fotógrafo também é assim, embora não seja obrigatório. Só não suporto que olhem para uma criação minha, crendo haver um só toque de IA.
Inteligência artificial não é inteligência. É o truque da preguiça de quem não quer usar o próprio cérebro. Nem as próprias mãos. Mas quer assinar o que não fez. Sempre me esmero para que os olhos gostem do que meus olhos olham... veem. E minhas mãos tratam com carinho, ética e critério.
... ... ...
Respeite autorias. É lei.
segunda-feira, 2 de março de 2026
Sobre o Pastor de "Três Graças"
Demétrio Sena - Magé
Fiquei frustrado ao ler que o pastor Albérico, da novela Três Graças é, na verdade, o chefão da bandidagem na comunidade fictícia da Chacrinha. Desejei que a fantasia salvasse a realidade. Que a licença poética nos desse um horizonte favorável à crença no cristianismo do século XXI. Estava mesmo feliz por imaginar que, na ficção, a exceção venceria a regra, em desagravo ao mundo real, onde a regra estrangula a exceção. O pastor Albérico tinha tudo para ser a exceção na qual precisamos acreditar, fora do estrangulamento que nos deixa sem esperanças.
Ainda espero, caso isto seja verdade, que autor e colaborador decidam pela mudança de rumo do personagem. Precisamos dessa fantasia. Dessa poesia que nos faça intuir a existência de uma exceção menos invisível; menos intocável; mais possível, na vida real. Entendo o realismo que denuncia o óbvio, mas gostaria de ver, na ficção, a exceção vencer a regra. Tornar-se a regra no folhetim, representada pelo único pastor do enredo. Precisamos sonhar que ainda existem líderes cristãos a contento, representantes legítimos do real cristianismo. Sem envolvimento com poderes paralelos (tráficos, milícias e política partidária extremista).
No fundo, nem é de religiosos (fiéis e líderes) que trato nesta reflexão. É de seres humanos, convertidos ou não a crenças (quaisquer crenças), dogmas, filosofias e até medos, capazes de transformações viáveis para um mundo melhor. Se a transformação doentia do "Jorginho Ninja" não convenceu, pois ele se converteu fragilizado pela doença e o medo do suposto inferno, valeu o efeito. Foi um opressor a menos, no universo da novela. Por ora, resta-me a frustração de não vivenciar a poesia de um líder religioso na contramão da realidade que me cerca.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
domingo, 1 de março de 2026
Das Relações Institucionais
Demétrio Sena - Magé
sábado, 28 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Pobres Não Quebram o País
Demétrio Sena - Magé
As elites empresarial e política sempre acharam terrível qualquer projeto que humanize o trabalho e favoreça o trabalhador. Esse discurso de que o país vai quebrar, se o trabalhador tiver um dia mais para viver, é o mesmo de quando a escravidão estava prestes a ser abolida. Foi difícil, porque a escravidão era (e é) um vício de quem escravizava (e escraviza), mas o país está aqui. Inteiro. Nada mudou e nunca mudará para o rico. Ele continua rico. Mas o rico detesta que algo mude para melhor, na vida dos que o enriquecem.
Pense nisso, e deixe o seu voto pensar também, nas próximas eleições. Políticos lactentes dos empresários não querem largar as tetas, e os empresários, querem sempre deixar a conta para quem mais sofre. Trabalhador não quebra o país. Aposentado não quebra o país. Estudante que recebe incentivo não quebra o país. Muito menos, pobre que recebe auxílio gás, bolsa família, e consegue obter uma moradia simples pelo Minha Casa Minha Vida.
Sempre quebrará o país, a concentração de renda, bens e direitos. Quase tudo nas mãos de alguns, e o pouco restante jogado avanço entre milhões de menos favorecidos e pessoas abaixo da linha da pobreza. Também quebra o país, quem vota em políticos da direita, que só trabalham por eles mesmos, seus principais assessores, os empresários, fazendeiros do agronegócio, banqueiros e outros donos do país.
O que realmente quebra o país são os empresários e fazendeiros que patrocinam campanhas políticas. O poder público que perdoa a sonegação de impostos dos milionários e só cria leis a favor deles. Quebram o país, os bancos que praticam golpes contra os pequenos correntistas e poupadores. Os super salários dos servidores de primeiro escalão e os pendiricalhos que furam tetos salariais astronômicos. Os desvios de verbas e obras superfaturadas.
Quebram o país, os vales paletó, auxílios para viagens de avião, auxílios combustível, cabides de empregos com supersalários para cabos eleitorais, familiares e amigos de políticos. Tantos outros benefícios e privilégios nos meios político-partidários, que nem consigo enumerar. Quebram o país, as associações criminosas entre poderosos e o poder paralelo. Os impostos não pagos por igrejas e outras entidades que exploram a fé pública. Quem quebra o país são aqueles que sempre gritam que somos nós que o quebramos.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Corações Verbais
Demétrio Sena - Magé
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
domingo, 15 de fevereiro de 2026
Vertigem Crônica
Demétrio Sena - Magé
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Requintes de Crueldade Alimentar
Demétrio Sena - Magé
As carnes que nós comemos (todas elas, brancas ou vermelhas), passam por um processo de crueldade sem fim: cortes detalhados, retiradas de pele, vísceras, seleção dos pedaços mais macios e saborosos. Bovinos, caprinos, suínos, caças, aves, peixes, anuros, frutos-do-mar, todos passam, em menor ou maior escala, pelo processo frio do requinte de crueldade para fins alimentares. Nós, consumidores finais dessas vítimas cujos criadores dão nomes, acariciam, olham nos olhos e depois matam ou terceirizam "paixão e morte", não somos inocentes. Ocultamos esses cadáres em nossos estômagos. Algumas vezes, temos pequenas criações de quintal e o processo, da criação até a ocultação dos cadaveres, é todo nosso.
Mas quero falar de uma crueldade ainda pior (pois é possível), com os caranguejos, guaiamuns e siris. Eu me lembrei dessas pobres vítimas, por causa dos amigos Isac Machado de Moura e Cristiane Nunes Vicente, que há poucos dias encontraram um caranguejo em seu quintal e tiveram o trabalho sensível de reconduzí-lo ao mangue. Não mataram nem ocultaram o cadáver. Pois bem; a crueldade imperdoável cometida contra esses bichinhos é a seguinte: eles são postos vivos dentro de uma panela com água fria, que é levada ao fogo, e ficam lá dentro agonizando, se contorcendo, até morrerem pela fervura. Para comer a carne, o cunsumidor final, que foi também quem cometeu a "paixão e morte", vai tirando as casquinhas, comendo a carne escassa e chupando o caldinho. Requinte de crueldade do início ao fim. Oculta um pouquinho do cadáver no estômago e joga no lixo quase toda a carcaça, enquanto elogia o sabor.
Não estou tentando pregar o veganismo. Nem sou vegano; faço parte da crueldade alimentar humana. Sou carnívoro. Entretanto, cabe-me confessar que, além de não comer os bichinhos em questão, não tenho coragem de criar uma galinha, por exemplo, desde pintinho, batizar como Matilde, dar comida, carinho eventual, e depois passar a faca em seu pescoço, esquartejar, levar à panela, preparar e comer... ocultar seu cadáver no meu estômago, até que os últimos resquícios da "prova do crime" (que não seria investigado e punido) sejam despejados no esgoto. Embora não creia em divindades que religiões pregam, acho que ainda pagaremos por tudo. Não por nos alimentarmos; precisamos comer. Mas por sermos cruéis.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Sobre Não Ser Só Sobre Nós
Demétrio Sena - Magé
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
Tudo Por Um Pintinho
Demétrio Sena - Magé
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Crônica Abstrata
Demétrio Sena - Magé
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
Pobre contra pobre
Demétrio Sena - Magé
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
sábado, 31 de janeiro de 2026
Dois Mundos
Demétrio Sena - Magé
Em qualquer circunstância ou contexto ficaremos bem, se não dependermos de fatores externos para isto. Ou quando formos livres o suficiente para separarmos o que acontece ao nosso redor, inclusive conosco, da nossa estrutura psíquica; emocional. Há dois mundos distintos, para vivermos. Vejo como perfeitamente justo e necessário que o mundo interno seja o nosso refúgio, sem resquícios do externo, quando a "barra" está pesada. Quem sabe fazer isso vive melhor, porque tem onde se refazer; se remontar e redefinir para mais um dia inevitável. Pelo menos enquanto for inevitável mais um dia.
E, surpreendentemente, se soubermos manter a contento esse refúgio dentro de nós, e usá-lo com a sabedoria necessária, como já exposto, a superfície (o mundo externo) será beneficamente atingida. Ficaremos melhores, mais equilibrados, organizados, fortes e otimistas, no cotidiano. Para tanto, será sempre fundamental não dependermos de que ou quem nos rodeia, para nossa plena manutenção. Se não delegarmos a ninguém, o peso de ser nosso arrimo afetivo nem mental. Precisamos conviver com pessoas; interagir, aprender, ensinar e confidenciar. Mas não podemos viver das energias delas.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Infelizmente, só pode ser...
Demétrio Sena - Magé
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
domingo, 25 de janeiro de 2026
Das Procuras Perdidas
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Umbanda: Religião e Brasilidade
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
domingo, 18 de janeiro de 2026
Considerações amadoras sobre confidência profissional
Demétrio Sena - Magé
Meio mundo, em algum momento, precisa de um psicólogo/psicóloga. Psicologia é um ramo da medicina que se pode chamar de oficina do ser humano. Já precisei, embora tenha explorado "extraoficialmente" uma grande amiga psicóloga. Há casos em que algumas sessões nos ajudam por toda a vida, e casos em que, por toda a vida, precisamos de revisões pontuais, para não voltarmos ao ponto de partida. Ou de fuga. E antes de prosseguir nestas impressões pessoais, é preciso dizer que são impressões pessoais; isto não é uma analogia técnica ou de natureza profissional.
Mas quero falar de uma terapia muito eficaz, que sempre me ajudou em minhas angústias, dúvidas e manias.... em meus temores e segredos em ebulição: a confidência. Confidenciar é um ato libertador, quando acertamos na escolha de com quem fazê-lo. Ter confidentes é algo cada vez mais raro nesta fase de mundo e sociedade, onde a correria rouba todo o nosso tempo de falar e ouvir... especialmente o nosso tempo de identificar criteriosamente em quem poderíamos acreditar para fazer confidências; abrir nosso coração, nossa alma, sem temer julgamentos e censuras do que é justamente a nossa razão de procurarmos um colo.
A confidência é curativo; profilaxia paralela; nebulização... às vezes uma injeção de Voltarém na alma, nas emoções e na psique, pois há momentos em que um bom confidente precisa ser mais incisivo, para depois passar um algodão, aliviar a picada com o carinho que "o depois" requer. E como confidentes estão escassos, aí é que entra a psicanálise, tão popularizada nos últimos anos. A psicanálise à moda Freud, pai da psicanálise. Não a psicanálise/pregação religiosa; nem a psicanálise/aconselhamento pastoral; muito menos a psicanálise/vamos orar, entregar nas mãos de Deus.
Em suma, relembrando a natureza do texto, explicada no primeiro parágrafo, a psicanálise é a confidência profissional. Importantíssima nestes tempos, desde que não tenha a venda casada da proposta religiosa e qualquer dissociação dos princípios freudianos. Ou seria a psicanálise despsicanalizada. Neste contexto, a psicanálise é (com pleno reconhecimento de sua importância) a enfermagem da psicologia. Eu diria que um quarto de mundo precisa de confidente; mesmo em forma de psicanalista.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
sábado, 17 de janeiro de 2026
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Oportunismo gospel de massa
Demétrio Sena - Magé
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Ciclos
Demétrio Sena - Magé
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Ainda Estamos Aqui com O Agente Secreto
Demétrio Sena - Magé
domingo, 11 de janeiro de 2026
sábado, 10 de janeiro de 2026
Sobre com quem sermos quem somos
Demétrio Sena - Magé
Alguns hábitos pessoais que cultivo, e são incomuns ao mundo externo, são tão naturais e saudáveis para mim, que preciso ter cuidado para não pensar que determinadas pessoas sejam como eu. Às vezes penso que são, ou tento crer, para me sentir menos "peixe fora d'água". Ou menos extraterrestre. Algumas vezes fui até feliz nessa procura tímida e silenciosa, mas, muito ao longo dos anos.
É solitário pensar diferente ou ter conceitos menos fechados e um olhar informal sobre questões de pessoalidade. Não tenho como julgar o próprio mundo; até porque, sou eu quem distoa. Mas, ter conhecido pessoas semelhantes, ainda que bem poucas, ou muito de quando em quando, serviu para diminuir momentaneamente a minha solidão física. E ainda, para diminuir permanentemente a solidão interior, que continua profunda; entretanto, com doses de alívio e de alguma esperança em seja lá quem for.
Talvez todo o mundo tenha seu eu oculto e quase ninguém confesse. Ou ache que seu eu seja menos inconfessável do que o do outro; permitindo-se assim, a prática de julgar severamente a quem se abre ou expõe. E quem não quer julgamentos, continua oculto até encontrar com quem possa ser quem é... talvez depois de muitos enganos e desenganos, pela repetida ilusão de que já tenha encontrado.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
"Sombriedade"
Demétrio Sena - Magé
Tenho por hábito introspectivo me sentir julgado. Permanentemente julgado. Por palavras atravessadas, palavras não ditas entre as que se apresentam, e também por silêncios, distâncias, recolhimentos específicos e olhares. Diretos ou oblíquos. Inclusive de pessoas que deveriam me conhecer muito bem.
Habituei-me a ser visto como alguém sombrio, neste país de tantas religiões das quais nenhuma é a minha. E sendo visto como alguém sombrio, por mais espontâneo, leve, sem mistério que eu seja - e sei que sou -, já enfrentei suspeitas de que tenha feito algo sombrio, não poucas vezes. Do nada. Simples e absolutamente do nada. Algumas vezes, sem nem ter havido algo sombrio para se atribuir a alguém. Com a única motivação externa, da minha não religiosidade... ou do que classificam como falta de Deus no coração.
O que me assusta é ver tanta gente "com Deus no coração" fazer tantas coisas sombrias e se julgar iluminada, simplesmente por carregar a marca de uma religião; majoritariamente, cristã. Ou os preconceitos não são sombrios? Julgamentos, machismo, idolatria política, violências verbais e até físicas contra quem pensa, crê, vota diferente... exclusão, separarismo, ódio religioso... tudo isso é sombrio e me dá medo. Meu coração não sossega, não porque me julgam sombrio, mas porque vejo tanta sombra nisso.
Ninguém se arme. Nem se alarme ou se auto flagre com estas ponderações. Não estou pensando especificamente em você. Nem tenho como saber o que abarrota o seu coração. São apenas observações introspectivas, que ora "extrospecto" para suportar a sociedade que me cerca. A sociedade que sou.
... ... ...
Respeite autorias. É lei


















