sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
domingo, 15 de fevereiro de 2026
Vertigem Crônica
Demétrio Sena - Magé
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Requintes de Crueldade Alimentar
Demétrio Sena - Magé
As carnes que nós comemos (todas elas, brancas ou vermelhas), passam por um processo de crueldade sem fim: cortes detalhados, retiradas de pele, vísceras, seleção dos pedaços mais macios e saborosos. Bovinos, caprinos, suínos, caças, aves, peixes, anuros, frutos-do-mar, todos passam, em menor ou maior escala, pelo processo frio do requinte de crueldade para fins alimentares. Nós, consumidores finais dessas vítimas cujos criadores dão nomes, acariciam, olham nos olhos e depois matam ou terceirizam "paixão e morte", não somos inocentes. Ocultamos esses cadáres em nossos estômagos. Algumas vezes, temos pequenas criações de quintal e o processo, da criação até a ocultação dos cadaveres, é todo nosso.
Mas quero falar de uma crueldade ainda pior (pois é possível), com os caranguejos, guaiamuns e siris. Eu me lembrei dessas pobres vítimas, por causa dos amigos Isac Machado de Moura e Cristiane Nunes Vicente, que há poucos dias encontraram um caranguejo em seu quintal e tiveram o trabalho sensível de reconduzí-lo ao mangue. Não mataram nem ocultaram o cadáver. Pois bem; a crueldade imperdoável cometida contra esses bichinhos é a seguinte: eles são postos vivos dentro de uma panela com água fria, que é levada ao fogo, e ficam lá dentro agonizando, se contorcendo, até morrerem pela fervura. Para comer a carne, o cunsumidor final, que foi também quem cometeu a "paixão e morte", vai tirando as casquinhas, comendo a carne escassa e chupando o caldinho. Requinte de crueldade do início ao fim. Oculta um pouquinho do cadáver no estômago e joga no lixo quase toda a carcaça, enquanto elogia o sabor.
Não estou tentando pregar o veganismo. Nem sou vegano; faço parte da crueldade alimentar humana. Sou carnívoro. Entretanto, cabe-me confessar que, além de não comer os bichinhos em questão, não tenho coragem de criar uma galinha, por exemplo, desde pintinho, batizar como Matilde, dar comida, carinho eventual, e depois passar a faca em seu pescoço, esquartejar, levar à panela, preparar e comer... ocultar seu cadáver no meu estômago, até que os últimos resquícios da "prova do crime" (que não seria investigado e punido) sejam despejados no esgoto. Embora não creia em divindades que religiões pregam, acho que ainda pagaremos por tudo. Não por nos alimentarmos; precisamos comer. Mas por sermos cruéis.
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Sobre Não Ser Só Sobre Nós
Demétrio Sena - Magé
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
Tudo Por Um Pintinho
Demétrio Sena - Magé
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Crônica Abstrata
Demétrio Sena - Magé
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
Pobre contra pobre
Demétrio Sena - Magé
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
sábado, 31 de janeiro de 2026
Dois Mundos
Demétrio Sena - Magé
Em qualquer circunstância ou contexto ficaremos bem, se não dependermos de fatores externos para isto. Ou quando formos livres o suficiente para separarmos o que acontece ao nosso redor, inclusive conosco, da nossa estrutura psíquica; emocional. Há dois mundos distintos, para vivermos. Vejo como perfeitamente justo e necessário que o mundo interno seja o nosso refúgio, sem resquícios do externo, quando a "barra" está pesada. Quem sabe fazer isso vive melhor, porque tem onde se refazer; se remontar e redefinir para mais um dia inevitável. Pelo menos enquanto for inevitável mais um dia.
E, surpreendentemente, se soubermos manter a contento esse refúgio dentro de nós, e usá-lo com a sabedoria necessária, como já exposto, a superfície (o mundo externo) será beneficamente atingida. Ficaremos melhores, mais equilibrados, organizados, fortes e otimistas, no cotidiano. Para tanto, será sempre fundamental não dependermos de que ou quem nos rodeia, para nossa plena manutenção. Se não delegarmos a ninguém, o peso de ser nosso arrimo afetivo nem mental. Precisamos conviver com pessoas; interagir, aprender, ensinar e confidenciar. Mas não podemos viver das energias delas.
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Infelizmente, só pode ser...
Demétrio Sena - Magé
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
domingo, 25 de janeiro de 2026
Das Procuras Perdidas
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Umbanda: Religião e Brasilidade
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
domingo, 18 de janeiro de 2026
Considerações amadoras sobre confidência profissional
Demétrio Sena - Magé
Meio mundo, em algum momento, precisa de um psicólogo/psicóloga. Psicologia é um ramo da medicina que se pode chamar de oficina do ser humano. Já precisei, embora tenha explorado "extraoficialmente" uma grande amiga psicóloga. Há casos em que algumas sessões nos ajudam por toda a vida, e casos em que, por toda a vida, precisamos de revisões pontuais, para não voltarmos ao ponto de partida. Ou de fuga. E antes de prosseguir nestas impressões pessoais, é preciso dizer que são impressões pessoais; isto não é uma analogia técnica ou de natureza profissional.
Mas quero falar de uma terapia muito eficaz, que sempre me ajudou em minhas angústias, dúvidas e manias.... em meus temores e segredos em ebulição: a confidência. Confidenciar é um ato libertador, quando acertamos na escolha de com quem fazê-lo. Ter confidentes é algo cada vez mais raro nesta fase de mundo e sociedade, onde a correria rouba todo o nosso tempo de falar e ouvir... especialmente o nosso tempo de identificar criteriosamente em quem poderíamos acreditar para fazer confidências; abrir nosso coração, nossa alma, sem temer julgamentos e censuras do que é justamente a nossa razão de procurarmos um colo.
A confidência é curativo; profilaxia paralela; nebulização... às vezes uma injeção de Voltarém na alma, nas emoções e na psique, pois há momentos em que um bom confidente precisa ser mais incisivo, para depois passar um algodão, aliviar a picada com o carinho que "o depois" requer. E como confidentes estão escassos, aí é que entra a psicanálise, tão popularizada nos últimos anos. A psicanálise à moda Freud, pai da psicanálise. Não a psicanálise/pregação religiosa; nem a psicanálise/aconselhamento pastoral; muito menos a psicanálise/vamos orar, entregar nas mãos de Deus.
Em suma, relembrando a natureza do texto, explicada no primeiro parágrafo, a psicanálise é a confidência profissional. Importantíssima nestes tempos, desde que não tenha a venda casada da proposta religiosa e qualquer dissociação dos princípios freudianos. Ou seria a psicanálise despsicanalizada. Neste contexto, a psicanálise é (com pleno reconhecimento de sua importância) a enfermagem da psicologia. Eu diria que um quarto de mundo precisa de confidente; mesmo em forma de psicanalista.
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sábado, 17 de janeiro de 2026
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Oportunismo gospel de massa
Demétrio Sena - Magé
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Ciclos
Demétrio Sena - Magé
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Ainda Estamos Aqui com O Agente Secreto
Demétrio Sena - Magé
domingo, 11 de janeiro de 2026
sábado, 10 de janeiro de 2026
Sobre com quem sermos quem somos
Demétrio Sena - Magé
Alguns hábitos pessoais que cultivo, e são incomuns ao mundo externo, são tão naturais e saudáveis para mim, que preciso ter cuidado para não pensar que determinadas pessoas sejam como eu. Às vezes penso que são, ou tento crer, para me sentir menos "peixe fora d'água". Ou menos extraterrestre. Algumas vezes fui até feliz nessa procura tímida e silenciosa, mas, muito ao longo dos anos.
É solitário pensar diferente ou ter conceitos menos fechados e um olhar informal sobre questões de pessoalidade. Não tenho como julgar o próprio mundo; até porque, sou eu quem distoa. Mas, ter conhecido pessoas semelhantes, ainda que bem poucas, ou muito de quando em quando, serviu para diminuir momentaneamente a minha solidão física. E ainda, para diminuir permanentemente a solidão interior, que continua profunda; entretanto, com doses de alívio e de alguma esperança em seja lá quem for.
Talvez todo o mundo tenha seu eu oculto e quase ninguém confesse. Ou ache que seu eu seja menos inconfessável do que o do outro; permitindo-se assim, a prática de julgar severamente a quem se abre ou expõe. E quem não quer julgamentos, continua oculto até encontrar com quem possa ser quem é... talvez depois de muitos enganos e desenganos, pela repetida ilusão de que já tenha encontrado.
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
"Sombriedade"
Demétrio Sena - Magé
Tenho por hábito introspectivo me sentir julgado. Permanentemente julgado. Por palavras atravessadas, palavras não ditas entre as que se apresentam, e também por silêncios, distâncias, recolhimentos específicos e olhares. Diretos ou oblíquos. Inclusive de pessoas que deveriam me conhecer muito bem.
Habituei-me a ser visto como alguém sombrio, neste país de tantas religiões das quais nenhuma é a minha. E sendo visto como alguém sombrio, por mais espontâneo, leve, sem mistério que eu seja - e sei que sou -, já enfrentei suspeitas de que tenha feito algo sombrio, não poucas vezes. Do nada. Simples e absolutamente do nada. Algumas vezes, sem nem ter havido algo sombrio para se atribuir a alguém. Com a única motivação externa, da minha não religiosidade... ou do que classificam como falta de Deus no coração.
O que me assusta é ver tanta gente "com Deus no coração" fazer tantas coisas sombrias e se julgar iluminada, simplesmente por carregar a marca de uma religião; majoritariamente, cristã. Ou os preconceitos não são sombrios? Julgamentos, machismo, idolatria política, violências verbais e até físicas contra quem pensa, crê, vota diferente... exclusão, separarismo, ódio religioso... tudo isso é sombrio e me dá medo. Meu coração não sossega, não porque me julgam sombrio, mas porque vejo tanta sombra nisso.
Ninguém se arme. Nem se alarme ou se auto flagre com estas ponderações. Não estou pensando especificamente em você. Nem tenho como saber o que abarrota o seu coração. São apenas observações introspectivas, que ora "extrospecto" para suportar a sociedade que me cerca. A sociedade que sou.
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