domingo, 12 de outubro de 2025
sexta-feira, 10 de outubro de 2025
FAZER JÁ É O RESULTADO
quinta-feira, 9 de outubro de 2025
quarta-feira, 8 de outubro de 2025
SOBRE OS FÃS DA ODETE ROITMAM
Demétrio Sena - Magé
Essa multidão de admiradores que torcem pela impunidade ampla, geral e irrestrita da Odete Roitmam, de Vale Tudo - novela da Rede Globo de Televisão - traça bem o perfil de um percentual espantoso da sociedade brasileira. São as mesmas pessoas que chamam truculência de franqueza, crime de mal necessário, fazem preces a objetos e alienígenas, ao mesmo tempo que promovem quebra-quebras, ameaçam a quem pensa diferente, assassinam ou planejam assassinar a quem impede os seus atos insanos. Ou seja, do mesmo grupo que, além de tudo, vai pras ruas ou apoia quem vai, para exigir anistia ampla, geral e irrestrita para criminosos confessos e filmados em seus crimes.
Tal multidão não é a maioria, mas as pessoas perversas, impertinentes e sem limite, ou desinformadas, chatas, fanáticas e sem noção sempre fazem muito barulho, e seus atos para lá dos barulhos causam infortúnios, fatalidades e desgraças. Para quem não sabe como esse fenômeno acontece, pense nas comunidades dominadas por traficantes e/ou milicianos: a imensa maioria dos moradores dessas comunidades é composta por gente honesta, simples, pacífica e trabalhadora, mas basta existir um bando armado, carniceiro, sem noções de humanidade, para causar um imenso estrago e transformar a tudo em um inferno diário. O pior, é que muitas pessoas entre essa gente honesta, simples, pacífica e trabalhadora se cansam, se acostumam e normalizam o inferno, mesmo sendo contra, porque "não tem jeito"... e algumas, iludidas por lendas "Robin-Hoodianas" em torno desse bando, passam a admirar, mesmo não se unindo a ele; o que gera uma grande rede de proteção.
Toda novela, série, filme (...) fictício ou baseado em fatos, mostra realidades que nós vivenciamos ou às quais assistimos diariamente, nas ruas e outros ambientes públicos e privados. Não há como normalizar personagens como a Odete, nem os bandos de pessoas reais, como de certo oito de janeiro e seus líderes, fomentadores e mandantes. O bando dos que admiram esses bandos, de alguma forma contribui com o inferno diário que tem sido o ambiente social deste país, protagonizado por políticos violentos, corruptos e sem noção de humanidade. A Odete Roitmam é bem real; pertinho de nós. Não precisamos procurar com muito esforço e critério. Basta simplesmente olharmos em volta.
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domingo, 5 de outubro de 2025
PAIXÃO DISTORCIDA
Demétrio Sena - Magé
Sempre que estamos apaixonados, os nossos olhos e as nossas intuições quase nunca se desviam do que nos causa tal sentimento. Mesmo que a paixão tenha rótulo de ódio, medo e resistência, não há como escondermos de nós próprios essa realidade que nos aprisiona. É como uma sindrome de Estocolmo.
Não raras vezes, tudo que alguém apaixonado mais deseja é não estar assim; entretretanto, é algo inevitável. Quase sempre xinga, excomunga e faz de conta que expulsa; porém, chama cada vez mais, repete vezes infindas o seu nome, ainda que sem querer. Vê seu alvo de paixão em cada canto, em cada pessoa que incomoda e cada gesto fora da sua doutrina, que diz renegar esse alvo.
Quando começamos a ver o que chamam de diabo em quase tudo e todos que não coadunam com a nossa fé ou doutrina, e de repente passamos a repetir que "que o mundo jaz no maligno", é sintomático: já estamos contagiados por uma paixão inequívoca, distorcida e doentia por ele: o mito lutúrgico das trevas.
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sexta-feira, 3 de outubro de 2025
quarta-feira, 1 de outubro de 2025
domingo, 28 de setembro de 2025
quinta-feira, 25 de setembro de 2025
quarta-feira, 24 de setembro de 2025
O QUE CHAMAMOS DE FÉ
Demétrio Sena - Magé
O ser humano é incapaz de conceber a própria capacidade. Medir a própria força. Não fazemos ideia dos esforços que podemos fazer; das dores que podemos aguentar; das tristezas e decepções que suportamos. Não nos detemos a pensar nem nas toneladas de cisco, terra e outras porcarias que inundam diariamente nossos olhos ou nas bactérias que passam pelo nosso organismo, e sobrevivemos.
Temos todo esse poder e não suportamos a ideia de que o temos. Por isso nos inventamos fracos e, ao suportarmos o peso das piores vivências, atribuímos ao sobrenatural. Pomos na conta especial de um "Deus", uma entidade, porque temos medo de nós mesmos. Não queremos intuir o poder da fé como algo inerente à nossa natureza. Que sai de nós e volta como solução do insolúvel, dentro ou fora das nossas expectativas.
Dá medo, a conclusão de que somos o nosso próprio sobrenatural. Que todo o "poder do alto" não está exatamente no alto. Essa força, que muitas vezes falha na trajetória e no alvo direto, funciona como o milagre de suportarmos a própria frustração, e nos fortalece até o dia do inevitável. A condição de nos mantermos vivos, com o mundo nos ombros, mesmo rastejantes, revela que somos nós, o nosso Deus.
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terça-feira, 23 de setembro de 2025
DO AMOR, MESMO SEM AMOR
Demétrio Sena - Magé
As pessoas estão buscando (ou simplesmente aceitando) relacionamentos nos quais ninguém é levado a sério. Isto se agrava nas relações de amor, quando ambos permitem, um ao outro, aquele tratamento sem afeto, sem gentileza e até sem respeito, como se o outro fosse um guisado, que satisfaz a fome fisica e só volta a ser desejado na hora da "próxima refeição" em qualquer "mesa".
Não vim aqui para falar de noivado, casamento, união estável... nem vim pregar moralismos como a suposta obrigatória relação heteroafetiva. Falo de todas as formas e naturezas do amor, inclusive aquelas em que os acordos voluntários de ambas as partes abrem portas para inclusões onde não haja sofrimento... ou mesmo da relação afetiva temporariamente sem amor, mas com carinho, envolvimento, gentileza e a preocupação mútua com o bem estar de quem faz parte da nossa vida e troca sua intimidade conosco. Mesmo sem amor, isso é amor.
Com ou sem compromisso de futuro, uma relação afetiva/sexual não pode abrir mão do contexto de afeto, compromisso com o bem estar da parceria e aquele olhar sempre humano. Sempre de gente que lida com gente... não de fera que vai à caça quando o "estômago" ronca e pede mais um pedaço da carne armazenada e garantida para sua "fartura", pelo menos enquanto existe a carne.
Se nem sempre tem que ser amor, tem que haver o envolvimento afetivo pautado pela sinceridade, a troca relevante, o respeito ao ser humano com quem interagimos sexualmente. Mesmo sem o amor necessário a um compromisso de futuro, o desejo requer tratar bem, se importar, olhar com ternura, querer saber do outro quando está longe. Não entendo a falta de auto estima e respeito próprio que deixe alguém nos tratar como um naco de carne ou embutido.
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segunda-feira, 22 de setembro de 2025
CONTRA ESTA E AQUELA BANDIDAGENS
Demétrio Sena - Magé
As manifestações do povo brasileiro contra a chamada PEC da bandidagem (blindagem dos deputados federais, com a decisão de seus próprios destinos, caso cometam crimes, o que sempre fazem), foi algo emocionante. Emoção maior ainda, foi ver aqueles artistas já idosos, os mesmos que algumas décadas atrás lutaram com força e determinação, através de suas artes, contra a ditadura militar. Outros artistas um pouco mais novos, porém, conscientes de suas atribuições sociais, fizeram coro à beleza das manifestações. Vale ressaltar que os sertanejos, como era esperado, ficaram recolhidos em suas tocas domiciliares, porque são todos bolsonaristas... assumidos ou encurralados em suas declarações de "nem esquerda nem direita".
Depois de anos e anos de ativismo, sempre como cidadão esquerdista, não estive lá. Acompanhei atentamente, interagi, mas as dificuldades de locomoção e permanência por todo o ato, na capital de meu estado, não me permitiram a presença física. Fiquei emocionado e feliz, daqui, torcendo junto com os meus, por um desfecho arrojado, porém pacífico; sem medo, mas com todos os manifestantes conscientes da civilidade própria das esquerdas. E assim foi: sem quebra-quebra, sem agressões físicas proporcionalmente notórias e, com bandeiras imensas, do Brasil... só do Brasil, que é o nosso país, e só a ele devemos nosso patriotismo.
Lembrei, com forte nostalgia, das minhas atuações ao longo da vida, que chegaram a me render algumas detenções, nos últimos anos da ditadura militar, mesmo eu sendo muito jovem e não tendo fama. Nunca fui preso, mas tive que dar muitas explicações em salas miúdas, escuras e úmidas de unidades policiais cujos agentes nem tinham poderes legais para isso, pois não eram das forças armadas, mas tinham as prerrogarivas da colaboração com a ditadura. Prerrogativas essas, que os entreguistas populares também tinham, pois toda colaboração caía bem, aos olhos dos ditadores.
Hoje um pouco mais pacato, não deixo de me expor, propor e ativizar por onde passo, onde convivo, e nos espaços de mídias ao meu alcance. E apenas para constar, esses espaços de mídias, como as redes sociais, não são lugares seguros, conforme tantos dizem. Somos vigiados de perto por lideranças políticas da direita, órgãos oficiais conservadores, milicianos voluntários, entidades prontas a nos calar, e pelas lideranças ditas cristãs, que são as mais perigosas: que se julgam mais aptas a condenar, cancelar e fazer ficha corrida para linchamentos sociais. E não faltam os pobres coitados tangidos por todas essas lideranças, dispostos a compor multidões ou rebanhos de linchamentos. É uma ditadura mista, empoderada pelo poder legislativo.
Queria estar lá. Mas estava, de alguma forma. Mesmo assim, lamento, pois a emoção, no meio de todas aquelas pessoas realmente do bem foi muito maior... pessoas tão do bem, que os eventuais bolsonaristas otensivamente presentes não precisaram temer por sua integridade física (única integridade que lhes resta). Salvo exceções, os cidadãos de esquerda não espancam; não ameaçam; não dão tiros. Não usam o nome Deus para cometer e justificar suas atrocidades. Nas manifestações da esquerda, ninguém precisa temer a supressão do seu direito de ir e vir.
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