Demétrio Sena - Magé
segunda-feira, 1 de novembro de 2021
AUTORRETRATO
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
REFERÊNCIA E PORTO
Demétrio Sena - Magé
Dispensei o sossego de achar tudo bom
e dar graças por tudo, apesar das desgraças:
escutar os clamores e fingir que o som
é de música e risos em clubes e praças...
Os meus olhos vislumbram sinais e fumaças,
tenho as dores do mundo, que pede atenção;
auto ajudas vazias promovem trapaças;
quem não abre seus olhos fecha o coração...
O conforto egoísta gera desconforto,
muita gente suplica referência e porto
num alerta com dose de verdade crua...
A nação governada por um genocida
só irá resgatar o seu amor à vida
quando for sacudida no mundo na lua!
... ... ...
#respeiteautorias Isso é lei
O SENTIDO E OBJETIVO DA EDUCAÇÃO COMO UM TODO
Demétrio Sena - Magé
Não é ingrato quem se desprendeu de minhas cordas ou teias e caiu no mundo sem me consultar. Quem abriu parêntesis no que aprendeu comigo e desenvolveu conhecimento próprio. Nenhuma ingratidão existe no meu protegido, que agora voa; na minha pretensa descoberta, que se redescobriu e recriou; no meu pupilo, que amadureceu e já vê a vida com olhos independentes.
Ingrato sou eu, se não ficar feliz porque meu ensinamento empoderou alguém; minha educação o levou à liberdade, a tal ponto que o livrou de mim... e minha verdade abriu o leque das múltiplas verdades que a vida proporciona. Ingratidão é me frustrar porque minha proteção deu asas; meu olhar sobre o outro ampliou seus horizontes... meu investimento em um ser humano fomentou sua inquietação e o fez descobrir sendas pessoais para investir por conta própria em seus sonhos, esperanças e visões independentes da sociedade... até para discordar de mim e chegar à conclusão de que meus conceitos petrificaram.
Amemos o próximo e não a nós mesmos no próximo. Quando fizermos algo por alguém, que seja mesmo por ele; não por nós. Fomentemos o pensamento crítico, nos dispondo à possível crítica futura desse pensamento. Fiquemos orgulhosos quando as pessoas a quem demos a mão estiverem seguras para soltá-la... quem um dia orientamos, resolver tomar caminhos diversos, até adversos, indo muito além do que fomos. São estes, o sentido e objetivo da educação verdadeira. Se havemos de conduzir um indivíduo por um tempo, que seja no seu tempo e a condução nunca seja repressora; mandona; coercitiva.
Seres humanos não são animais domésticos, que não podem ter vontade própria... nem plantinhas de apartamento, que jamais poderão escolher os próprios vasos... ou troféus, medalhas e certificados de honra ao mérito, que sempre vão circular entre nossas mãos, gavetas, estantes e paredes... muito menos objetos de nossa ostentação pública diária ou eterna vaidade pessoal.
DE COMO SE CRIA UMA DITADURA
Demétrio Sena - Magé
O extremismo doentio de uma fé coletiva irresponsável, comandada por líderes religiosos loucos e gananciosos aliados a um líder político nazifascista poderoso, funciona mais ou menos assim: Primeiro, com o auxílio de alguns cidadãos mais ou menos elitizados, que já são retrógrados de nascença, são arrebanhados os cidadãos mais fáceis de amoldar, para serem domesticados com falsos discursos nacionalistas, cristãos e de otimismo engessado. A domesticação inclui, entre outros recursos, uma lavagem cerebral que derruba todas as suas admirações por ícones ativistas da cultura, da educação, das artes, da política e de movimentos indignados com as injustiças e desigualdades sociais. Essa lavagem cerebral tem no cardápio, desinformações históricas e difamações pessoais inconsistentes, com argumentos como “ouvi de fonte segura e fidedigna”; “quem me contou foi um primo da prima do primo de um amigo do primo”; “Ele/ela nem deve se lembrar disso, mas estudamos juntos e você nem imagina as coisas que sei” (...).
Após domesticados, os cidadãos amoldáveis aprendem a odiar, além dos ícones difamados, os cidadãos não domesticados; os membros de religiões não cristãs ou menos massificadas; os que resistem ao fanatismo e ao corporativismo extremista; os que pensam por conta própria e sabem ver além dos quadrados; os inconformados com as injustiças; os que se preocupam com os menos favorecidos. Estes, imediatamente são tachados como inimigos da pátria, comunistas (o que na raiz é um elogio), rebeldes e ateus (o que também é um elogio e muitos de fato são). Quando finalmente se forma um exército informal, de soldados bisonhos ou milicianos populares capazes de qualquer ato por seus líderes, institui-se uma ditadura... e se um dia, os líderes quiserem se livrar do exército inicial, facilmente farão com que tais multidões fanáticas pulem de viadutos e precipícios, acreditando que O Possível Deus, em sua Infinita Ociosidade se ocupará de fazer, um a um, pousar em câmera lenta, no chão... eis a queima de arquivo.
GRITAR JUNTO
Demétrio Sena - Magé
segunda-feira, 9 de agosto de 2021
ATEU/DINHEIRO/FELICIDADE
ATEU
Demétrio Sena - Magé
Ateísmo é o amor indignado
com amores formais; de verbo e
crista;
é aquela conquista do bom senso
ou dos olhos que agora querem ver...
Os ateus têm um trato co'a verdade;
serão sempre seus servos; não seus
donos;
não se rendem aos tronos, aos poderes
e não trocam seus dons por
privilégios...
Um ateu não decide o sim ou não
sobre teses e crenças do sagrado;
só entende que um vão está no ar...
A profunda certeza de um ateu
é que um eu coletivo que se adora
não tem como adorar o Deus
Possível...
DINHEIRO
Demétrio Sena – Magé
O dinheiro não deu pra pagar pelo amor;
só cobria o prazer, pois amor não tem preço;
fiz oferta no avesso, mas daqui de fora
não se tem o controle do que ocorre lá...
Acabou meu poder de aquisição sem fim,
quando achei que pudesse comprar a verdade,
arrastá-la pra mim feito pesca de rede,
mas faltou sua essência na compra já feita...
Meu dinheiro não pôde arrematar o bem;
minha cota de bens que nem posso contar
tropeçou em valores que não têm tabela...
Muitas vezes pensei em subornar a morte
pra não ser minha sorte, mudar de calçada,
mas depois entendi que faltará dinheiro...
Demétrio Sena – Magé
Ser feliz tem seus preços infelizes;
alegrias nos cobram nos pesares;
nossas crises terminam num amém;
somos servos do velho que assim seja...
As vitórias nos causam hematomas,
o juízo é a perda da inocência,
paciência se faz de muita espera
e a morte premia o ter vivido...
Não espere a chegada sem cansaço
nem o passo que chegue leve ao alvo,
são e salvo; nenhuma cicatriz...
Mesmo assim tome o rumo dos anseios,
leve os sonhos às últimas instâncias,
pelos meios fiéis à consciência...
domingo, 18 de julho de 2021
GENOCÍDIOS
Demétrio Sena - Magé
Tantos mortos em nome do "Deus Vivo",
muito além da tragédia inevitável;
quanta guerra no crivo das mentiras;
das maldades vestidas como santas...
Genocídios operam no calor
e no frio da imensa ignorância,
na ganância de algum protagonismo
injetado nas massas dominadas...
Entre as sombras ladinas das elites,
os senhores das crenças negociam
as artrites, os dramas dos fiéis...
Multidões apostando as próprias vidas;
genocidas cometem como apoiam
ou apenas assistem sem protesto...
... ... ...
Respeite autorias. Isso é lei
segunda-feira, 5 de julho de 2021
sexta-feira, 2 de julho de 2021
MINHA FALA DE ORGULHO
Demétrio Sena - Magé
Em tempos de muito; muito preconceito, mesmo (tempos que estão de volta, no Brasil), cheguei a me questionar, ainda menino, se não era gay (fresco, pederasta ou viado, pois a palavra gay não existia). Não porque me sentisse atraído por meninos, pois não era o caso, mas apenas porque gostava de cores, formas, frases bem construídas... arte; poesia. Era como se eu fosse um gay rebelde; gostava de todas aquelas "frescuradas", das quais ainda gosto e atualmente pratico, mas destoava do previsível, por gostar de meninas.
Na adolescência, não jogar futebol nem dizer palavrões era um tormento; nenhum menino me perdoava por isso... ter muito mais amigas do que amigos, não contar vantagens afirmando "comer" todas elas e, me perder de feliz onde havia flores era um soco nos estômagos. "Muito estranho" não ser machista... muito suspeito ficar "de conversinhas" e confidências desinteressadas com belas moças, às vezes ler poemas para elas e não forçar nem uma barrazinha por um beijo na boca; uma "passadinha de mão".
Respeitar o gênero feminino era o fim da picada. Aliás, não forçar a "picada" era o fim da picada. Depois, na juventude adulta, quando alguém descobriu por tanto bisbilhotar, que eu era capaz de não me sentir provocado por uma amiga nua, ter confidências e acreditar que não havia intenção sexual... e só me dar por desejado se ela dissesse, aí pronto... se não era viado, era babaca; mariquinha... para meus amigos mais próximos, eu até podia não ser viado, mas as minhas amigas achariam que sim - o que jamais ocorreu.
Sempre que tive namorada, na juventude, alguém dizia com certo espanto: "Aí, hein! Namorada bonita"! Era como se me incentivassem para eu nunca "sair do armário". Com o tempo, as pessoas que seguiram convivendo comigo e conheceram minhas namoradas, me viram casar, ter filhas, se aquietaram. Mas muitos nunca entenderam minha sensibilidade literária sem fronteiras, o fascínio por ofícios delicados e a cumplicidade com o gênero feminino, além da compreensão da homossexualidade alheia e dos novos gêneros revelados nas últimas décadas.
Houve um tempo em que me rebelei de formas muito forjadas e negativas: fiquei desaforado, bruto, briguento e dava mais coices do que o atual presidente deste país. Isso me fez cometer inúmeras injustiças, descontar minhas raivas em pessoas que não mereciam e fazer alguns desafetos. De alguma forma, era como se eu dissesse para meus cobradores: é assim? É isso que me faz macho? Mas aquilo me deu vergonha de mim e não demorei muitos anos a retomar minhas posturas "questionáveis", porém legítimas.
Tive muitas namoradas ao longo dos anos, mas também muitas amigas íntimas... que tomaram banho comigo em cachoeiras desertas... que se deitaram ao meu lado em uma cama ou rede, para longas confidências e choraram em meu colo, com a certeza de que não seriam constrangidas por uma ereção; por um carinho inconveniente para o momento; uma tentativa de me arvorar como "Homem com H".
Minhas posturas espontâneas de quem é teimosamente quem é, desde menino até hoje, aos sessenta anos de idade, sempre me causaram aborrecimentos com as exigências do machismo que me cerca. Do preconceito sócio-religioso dos ambientes familiares e das igrejas que frequentei. Das cobranças de uma sociedade na qual não basta seguir padrões; é obrigatório provar a cada instante, que segue. Um homem só é homem com a crista alta. Uma mulher, com os olhos baixos.
Ter passado por tantos momentos constrangedores pela possibilidade remota de homossexualidade me deu a honra de saber como é ser homossexual masculino ou feminina... uma mulher ou um homem trans, bissexual, transformista (...). Honra, sim, porque sei de algum modo a coragem, força e determinação que demanda não desistir de si, ante as dores do menosprezo, da segregação, a ira religiosa e a repressão familiar e social.
Não sofri até hoje, um décimo do que sofre a comunidade LGBTQIA+, especialmente no Brasil. Mas o que já sofri, mais ainda quando não entendia conceitos e contextos, me faz ter essa ideia; esse olhar. Foi comovido que assisti ao programa FALAS DE ORGULHO, da Rede Globo, e me senti ainda mais próximo desses seres humanos maravilhosos que só querem ser livres para ser quem são, em nome do amor e da própria felicidade.
Gostaria, quando fosse possível, que a sigla LGBTQIA+ ganhasse uma nova letra... a letra S, para se tornar LGBTQIAS+ (Lésbicas, Gays, Bi, Trans, Queer, Intersexuais, Assexuais... e simpatizantes. Quanto mais seres humanos se solidarizarem com essa luta, mais possível se tornará o advento, em um futuro ainda invisível, de um mundo melhor para todos... porque todos juntos somos o mundo.
AS RELIGIÕES E SEUS MALEFÍCIOS
Demétrio Sena - Magé
Aprendi na prática, justamente com os que mais pregam que todo ser humano precisa de uma religião, que na verdade nenhum ser humano deveria sequer conhecer uma religião... muito menos cair em suas malhas. Desde os tempos mais remotos da história da humanidade, religiões têm sido as maiores causadoras ou parceiras nas desgraças que o mundo já sofreu e segue sofrendo.
Foram as religiões, inclusive, que levaram Jesus Cristo a morrer como criminoso, por ele pregar o amor, a paz e a igualdade, que são os ingredientes das pregações religiosas. Depois de matar Jesus, a maioria das religiões ainda passou a usar seu nome para cometer ou contribuir com atrocidades... ajudou e participou das mais cruéis ditaduras; criou inquisições sangrentas; empoderou governos genocidas mundo afora, como Adolf Hitler, o mais conhecido no mundo novo.
No Brasil, país conhecido como essencialmente cristão, as denominações cristãs predominantes sempre foram parceiras em potencial das mais cruéis ditaduras... ajudaram a perseguir opositores políticos de presidentes tiranos; entregaram e fizeram uso das parcerias com o poder, para oprimir também as religiões não cristãs.
Até houve períodos de alguma trégua, mas hoje, vemos mais uma vez as religiões cristãs brasileiras contribuindo com e participando de um governo ditador, perverso, violento e genocida. Empoderadas com essa parceria, voltaram a perseguir as religiões menos ortodoxas, notadamente as de matriz africana e todos os cidadãos alvos dos seus mais profundos preconceitos sociais, incluindo racismo, LGBTfobia, machismo e muitos casos de ódio a quem produz arte não reconhecida como conservadora e religiosa.
Há religiosos que não se enquadram nesse perfil de perseguidores, tiranos, fanáticos e capachos do poder, mas em tão baixa escala, que também acabam não enquadrados no perfil de religiosos. São cidadãos conscientes, dotados de amor ao próximo, avessos às maldades e à hipocrisia, que ainda conseguem crer no princípio da religiosidade... fazem sua parte como seguidores do Cristo fundador do cristianismo verdadeiro, e por isso vivem como peixes fora d'água em suas igrejas.
O ser humano precisa, sim, do que seriam as religiões, se não fossem contaminadas pela hipocrisia, a fome de poder, a vaidade, o egoísmo e a ganância... não do que as religiões nunca deixaram de ser e hoje se confirmam no quanto nós, brasileiros tachados de profanos por sonharmos com igualdade humana, social, vivenciamos de formas tão revoltantes e catastróficas.
A OUTRA FACE DO FILHO
Demétrio Sena - Magé
Primeiro, as arbitrárias manipulações do Pai que superprotege o filho predileto e faz dele o braço direito em um reino cujo trono é intensamente ambicionado por todos os habitantes... logo depois, a ostentação do poder, da tirania e dos caprichos de Sádico Supremo, ao atirar esse filho impiedosamente reino abaixo, com os seus aliados, por causa de uma rebeldia que todo filho de personalidade forte, ainda que mimado, tarde ou cedo apresenta... e como se não bastasse, a criação de um lugar de sofrimento eterno e ranger de dentes, para ser comandado pelo rebento rebelde.
Milênios depois, o resgate sorrateiro do ex-predileto, que na verdade nunca deixou de ser, para retreiná-lo no reino e depois enviar aos humanos, visando persuadi-los a se renderem ao poder, à tirania e todos os caprichos do Pai, que não mudara em nada. Então o filho, com nova identidade, mas a mesma personalidade, a mesma rebeldia, somadas ao profundo amor que desenvolve pelos humanos, desobedece mais uma vez. Não submete a humanidade aos Caprichos Supremos nem extermina os relutantes e os poderosos terrenos que não se dobram ao Mesmo.
No fim das contas, novamente o filho é castigado... e dessa vez, passando pelas mãos humanas. Condenado à morte por cruz, como se tivesse vencido em nome do Pai; como se o Pai tivesse realizado seus propósitos, ao esconder o segundo real fracasso como Guerreiro Supremo... Líder Maior... na verdade, o Tirano Capaz de uma crueldade requintada como enviar seu filho para promover uma guerra contra si próprio, sua outra identidade, aliado aos humanos em uma guerra também contra si mesmos... eis o eterno conflito entre o bem e o mal que habitam cada um de nós.


