Este silêncio que se alastra nos meus olhos plenos de inibição – um olhar à luz de vela na penumbra dos sentidos – é a navalha que me castra de alcançar os teus obséquios. Ele cumpre a minha solidão entre os dias que atravessam minha carne, vazam a minh´alma e sugam no seu efeito os dons que se tornaram restos imortais do meu ser – até que a morte me faça mudar tal sina –, desde que me fez ver a luz.
Nas caladas de meus tons que refletem a petição dos olhos, o meu algo eterno se perdeu dos desejos de te amar, sob um oceano de nostalgias... De saudades do que jamais aconteceu. Foi apenas a palidez de um sonho a partir do engano que bebi no teu olhar. Este silêncio, enfim, é como um ritual que se fecha sobre o grito agoniado em meu íntimo. Um grito que o meu não grito não quer calar.
Se viver é algo desprezível, e mesmo assim persisto em meus passos, na verdade os meus passos pisam em mim. Eles fazem isso por ti, pois se depender de tua distância, teu gelo, teu tanto faz no que tange a esta sentinela dos teus humores, nem mesmo a sola dos teus pés me conhecerá. De qualquer modo estou aqui, moribundo feito minha esperança... Disputando com ela quem será o último a morrer.
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