terça-feira, 28 de agosto de 2012

PALAVRA DE AMIGO SEM PALAVRA


Um dia, também hei de aprender a não ter tempo. A estar sempre ocupado e de agenda cheia. Ter a pressa que vejo em todo o mundo. Sendo assim, criticar o tempo dos que o têm de arranjar uma forma, seja qual for, de contatar os amigos por necessidade puramente afetiva.
Saberei finalmente, não poder parar numa rua para cumprimentar um amigo; para saber como está; trocar pelo menos algumas palavras. A partir dessa data, nunca mais perderei um minuto com aquelas saudades fúteis que sempre me levam ao telefone. Às vezes ao computador, para deixar uma mensagem curta; uma palavra; mero sinal de vida.
Chegará minha vez de só ter ligações comerciais. Quando só terei colegas de formalidades. Companheiros de trabalho; partido; associação; clube. Superiores hierárquicos e talvez alguns subalternos. Com gentileza ou não, mas invariavelmente com a frieza típica e necessária, pessoas para me regerem... Serem regidas por mim ou comigo. 
Tenho muita esperança... Amadureço em meu peito esse dia em que vou cumprir minha promessa... O grande momento em que darei esse troco envelhecido e sob o risco de perder valor... Que de tanto ser adiado, já está mofando no calor inegável dos meus bolsos de afetos.

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